Digimais adotou práticas análogas às do Master, diz PF
Banco ligado a Edir Macedo foi alvo de operação policial por suposta fraude em balanços


Banco Digimais | Divulgação/Digimais
A Polícia Federal afirma que o Digimais, alvo de operação nesta terça-feira (23), "adotou práticas financeiras temerárias e estreitamente análogas” às do extinto Banco Master, cujo ex-dono é Daniel Vorcaro. São citadas, pela Polícia Federal, a emissão de CDBs com taxas superiores às praticadas no mercado, como forma de obter liquidez, e também vendas de carteiras de direitos creditórios sem lastro documental.
"O modelo operativo adotado pelo Banco Master funcionou como paradigma para outras instituições financeiras de médio porte que enfrentavam crises de liquidez, consubstanciando o modus operandi atualmente sob investigação no BANCO DIGIMAIS”, diz a representação da PF entregue à Justiça Federal e obtida pelo SBT News.
Controlado pelo bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus, o Digimais é investigado por suposta fraude bancária, com manipulação do balanço financeiro para ocultar a deterioração de sua carteira de crédito dos órgãos reguladores. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 670,3 milhões em bens ligados à instituição. Procurados, Digimais e Edir Macedo não se manifestaram até o momento.
A PF lembra também que, em janeiro de 2025, Maurício Quadrado, ex-sócio do Master, tentou adquirir o Digimais por meio da holding Bluebank, mas a operação foi vetada pelo Banco Central. Em outro paralelo com o Master, liquidado e investigado no Supremo Tribunal Federal (STF), a PF diz que os dois bancos utilizaram a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como uma espécie de fiador de suas práticas.
Ou seja, tanto o Master quanto o Digimais captavam recursos via CDB lembrando que, em caso de quebra, a conta seria paga pelas grandes instituições que financiam o FGC. “A gestão utilizou a garantia coletiva para captar liquidez, ocultar o passivo a descoberto e transferir o risco da operação para o sistema financeiro”, diz a representação policial.















