Governo define níveis de prioridade para minerais críticos
Em reunião de novo conselho criado pela gestão Lula foram definidos três categorias de relevância dos materiais para o desenvolvimento nacional

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) | Divulgação/Ricardo Stuckert
O governo federal definiu uma lista de 27 minerais críticos que serão prioritários para o país. Divulgada nesta quinta-feira (5) durante a primeira reunião do Conselho para Industrialização de Minerais Críticos (Cimce), a lista define três níveis de importância dos materiais.
Para catalogar os minérios, foram definidos cinco parâmetros chaves: o risco do comércio desses insumos ser afetado por fatores geopolíticos; um alto grau de concentração geográfica; uma baixa capacidade de substituição; a prioridade por minérios em que o Brasil possui pouco protagonismo; e o grau de dependência externa do país de determinada mercadoria.
Ao todo, nove minerais críticos se enquadram de forma completa nos parâmetros definidos. As terras raras (que englobam 17 elementos químicos metálicos), a grafita, o lítio, o níquel, o cobalto, o cobre, o manganês, o silício e o urânio.
Eles serão priorizados na condução da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, sancionada pelo presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em setembro, que prevê até R$ 7 bilhões em incentivos financeiros e fiscais para mineradoras.
Esses materiais são considerados essenciais para a economia global, já que sustentam a revolução tecnológica, setores industriais pesados, de defesa e a transição energética por meio da fabricação de veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energias renováveis.
Confira abaixo a divisão em três categorias
Classe I - Prioridade Alta
A primeira categoria define os minerais que exigem atenção prioritária do Estado pela alta relevância que têm para os interesses nacionais e oportunidades estratégicas no cenário global. Leia:
- Terras raras
- Grafita
- Lítio
- Níquel
- Cobalto
- Cobre
- Manganês
- Silício
- Urânio
Classe II - Prioridade média
São substâncias cuja relevância justifica medidas de desenvolvimento, redução de vulnerabilidades no abastecimento e fortalecimento de cadeias produtivas. Leia:
- Tungstênio
- Cromo
- Vanádio
- Tântalo
- Titânio
- Fosfato
- Potássio
- Enxofre
Classe III — Prioridade baixa
Reúne materiais cuja relevância justifica acompanhamento e reavaliação periódica pelo governo. Leia:
- Nióbio
- Estanho
- Ferro
- Zinco
- Ouro
- Magnésio
- Molibdênio
- Tório
- Alumínio
- Metais do grupo da platina
Símbolo político
A proteção dos minérios críticos do Brasil, país com a segunda maior reserva do mundo, foi um dos tópicos centrais na campanha para a reeleição do presidente Lula, que defende a exploração interna das reservas a partir do mote da soberania nacional.
O petista abraçou fortemente o discurso de soberania após o anúncio das primeiras tarifas unilaterais do governo Donald Trump contra o Brasil, em abril de 2025, o que fez que a sua aprovação entre os eleitores subisse três pontos, indo de 40% para 43% em julho do ano passado, segundo a Quaest.
O tema foi recuperado na primeira reunião do Cimce pelo presidente, que criticou privatizações anteriores de empresas estatais, como Vale e Eletrobras. Defendeu também a captação de investimentos estrangeiros a partir de uma boa gestão econômica.
“As pessoas vão colocar dinheiro aqui [no Brasil] se eles perceberem que o investimento dele vai gerar retorno financeiro. É por isso que precisamos ter responsabilidade jurídica e fiscal… E para a gente atrair [investimentos] vamos precisar ter uma economia arrumada. Ninguém vai querer fazer investimento em uma economia totalmente desordenada”, disse Lula.
Algumas horas antes da declaração, o presidente estava em reunião com o atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, para acertar a política econômica de seu quarto governo, que tem sido priorizada em razão do atual cenário fiscal desfavorável, de alta taxa de juros e endividamento público.














