UE investe no Brasil contra dependência digital dos EUA
Aporte de mais de 260 milhões de euros expande EllaLink até o Pará; conexão submarina reduz necessidade de passagem de dados até o país norte-americano


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A União Europeia anunciou nesta terça-feira (23) um investimento de mais de 260 milhões de euros (aproximadamente R$ 1,5 bilhão) para ampliar o EllaLink, cabo submarino de fibra óptica que liga diretamente o Brasil à Europa e reduz a dependência das rotas digitais controladas pelos Estados Unidos.
O anúncio foi feito pelo comissário europeu para Parcerias Internacionais, Jozef Síkela, durante o II Fórum de Investimentos Brasil-União Europeia, na sede da ApexBrasil, entidade vinculada ao governo federal que atua na promoção comercial do País.
“O EllaLink é uma conexão segura, rápida e aberta. Estamos estendendo o cabo para o Pará e o Maranhão, com conexões posteriores em direção à Guiana Francesa e ao Caribe”, declarou no evento em Brasília.
O cabo entrou em operação em 2021 e tem como eixo principal a ligação entre Fortaleza, no Ceará, e Sines, em Portugal. O trecho transatlântico tem cerca de 5.900 km e capacidade de 100 terabits por segundo, distribuída em quatro pares de fibra óptica. A rede conecta hubs como São Paulo e Fortaleza, no Brasil, a Lisboa e Madri, na Europa.
Antes da entrada em operação do EllaLink, boa parte do tráfego de dados entre América Latina e Europa passava por rotas indiretas pela América do Norte. O sistema foi concebido para não depender de caminhos controlados por redes e centros de dados instalados nos Estados Unidos através de uma rota transatlântica direta entre Portugal e Brasil, com menor latência e maior descentralização da infraestrutura global de internet.
Latência é o tempo que uma informação leva para sair de um ponto e chegar a outro. Quanto menor esse intervalo, mais rápida é a resposta em serviços como chamadas de vídeo, transações financeiras, computação em nuvem e troca de grandes volumes de dados.
Nesse desenho, o Brasil ocupa posição estratégica por ser o principal ponto de chegada do cabo na América Latina. A partir de Fortaleza, a conexão com a Europa pode ser distribuída para outros centros do país e da região.
Outros investimentos
Além da ampliação do EllaLink, a União Europeia apresentou no fórum outros projetos ligados à agenda Global Gateway no Brasil, com foco em conectividade, hidrogênio verde e inclusão de populações da Amazônia.
Na área digital, o bloco prevê 1,5 milhão de euros para o projeto Amazônia Verde, voltado à conectividade de última milha em seis comunidades remotas do Amazonas. A proposta combina infraestrutura 4G da Nokia, conexão satelital da Hispasat e atuação do Instituto de Desenvolvimento Tecnológico, em Manaus.
O objetivo é testar um modelo de conexão para regiões de difícil acesso, com potencial impacto em educação, saúde, serviços públicos e atividades econômicas locais. A ação tem apoio institucional do governo do Amazonas e da Prefeitura de Manaus.
Na área de hidrogênio, a UE destinou 3 milhões de euros ao H2Uppp, projeto de cooperação com o Brasil para desenvolver o mercado de hidrogênio renovável e de baixo carbono. A Alemanha também participa, com aporte de 510 mil euros.
Executado pela agência alemã GIZ, o programa busca aproximar empresas, investidores e projetos em estágio inicial, para transformar propostas em empreendimentos estruturados e aptos a receber financiamento.
Também foi apresentado o projeto Cunhaintá Kirimbawasá, voltado ao fortalecimento da liderança e da participação política de mulheres indígenas na Amazônia. A ação terá duração de 36 meses e deve apoiar 25 organizações de mulheres e jovens indígenas, com alcance estimado sobre 50 povos indígenas.















