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Irã e Omã chegam a acordo sobre rota no Estreito de Ormuz

Países definiram as coordenadas da rota proposta e finalizam uma declaração conjunta sobre a navegação no Estreito de Ormuz

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Por Julia Delaosa e com informações da Reuters
Pelo Estreito de Ormuz, antes da guerra, passavam cerca de 20% do petróleo consumido no mundo | Divulgação/NASA

Pelo Estreito de Ormuz, antes da guerra, passavam cerca de 20% do petróleo consumido no mundo | Divulgação/NASA

Irã e Omã anunciaram nesta quarta-feira (5) um entendimento sobre as coordenadas geográficas da rota proposta para a navegação pelo Estreito de Ormuz, informou o Ministério das Relações Exteriores iraniano. Segundo Teerã, os dois países também estão na fase final de elaboração de uma declaração conjunta sobre o tema.

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"As coordenadas geográficas da rota proposta pelos dois países já foram definidas. Se não houver interferência de terceiros, a declaração conjunta, que reunirá os principais pontos de consenso e as considerações acordadas, também está em fase final de revisão e redação", afirmou o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baqaei.

Baqaei acrescentou que o entendimento entre Irã e Omã, por si só, não garante a segurança da navegação no Estreito de Ormuz.

Segundo uma fonte iraniana e dois representantes da região ouvidos pela Reuters, o acordo proposto entre Irã e Omã daria a Teerã o controle sobre as embarcações que entram no Golfo pelo Estreito de Ormuz. Os detalhes do entendimento, no entanto, ainda estão sendo discutidos.

O acordo entre Irã e Omã sobre uma nova rota no Estreito de Ormuz ganha relevância devido à importância estratégica da passagem para o comércio global de energia. Segundo dados do governo dos Estados Unidos, cerca de 20% do petróleo e do gás consumidos no mundo passam pelas rotas marítimas da região

Irã quer controlar o tráfego de entrada

Segundo um alto funcionário iraniano, Teerã pretende cobrar entre 5% e 7% do valor das cargas transportadas pelos navios que utilizarem o estreito.

Omã, que fica na margem oposta do corredor marítimo, discute uma taxa menor, de aproximadamente 3%. Washington, por sua vez, não aceita a cobrança de tarifas.

Antes do início da guerra, o Estreito de Ormuz permanecia aberto à navegação internacional, sem cobrança de taxas para a passagem de embarcações.

A possibilidade de permitir tarifas voluntárias é considerada uma alternativa para tentar superar o impasse. Na prática, porém, ameaças de novos ataques iranianos poderiam levar os armadores a pagar pela passagem mesmo que a cobrança não fosse formalmente obrigatória.

Acordo mudaria equilíbrio regional

Um acordo que concedesse ao Irã qualquer grau de controle sobre o acesso ao Estreito de Ormuz representaria uma mudança significativa no equilíbrio de poder do Oriente Médio.

Localizado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, o Estreito de Ormuz possui cerca de 34 quilômetros de largura em seu ponto mais estreito e é uma das principais rotas para o transporte de petróleo e gás. Qualquer alteração nas regras de navegação na região é acompanhada de perto por governos e pelo mercado de energia devido ao potencial impacto sobre o abastecimento e os preços internacionais.

ONU incentiva negociação

Durante uma coletiva de imprensa em Nova York, o porta-voz adjunto da ONU, Farhan Haq, disse que a organização incentiva qualquer iniciativa diplomática capaz de levar a uma solução negociada.

“Certamente encorajamos as partes a prosseguirem com qualquer esforço para encontrar uma solução negociada para a questão”, afirmou.

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