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Como brasileiros no Paraguai podem ser afetados por crise

Intervenção no Ueno Bank bloqueou contas de clientes; país concedeu 31,7 mil residências a brasileiros entre janeiro e setembro deste ano

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Por Emanuelle Menezes
Santiago Peña renunciou ao cargo de presidente do Paraguai na quinta-feira (5) | Flickr/Gobierno del Paraguay

Santiago Peña renunciou ao cargo de presidente do Paraguai na quinta-feira (5) | Flickr/Gobierno del Paraguay

A crise bancária que levou à renúncia do presidente do Paraguai, Santiago Peña, nesta quinta-feira (5), pode afetar brasileiros que vivem no país e mantêm dinheiro no Ueno Bank. A intervenção na instituição financeira, que atende cerca de 3 milhões de clientes, restringiu o acesso aos depósitos e deu início a um processo de devolução dos recursos.

Para quem depende do banco, o bloqueio pode comprometer despesas como aluguel, alimentação e contas domésticas, além de prejudicar o funcionamento de pequenos negócios. O impacto depende dos valores depositados e da necessidade de movimentar o dinheiro.

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O episódio ocorre em um momento de crescente interesse de brasileiros pelo Paraguai. O país vizinho ganhou destaque nos últimos anos como destino para quem busca impostos mais baixos e um ambiente político conservador.

Após a vitória de Lula (PT), as buscas pelo termo "Paraguai" cresceram 900% em 24 horas, segundo dados do Google Trends – ferramenta que monitora os termos mais populares do Google. Os brasileiros, no entanto, já representam a maior parcela dos estrangeiros que obtêm autorização para morar no país vizinho.

Segundo a Direção Nacional de Migrações, 31.706 residências temporárias e permanentes foram concedidas a brasileiros entre janeiro e setembro de 2026. O número corresponde a 67,6% das 46.879 autorizações concedidas a estrangeiros no período.

Nos primeiros nove meses do ano, o Paraguai recebeu 49.538 solicitações de residência, superando os 47.687 pedidos registrados durante todo o ano de 2025.

De acordo com estimativas do governo federal, mais de 263 mil brasileiros vivem oficialmente no Paraguai. Essa é a terceira maior comunidade brasileira no mundo, atrás somente de Estados Unidos e Portugal.

O que aconteceu com o Ueno Bank?

O Banco Central do Paraguai determinou a intervenção no Ueno Bank após identificar que o índice de solvência da instituição havia caído para menos da metade do mínimo exigido.

O indicador mede a capacidade financeira de um banco para suportar riscos e eventuais perdas.

A medida deu início a um processo de resolução da instituição e de devolução dos depósitos aos clientes. Segundo o Banco Central, o problema está concentrado no Ueno Bank e não representa uma crise generalizada do sistema financeiro paraguaio.

Para brasileiros que utilizam o banco, a principal consequência é a dificuldade de movimentar os recursos enquanto ocorre o processo de intervenção.

A situação pode ser especialmente delicada para quem concentra suas economias na instituição ou depende da conta para pagar despesas e manter atividades comerciais.

Brasileiros podem recuperar o dinheiro depositado?

O Paraguai possui um Fundo de Garantia de Depósitos que protege valores de até 228,3 milhões de guaranis (cerca de R$ 203,5 mil) por cliente e por instituição financeira, o equivalente a 75 salários mínimos paraguaios.

O limite considera a soma dos depósitos de uma pessoa física ou jurídica no mesmo banco, e não cada conta separadamente.

Nesta quinta-feira (5), o Banco Central anunciou o início da primeira etapa de devolução dos recursos. Inicialmente, serão contemplados clientes com depósitos de até 10 milhões de guaranis (cerca de R$ 8,9 mil), que não possuam dívidas com o Ueno Bank e mantenham uma conta habilitada em outra instituição bancária ou financeira do Paraguai.

Os próximos grupos serão anunciados pelos canais oficiais do Banco Central, conforme o andamento do processo.

Para valores superiores ao limite geral de garantia, a recuperação dependerá dos mecanismos legais adotados durante a intervenção.

O SBT News procurou o Banco Central do Paraguai para esclarecer se existe um canal específico de atendimento a depositantes estrangeiros, quais procedimentos devem ser seguidos por brasileiros e se há informações sobre o número de cidadãos do país afetados pela crise. O espaço segue aberto.

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