Subsídios contra efeitos da guerra somam R$ 7,8 bi no ano
Gastos extraordinários cresceram 283,5% até agosto; na sexta (25), Fazenda prorrogou por 30 dias subsídio de R$ 2,12 por litro de diesel

Subsídios contra efeitos da guerra, principalmente alta do petróleo, somam R$ 7,8 bilhões | Distribuição/Fernando Frazão/Agência Brasil
As despesas extraordinárias do governo cresceram 283,5% acima da inflação entre janeiro e agosto, puxadas principalmente pelas medidas adotadas para reduzir os efeitos econômicos da guerra no Oriente Médio. O aumento foi de R$ 10,6 bilhões em relação ao mesmo período de 2025.
A maior parte desse avanço veio das subvenções à produção, comercialização e importação de combustíveis derivados de petróleo, que somaram R$ 7,8 bilhões nos oito primeiros meses do ano. O mecanismo funciona como um subsídio pago pelo governo para tentar conter a alta dos combustíveis provocada pelo aumento do petróleo no mercado internacional.
Na sexta-feira (25), o Ministério da Fazenda decidiu manter por mais 30 dias a subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel. A medida não aumentou o valor do benefício, mas evitou sua redução após o fim da vigência da Medida Provisória (MP) 1.363. A manutenção passou a ser amparada integralmente pela MP 1.391.
O valor atual é resultado de sucessivas medidas adotadas desde o agravamento da situação geopolítica na região, em especial no Irã. O país persa controla a margem norte do Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% do petróleo e derivados consumidos no mundo e 25% do petróleo transportado por via marítima.
A subvenção havia começado em R$ 1,12 por litro e foi ampliada em setembro com uma parcela adicional de R$ 1, levando o benefício aos atuais R$ 2,12. Segundo a Fazenda, a política é revista periodicamente conforme a evolução dos preços do barril tipo Brent, usado como referência internacional.
Gastos extras pressionam contas
Além dos subsídios aos combustíveis, os créditos extraordinários incluem aportes de R$ 2 bilhões ao Fundo Garantidor para Investimentos e de R$ 750 milhões ao Fundo Garantidor da Habitação Popular, além de recursos para outros fundos ligados a comércio exterior, habitação e crédito.
Somente em agosto, os créditos extraordinários cresceram R$ 1,3 bilhão acima da inflação, alta de 186,4% em relação ao mesmo mês de 2025. Desse total, R$ 808,7 milhões foram destinados a subvenções relacionadas à produção e à importação de combustíveis derivados de petróleo.
Os gastos extraordinários ajudaram a pressionar as despesas do Governo Central em 2026. Entre janeiro e agosto, os gastos totais cresceram 5,7% acima da inflação, ou R$ 96,3 bilhões, enquanto o déficit primário acumulado passou de R$ 85,9 bilhões para R$ 94,9 bilhões.















