Economia

Digimais adotou práticas análogas às do Master, diz PF

Banco ligado a Edir Macedo foi alvo de operação policial por suposta fraude em balanços

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Eduardo Gayer, Valentina Moreira
23/06/2026, 16:09 • Atualizado em 23/06/2026, 17:15
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Banco Digimais | Divulgação/Digimais

Banco Digimais | Divulgação/Digimais

A Polícia Federal afirma que o Digimais, alvo de operação nesta terça-feira (23), "adotou práticas financeiras temerárias e estreitamente análogas” às do extinto Banco Master, cujo ex-dono é Daniel Vorcaro. São citadas, pela Polícia Federal, a emissão de CDBs com taxas superiores às praticadas no mercado, como forma de obter liquidez, e também vendas de carteiras de direitos creditórios sem lastro documental.

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"O modelo operativo adotado pelo Banco Master funcionou como paradigma para outras instituições financeiras de médio porte que enfrentavam crises de liquidez, consubstanciando o modus operandi atualmente sob investigação no BANCO DIGIMAIS”, diz a representação da PF entregue à Justiça Federal e obtida pelo SBT News.

Controlado pelo bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus, o Digimais é investigado por suposta fraude bancária, com manipulação do balanço financeiro para ocultar a deterioração de sua carteira de crédito dos órgãos reguladores. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 670,3 milhões em bens ligados à instituição. Procurados, Digimais e Edir Macedo não se manifestaram até o momento.

A PF lembra também que, em janeiro de 2025, Maurício Quadrado, ex-sócio do Master, tentou adquirir o Digimais por meio da holding Bluebank, mas a operação foi vetada pelo Banco Central. Em outro paralelo com o Master, liquidado e investigado no Supremo Tribunal Federal (STF), a PF diz que os dois bancos utilizaram a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como uma espécie de fiador de suas práticas.

Ou seja, tanto o Master quanto o Digimais captavam recursos via CDB lembrando que, em caso de quebra, a conta seria paga pelas grandes instituições que financiam o FGC. “A gestão utilizou a garantia coletiva para captar liquidez, ocultar o passivo a descoberto e transferir o risco da operação para o sistema financeiro”, diz a representação policial.

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