Edir Macedo fica de fora de buscas da PF por morar nos EUA
PF pediu bloqueio de R$ 670 milhões de banco ligado ao bispo e a quebra de seu sigilo bancário

Bispo Edir Macedo | Reprodução
O bispo Edir Macedo é apontado pela Polícia Federal como um dos responsáveis por operar um suposto esquema de fraudes bancárias no Banco Digimais, instituição ligada à Igreja Universal do Reino de Deus. A PF pretendia, inclusive, solicitar mandados de busca e apreensão contra ele, mas a ordem não avançou porque o líder religioso atualmente mora nos Estados Unidos
Apesar disso, Macedo teve seu sigilo bancário quebrado a pedido da PF, que realizou uma operação contra dirigentes do Digimais na manhã desta terça-feira (23). As investigações tiveram como base relatórios produzidos pelo Banco Central (Bacen), que identificaram indícios de graves irregularidades na administração da instituição financeira.
Segundo as investigações, o Digimais “adotou práticas financeiras temerárias e estreitamente análogas” às do Banco Master, com a emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) acima do valor operado no mercado e, possivelmente, sem lastro e regularidade documental. A PF aponta que aproximadamente R$ 600 milhões do banco de Macedo estariam expostos a carteiras de crédito da antiga instituição de Daniel Vorcaro.
Por conta dessa estimativa, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 670 milhões em bens ligados à instituição. Procurados, o Digimais e Edir Macedo ainda não se manifestaram. Ao todo, a PF solicitou a quebra de 18 sigilos bancários e fez nove pedidos de busca e apreensão.
De acordo com a PF, a emissão de CDBs pelo Digimais acontecia paralelamente à valorização contínua de ativos que passavam por rodadas de reavaliação. Em um intervalo de cinco meses, a instituição teria transformado uma compra de R$ 71 milhões em um patrimônio de R$ 741 milhões em um fundo de investimento, uma valorização de quase 1.000%.
Em outubro de 2023, essas movimentações foram apontadas como irregulares pelo Banco Central, que determinou a reversão das rendas do Digimais para o seu valor original. A instituição, contudo, solicitou um prazo de cinco anos para obedecer à determinação. Foi nesse período que Macedo teria tentado revender o banco, em um movimento considerado “burla à determinação” do Bacen, o que configuraria crime financeiro.
“A articulação em sucessão de fundos de investimentos para mascarar a aquisição de direitos creditórios por valores em inferioridade aos declarados no passo de avaliação, com a utilização de pareceres com o intuito de inflar o patrimônio da instituição de finanças, configura indícios de crime de gestão fraudulenta, delito previsto no artigo 4º da Lei nº 7.492/1986”, afirma o documento da Polícia Federal ao qual o SBT News teve acesso.
A PF lembra que, em janeiro de 2025, Maurício Quadrado, ex-sócio do Master, tentou adquirir o Digimais por meio da holding Bluebank, mas a operação foi vetada pelo Banco Central. A PF diz que os dois bancos utilizaram a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como uma espécie de "fiador" de suas práticas.















