País asiático intensifica investimentos em robôs humanoides enquanto tecnologia chinesa entra na disputa com os EUA
J
Julia Delaosa, com informações da Reuters
Pessoas com robô humanóide Unitree em Pequim| REUTERS/Tingshu Wang
A China está acelerando os investimentos em robôs humanoides como parte da estratégia para avançar em inteligência artificial, automação e fabricação de alta tecnologia.
Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.
📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! Clique aqui e siga o canal do SBT News.
Um dos principais nomes é a Unitree, fabricante chinesa que definiu o preço de seu IPO (Oferta Pública Inicial) em Xangai em 150,8 yuans (cerca de R$ 112) por ação e busca levantar 6,1 bilhões de yuans (US$ 904 milhões, ou R$ 4,62 bilhões). A operação a tornaria a primeira fabricante de robôs humanoides listada na China continental.
Fundada em 2016 pelo engenheiro Wang Xingxing, a Unitree, sediada em Hangzhou, capital da Província de Zhejiang ficou conhecida inicialmente por seus robôs quadrúpedes. Seus humanoides G1, H1 e R1 ganharam atenção global com demonstrações em que aparecem correndo, dançando e praticando artes marciais.
A empresa compete com a Tesla, a Boston Dynamics e startups chinesas que desenvolvem máquinas que possam trabalhar em fábricas e residências. Em 2025, sua receita quadruplicou, chegando a quase 1,7 bilhão de yuans (US$ 252 milhões, ou R$ 1,29 bilhão)
Por que a China aposta nos humanoides?
A Unitree demonstrou que a China consegue fabricar robôs sofisticados a preços muito inferiores aos de muitos concorrentes estrangeiros, aproveitando as extensas cadeias de suprimentos do país para motores, sensores, baterias e outros componentes.
Os humanoides também fazem parte da ambição de Pequim de dominar a chamada inteligência incorporada, campo que combina modelos de inteligência artificial com máquinas capazes de navegar e interagir com o mundo físico.
Apesar dos investimentos, os humanoides ainda enfrentam dificuldades de confiabilidade, destreza e execução de tarefas variadas por longos períodos sem intervenção humana. A demanda atual vem principalmente de universidades e projetos governamentais que utilizam os robôs para educação, pesquisa e demonstrações.
O desenvolvimento de robôs humanoides exige grandes investimentos em engenheiros, dados para treinamento, modelos de inteligência artificial e capacidade de produção, antes de existir uma demanda garantida por fábricas ou residências.
Por isso, as empresas buscam capital no mercado. A Leju Robotics, fabricante do humanoide Kuavo, pediu em maio para listar suas ações no mercado ChiNext, em Shenzhen. A AgiBot, de Xangai, iniciou em julho os preparativos para um IPO em Hong Kong.
O avanço dos robôs humanoides também faz parte da disputa tecnológica entre China e Estados Unidos.
O governo Trump anunciou proibições à importação de novos robôs humanoides e quadrúpedes chineses, citando riscos à segurança nacional e à segurança cibernética.
A proibição deverá afetar a Unitree, líder mundial em robôs humanoides com pouco menos de um quinto da participação no mercado global, segundo a Counterpoint Research. A empresa também foi recentemente adicionada à lista do Pentágono de empresas supostamente apoiadas pelos militares chineses.
Ao mesmo tempo, a Unitree firmou uma parceria com a Nvidia. A empresa pretende usar o chip de inteligência artificial Blackwell para alimentar o cérebro de um robô da Unitree. A fabricante chinesa afirmou que os dados dos robôs permanecerão nos Estados Unidos e que seus maiores clientes são instituições acadêmicas e de pesquisa americanas.
Apesar dos investimentos, os robôs humanoides ainda têm uso comercial limitado e enfrentam desafios para executar tarefas variadas por longos períodos sem intervenção humana.
China acelera corrida por robôs humanoidesPaís asiático intensifica investimentos em robôs humanoides enquanto tecnologia chinesa entra na disputa com os EUA
Mundo2026-08-10T22:36:01.447ZA China está acelerando os investimentos em robôs humanoides como parte da estratégia para avançar em inteligência artificial, automação e fabricação de alta tecnologia. 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! e siga o canal do SBT News. Um dos principais nomes é a Unitree, fabricante chinesa que definiu o preço de seu IPO (Oferta Pública Inicial) em Xangai em 150,8 yuans (cerca de R$ 112) por ação e busca levantar 6,1 bilhões de yuans (US$ 904 milhões, ou R$ 4,62 bilhões). A operação a tornaria a primeira fabricante de robôs humanoides listada na China continental. Fundada em 2016 pelo engenheiro Wang Xingxing, a Unitree, sediada em Hangzhou, capital da Província de Zhejiang ficou conhecida inicialmente por seus robôs quadrúpedes. Seus humanoides G1, H1 e R1 ganharam atenção global com demonstrações em que aparecem correndo, dançando e praticando artes marciais. A empresa compete com a Tesla, a Boston Dynamics e startups chinesas que desenvolvem máquinas que possam trabalhar em fábricas e residências. Em 2025, sua receita quadruplicou, chegando a quase 1,7 bilhão de yuans (US$ 252 milhões, ou R$ 1,29 bilhão) Por que a China aposta nos humanoides? A Unitree demonstrou que a China consegue fabricar robôs sofisticados a preços muito inferiores aos de muitos concorrentes estrangeiros, aproveitando as extensas cadeias de suprimentos do país para motores, sensores, baterias e outros componentes. Os humanoides também fazem parte da ambição de Pequim de dominar a chamada inteligência incorporada, campo que combina modelos de inteligência artificial com máquinas capazes de navegar e interagir com o mundo físico. Apesar dos investimentos, os humanoides ainda enfrentam dificuldades de confiabilidade, destreza e execução de tarefas variadas por longos períodos sem intervenção humana. A demanda atual vem principalmente de universidades e projetos governamentais que utilizam os robôs para educação, pesquisa e demonstrações. O desenvolvimento de robôs humanoides exige grandes investimentos em engenheiros, dados para treinamento, modelos de inteligência artificial e capacidade de produção, antes de existir uma demanda garantida por fábricas ou residências. Por isso, as empresas buscam capital no mercado. A Leju Robotics, fabricante do humanoide Kuavo, pediu em maio para listar suas ações no mercado ChiNext, em Shenzhen. A AgiBot, de Xangai, iniciou em julho os preparativos para um IPO em Hong Kong. China e EUA disputam tecnologia O avanço dos robôs humanoides também faz parte da disputa tecnológica entre China e Estados Unidos. O governo Trump anunciou proibições à importação de novos robôs humanoides e quadrúpedes chineses, citando riscos à segurança nacional e à segurança cibernética. A proibição deverá afetar a Unitree, líder mundial em robôs humanoides com pouco menos de um quinto da participação no mercado global, segundo a Counterpoint Research. A empresa também foi recentemente adicionada à lista do Pentágono de empresas supostamente apoiadas pelos militares chineses. Ao mesmo tempo, a Unitree firmou uma parceria com a Nvidia. A empresa pretende usar o chip de inteligência artificial Blackwell para alimentar o cérebro de um robô da Unitree. A fabricante chinesa afirmou que os dados dos robôs permanecerão nos Estados Unidos e que seus maiores clientes são instituições acadêmicas e de pesquisa americanas. Apesar dos investimentos, os robôs humanoides ainda têm uso comercial limitado e enfrentam desafios para executar tarefas variadas por longos períodos sem intervenção humana. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/china-acelera-corrida-por-robos-humanoides