Aposentadoria compulsória: CNJ adia julgamento para agosto
Fachin suspendeu análise logo após a apresentação do voto do relator pelo fim da aposentadoria compulsória como pena disciplinar
Emanuelle Menezes
Edson Fachin durante sessão plenária do STF | Antonio Augusto/STF
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) adiou, nesta terça-feira (23), a análise da proposta que regulamenta o fim da aposentadoria compulsória como punição máxima para magistrados que cometem infrações graves. A decisão foi anunciada pelo ministro Edson Fachin após a apresentação do voto do relator. O conselheiro Ulisses Rabaneda propôs o fim da aposentadoria compulsória como pena disciplinar.
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A proposta de Rabaneda é de que a sanção mais grave a ser aplicada a um juiz passe a ser o afastamento imediato e a perda do cargo. Fachin, que é presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu o julgamento logo após a apresentação do voto.
"Trata-se da primeira apresentação. Como temos feito de hábito nesses casos, suspendemos a apreciação para a sessão subsequente", afirmou Fachin durante a sessão.
A discussão será retomada na próxima sessão ordinária do órgão, marcada para 4 de agosto.
A proposta em análise pelo CNJ busca adequar as regras disciplinares da magistratura ao entendimento recente da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal.
Cabe agora ao CNJ regulamentar como esse entendimento será aplicado nos processos disciplinares envolvendo juízes.
Punição é alvo de críticas
Ao proferir a decisão no STF, Dino argumentou que a aposentadoria compulsória transfere para a sociedade o custo da punição aplicada ao magistrado.
"Se o juiz vende uma decisão judicial ou mata alguém, ele tem que ser punido. Mas se a punição é a aposentadoria compulsória, a punição é para quem? É para o contribuinte", afirmou o ministro à época.
Dados do CNJ mostram que 126 magistrados foram aposentados compulsoriamente nos últimos 20 anos, em casos envolvendo irregularidades como venda de sentenças, assédio moral e sexual e favorecimento indevido a integrantes de organizações criminosas.
O que levou à decisão?
Dino decidiu sobre o caso após a análise de uma ação de juiz afastado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) para anular sanções mantidas pelo CNJ, incluindo aposentadoria compulsória. A punição foi decidida em 2021, depois de a Justiça entender que o magistrado beneficiou um grupo político ligado à milícia.
A defesa do magistrado acionou o Supremo. Ao analisar o recurso, Dino identificou que o julgamento das revisões disciplinares no CNJ foi marcado por sucessivas questões de ordem, incertezas e instabilidade na composição do colegiado. O ministro, então, anulou o julgamento anterior do CNJ e determinou que o Conselho realize uma nova análise do caso.
Aposentadoria compulsória: CNJ adia julgamento para agostoFachin suspendeu análise logo após a apresentação do voto do relator pelo fim da aposentadoria compulsória como pena disciplinarJustiça2026-06-23T15:29:48.161ZO Conselho Nacional de Justiça (CNJ) adiou, nesta terça-feira (23), a análise da proposta que regulamenta o . A decisão foi anunciada pelo ministro Edson Fachin após a apresentação do voto do relator. O conselheiro Ulisses Rabaneda propôs o fim da aposentadoria compulsória como pena disciplinar. A proposta de Rabaneda é de que a sanção mais grave a ser aplicada a um juiz passe a ser o afastamento imediato e a perda do cargo. Fachin, que é presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu o julgamento logo após a apresentação do voto. "Trata-se da primeira apresentação. Como temos feito de hábito nesses casos, suspendemos a apreciação para a sessão subsequente", afirmou Fachin durante a sessão. A discussão será retomada na próxima sessão ordinária do órgão, marcada para 4 de agosto. A proposta em análise pelo CNJ busca adequar as regras disciplinares da magistratura ao entendimento recente da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal. Em março, o como punição administrativa após a Reforma da Previdência de 2019. Com isso, a sanção máxima para magistrados que cometerem faltas graves passaria a ser a perda do cargo e dos salários, e não mais a aposentadoria remunerada. Cabe agora ao CNJ regulamentar como esse entendimento será aplicado nos processos disciplinares envolvendo juízes. Punição é alvo de críticas Ao proferir a decisão no STF, Dino argumentou que a aposentadoria compulsória transfere para a sociedade o custo da punição aplicada ao magistrado. "Se o juiz vende uma decisão judicial ou mata alguém, ele tem que ser punido. Mas se a punição é a aposentadoria compulsória, a punição é para quem? É para o contribuinte", afirmou o ministro à época. Dados do CNJ mostram que 126 magistrados foram aposentados compulsoriamente nos últimos 20 anos, em casos envolvendo irregularidades como venda de sentenças, assédio moral e sexual e favorecimento indevido a integrantes de organizações criminosas. O que levou à decisão? Dino decidiu sobre o caso após a análise de uma ação de juiz afastado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) para anular sanções mantidas pelo CNJ, incluindo aposentadoria compulsória. A punição foi decidida em 2021, depois de a Justiça entender que o magistrado beneficiou um grupo político ligado à milícia. A defesa do magistrado acionou o Supremo. Ao analisar o recurso, Dino identificou que o julgamento das revisões disciplinares no CNJ foi marcado por sucessivas questões de ordem, incertezas e instabilidade na composição do colegiado. O ministro, então, anulou o julgamento anterior do CNJ e determinou que o Conselho realize uma nova análise do caso.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/justica/aposentadoria-compulsoria-cnj-adia-julgamento-para-agosto