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China acelera corrida por robôs humanoides

País asiático intensifica investimentos em robôs humanoides enquanto tecnologia chinesa entra na disputa com os EUA

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Julia Delaosa, com informações da Reuters
Pessoas com robô humanóide Unitree em Pequim|  REUTERS/Tingshu Wang

Pessoas com robô humanóide Unitree em Pequim| REUTERS/Tingshu Wang

A China está acelerando os investimentos em robôs humanoides como parte da estratégia para avançar em inteligência artificial, automação e fabricação de alta tecnologia.

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Um dos principais nomes é a Unitree, fabricante chinesa que definiu o preço de seu IPO (Oferta Pública Inicial) em Xangai em 150,8 yuans (cerca de R$ 112) por ação e busca levantar 6,1 bilhões de yuans (US$ 904 milhões, ou R$ 4,62 bilhões). A operação a tornaria a primeira fabricante de robôs humanoides listada na China continental.

Fundada em 2016 pelo engenheiro Wang Xingxing, a Unitree, sediada em Hangzhou, capital da Província de Zhejiang ficou conhecida inicialmente por seus robôs quadrúpedes. Seus humanoides G1, H1 e R1 ganharam atenção global com demonstrações em que aparecem correndo, dançando e praticando artes marciais.

A empresa compete com a Tesla, a Boston Dynamics e startups chinesas que desenvolvem máquinas que possam trabalhar em fábricas e residências. Em 2025, sua receita quadruplicou, chegando a quase 1,7 bilhão de yuans (US$ 252 milhões, ou R$ 1,29 bilhão)

Por que a China aposta nos humanoides?

A Unitree demonstrou que a China consegue fabricar robôs sofisticados a preços muito inferiores aos de muitos concorrentes estrangeiros, aproveitando as extensas cadeias de suprimentos do país para motores, sensores, baterias e outros componentes.

Os humanoides também fazem parte da ambição de Pequim de dominar a chamada inteligência incorporada, campo que combina modelos de inteligência artificial com máquinas capazes de navegar e interagir com o mundo físico.

Apesar dos investimentos, os humanoides ainda enfrentam dificuldades de confiabilidade, destreza e execução de tarefas variadas por longos períodos sem intervenção humana. A demanda atual vem principalmente de universidades e projetos governamentais que utilizam os robôs para educação, pesquisa e demonstrações.

O desenvolvimento de robôs humanoides exige grandes investimentos em engenheiros, dados para treinamento, modelos de inteligência artificial e capacidade de produção, antes de existir uma demanda garantida por fábricas ou residências.

Por isso, as empresas buscam capital no mercado. A Leju Robotics, fabricante do humanoide Kuavo, pediu em maio para listar suas ações no mercado ChiNext, em Shenzhen. A AgiBot, de Xangai, iniciou em julho os preparativos para um IPO em Hong Kong.

China e EUA disputam tecnologia

O avanço dos robôs humanoides também faz parte da disputa tecnológica entre China e Estados Unidos.

O governo Trump anunciou proibições à importação de novos robôs humanoides e quadrúpedes chineses, citando riscos à segurança nacional e à segurança cibernética.

A proibição deverá afetar a Unitree, líder mundial em robôs humanoides com pouco menos de um quinto da participação no mercado global, segundo a Counterpoint Research. A empresa também foi recentemente adicionada à lista do Pentágono de empresas supostamente apoiadas pelos militares chineses.

Ao mesmo tempo, a Unitree firmou uma parceria com a Nvidia. A empresa pretende usar o chip de inteligência artificial Blackwell para alimentar o cérebro de um robô da Unitree. A fabricante chinesa afirmou que os dados dos robôs permanecerão nos Estados Unidos e que seus maiores clientes são instituições acadêmicas e de pesquisa americanas.

Apesar dos investimentos, os robôs humanoides ainda têm uso comercial limitado e enfrentam desafios para executar tarefas variadas por longos períodos sem intervenção humana.

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