Césio-137 na Argentina: perigo está na abertura da cápsula
Especialista alerta sobre riscos de contato com o material; cápsula roubada continha a mesma substância que provocou o acidente radiológico de Goiânia, em 1987
Naiara Ribeiro
Autoridades da Argentina emitiram um alerta nacional após o roubo, na terça-feira (16), de uma cápsula com césio-137 de um centro médico na cidade de Rosário, a cerca de 300 quilômetros de Buenos Aires. O material é o mesmo envolvido no acidente radiológico de Goiânia, em 1987. O episódio é considerado o maior acidente radioativo do Brasil e o maior do mundo fora de usinas nucleares.
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De acordo com a Autoridade Reguladora Nuclear da Argentina, a fonte radioativa era usada para calibrar equipamentos de medicina nuclear. O governo argentino informou que o risco radiológico é considerado baixo, mas orientou a população a não tocar nem manipular o objeto caso ele seja encontrado.
Em entrevista ao SBT News, o pesquisador da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e professor do Instituto Mauá de Tecnologia, Eduardo Cabral, afirmou que o césio-137 exige protocolos rigorosos de segurança, mas que a cápsula não oferece grande risco enquanto permanecer intacta. "A fonte em si não oferece risco porque é blindada. Se a pessoa não manipular a fonte, ela não oferece grandes riscos", afirmou.
Segundo ele, o problema começa se a cápsula for aberta ou danificada. Nesse caso, o material radioativo pode ficar exposto e se tornar perigoso para quem tiver contato com ele. "Se a pessoa abrir a fonte ou retirar o material radioativo de dentro da cápsula, aí sim o perigo é muito grande, como aconteceu em Goiânia", disse.
O acidente na capital goiana começou quando dois catadores encontraram um equipamento abandonado em uma clínica desativada e o venderam para um ferro-velho sem saber que continha material radioativo. Depois que a cápsula foi aberta, diversas pessoas tiveram contato com o césio-137 e apresentaram sintomas de contaminação.
Segundo o pesquisador, o césio-137 emite partículas beta e raios gama.
As partículas beta são mais perigosas quando o material é ingerido ou entra no organismo. Já os raios gama podem causar danos mesmo sem contato físico com a substância. "Basta ficar próximo da fonte para receber radiação. Dependendo da intensidade e do tempo de exposição, podem ocorrer lesões na pele, danos à medula óssea e até morte", afirmou o pesquisador.
O risco aumenta muito se o material radioativo for retirado da cápsula de proteção.
Por que Goiânia ainda convive com as consequências?
Quase quatro décadas após o acidente, o material contaminado continua armazenado em um repositório construído em Goiânia.
Cabral afirmou que isso acontece porque o césio-137 tem meia-vida de cerca de 30 anos. Isso significa que a radioatividade cai pela metade a cada três décadas. "Como passaram pouco menos de 40 anos desde o acidente, a atividade radioativa ainda é relativamente alta", afirmou.
Segundo ele, um material radioativo costuma ser considerado inativo apenas depois de cerca de dez meias-vidas. No caso do césio-137, isso representa aproximadamente 300 anos.
Por isso, o material precisa permanecer sob vigilância e controle por um período muito longo.
Césio-137 na Argentina: perigo está na abertura da cápsulaEspecialista alerta sobre riscos de contato com o material; cápsula roubada continha a mesma substância que provocou o acidente radiológico de Goiânia, em 1987Mundo2026-06-19T13:20:12.826ZAutoridades da Argentina emitiram um alerta nacional após o roubo, na terça-feira (16), de uma cápsula com césio-137 de um centro médico na cidade de Rosário, a cerca de 300 quilômetros de Buenos Aires. O episódio é considerado o maior acidente radioativo do Brasil e o maior do mundo fora de usinas nucleares. De acordo com a Autoridade Reguladora Nuclear da Argentina, a fonte radioativa era usada para calibrar equipamentos de medicina nuclear. O governo argentino informou que o risco radiológico é considerado baixo, mas orientou a população a não tocar nem manipular o objeto caso ele seja encontrado. Em entrevista ao SBT News, o pesquisador da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e professor do Instituto Mauá de Tecnologia, Eduardo Cabral, afirmou que o césio-137 exige protocolos rigorosos de segurança, mas que a cápsula não oferece grande risco enquanto permanecer intacta. "A fonte em si não oferece risco porque é blindada. Se a pessoa não manipular a fonte, ela não oferece grandes riscos", afirmou. Segundo ele, o problema começa se a cápsula for aberta ou danificada. Nesse caso, o material radioativo pode ficar exposto e se tornar perigoso para quem tiver contato com ele. "Se a pessoa abrir a fonte ou retirar o material radioativo de dentro da cápsula, aí sim o perigo é muito grande, como aconteceu em Goiânia", disse. O acidente na capital goiana começou quando dois catadores encontraram um equipamento abandonado em uma clínica desativada e o venderam para um ferro-velho sem saber que continha material radioativo. Depois que a cápsula foi aberta, diversas pessoas tiveram contato com o césio-137 e apresentaram sintomas de contaminação. Quais são os riscos do césio-137? Segundo o pesquisador, o césio-137 emite partículas beta e raios gama. As partículas beta são mais perigosas quando o material é ingerido ou entra no organismo. Já os raios gama podem causar danos mesmo sem contato físico com a substância. "Basta ficar próximo da fonte para receber radiação. Dependendo da intensidade e do tempo de exposição, podem ocorrer lesões na pele, danos à medula óssea e até morte", afirmou o pesquisador. O risco aumenta muito se o material radioativo for retirado da cápsula de proteção. Por que Goiânia ainda convive com as consequências? Quase quatro décadas após o acidente, o material contaminado continua armazenado em um repositório construído em Goiânia. Cabral afirmou que isso acontece porque o césio-137 tem meia-vida de cerca de 30 anos. Isso significa que a radioatividade cai pela metade a cada três décadas. "Como passaram pouco menos de 40 anos desde o acidente, a atividade radioativa ainda é relativamente alta", afirmou. Segundo ele, um material radioativo costuma ser considerado inativo apenas depois de cerca de dez meias-vidas. No caso do césio-137, isso representa aproximadamente 300 anos. Por isso, o material precisa permanecer sob vigilância e controle por um período muito longo. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/cesio-137-roubado-na-argentina-especialista-explica-riscos
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