Justiça

STF suspende julgamento sobre royalties do petróleo e retoma análise na quinta (7)

Lei que modifica distribuição dos recursos está suspensa desde 2013; relatora do caso, ministra Cármen Lúcia, será a primeira a votar

Avatar de Jessica Cardoso
Avatar de José Matheus Santos
Jessica Cardoso, José Matheus Santos
06/05/2026, 21:32 • Atualizado em 07/05/2026, 03:16
compartilhar

O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu, nesta quarta-feira (6), o julgamento de cinco ações que questionam a validade da lei 12.734/2012, que altera a forma de distribuição dos royalties do petróleo entre estados e municípios.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

A análise será retomada na quinta-feira (7), com o voto da relatora do caso, ministra Cármen Lúcia. A expectativa é de um julgamento longo, devido à complexidade do tema e ao impacto financeiro envolvido.

A sessão no plenário da Corte foi aberta com a leitura do relatório pela magistrada e seguida pelas manifestações das partes. Apresentaram argumentos representantes dos governos do Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo, além da Advocacia-Geral da União (AGU).

Os procuradores-gerais dos estados contrários à lei afirmaram que a medida reduz receitas de estados produtores, desvirtua o caráter compensatório desses recursos e pode comprometer serviços públicos. Também apontaram violação do pacto federativo e insegurança jurídica ao alterar regras já estabelecidas.

A AGU, representada pela advogada Andrea Dantas, também criticou a lei e afirmou que a mudança desvirtua o caráter compensatório dos royalties previsto na Constituição Federal, ao beneficiar entes não impactados pela exploração, além de gerar insegurança jurídica e riscos fiscais.

Ao longo do dia, o tribunal também ouviu as manifestações dos chamados amicus curiae, expressão em latim que significa “amigos da Corte”. Na prática, são instituições ou entidades convidadas a contribuir com o julgamento, oferecendo informações e pontos de vista técnicos para ajudar na decisão.

Falaram representantes dos estados de Mato Grosso do Sul, Alagoas, Bahia, Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás e Amapá, além de entidades como a Confederação Nacional de Municípios (CNM), a Associação dos Municípios Excluídos do Rol dos Recebedores de Royalties (AMROY) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

As manifestações, em geral, foram favoráveis à norma. Os participantes afirmaram que a redistribuição torna a divisão mais equilibrada entre os entes federativos e ajuda a reduzir desigualdades regionais. Para eles, os recursos do petróleo devem beneficiar todo o país, e não apenas os estados produtores.

Entenda o julgamento

O caso reúne cinco Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) que questionam a lei aprovada pelo Congresso em 2012.

As ações foram apresentadas pelos governadores do Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo, pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e pela Associação Brasileira dos Municípios com Terminais Marítimos, Fluviais e Terrestres de Embarque e Desembarque de Petróleo e Gás Natural (ABRAMT)

A norma mudou as regras de partilha dos recursos obtidos com a exploração de petróleo e gás natural, os chamados royalties e participações especiais.

Os royalties são uma compensação financeira paga pelas empresas que exploram petróleo à União pelo direito de extrair esses recursos. Esses valores depois são distribuídos entre União, estados e municípios. Já as participações especiais são valores adicionais cobrados de campos de petróleo e gás natural com alta produção ou grande lucratividade.

A lei de 2012 buscou tornar a distribuição desses recursos mais equilibrada entre estados produtores e não produtores. Com isso, aumentou a parcela destinada a regiões que não produzem petróleo, reduzindo a fatia dos estados produtores, como Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo, onde se concentra a maior parte da exploração.

Esses estados recorreram ao STF alegando que a mudança causaria perda significativa de receitas, o que poderia comprometer serviços públicos essenciais. O Rio de Janeiro estima perdas de cerca de R$ 23 bilhões por ano. Em São Paulo, o impacto anual é calculado em aproximadamente R$ 2,5 bilhões.

As unidades federativas também argumentam que a nova regra fere o pacto federativo, que organiza a divisão de competências e recursos entre União, estados e municípios.

Desde 2013, a lei está suspensa por decisão liminar da própria ministra Cármen Lúcia, o que manteve as regras antigas em vigor até agora. Atualmente, a União fica com cerca de 30% dos royalties, enquanto estados e municípios produtores recebem a maior parte.

Se a lei for considerada válida, haverá uma mudança significativa na divisão desses recursos. A participação da União cairia para 20%, e a dos estados e municípios produtores seria reduzida de 61% para 26%, após um período de transição. Em contrapartida, a parcela destinada ao fundo que beneficia estados e municípios não produtores subiria de 8,75% para 54%.

As participações especiais também seriam redistribuídas: a União passaria de 50% para 46%, os produtores cairiam de 50% para 24%, e os não produtores, que hoje não recebem esses valores, passariam a ter direito a 30%.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: PIB da Argentina cresce 2,3% e supera previsões do mercado

PIB da Argentina cresce 2,3% e supera previsões do mercado

Imagem da notícia: Oposição aciona TCU contra publicidade do governo Lula

Oposição aciona TCU contra publicidade do governo Lula

Imagem da notícia: Kane perde gol feito e Inglaterra só empata com Gana

Kane perde gol feito e Inglaterra só empata com Gana

Imagem da notícia: Mau tempo atrasa viagem da Seleção para Miami

Mau tempo atrasa viagem da Seleção para Miami

Imagem da notícia: PIB da Argentina cresce 2,3% e supera previsões do mercado

PIB da Argentina cresce 2,3% e supera previsões do mercado

Imagem da notícia: Oposição aciona TCU contra publicidade do governo Lula

Oposição aciona TCU contra publicidade do governo Lula

Imagem da notícia: Kane perde gol feito e Inglaterra só empata com Gana

Kane perde gol feito e Inglaterra só empata com Gana

Imagem da notícia: Mau tempo atrasa viagem da Seleção para Miami

Mau tempo atrasa viagem da Seleção para Miami

Últimas notícias

Panamá x Croácia na Copa do Mundo; siga em tempo real

Partida pode ser decisiva para o Grupo L da Copa do Mundo; acompanhe minuto minuto no SBT Sports

Ibovespa fecha aos 171 mil pontos e dólar sobe a R$ 5,18

Mercado repercutiu a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que trouxe um tom cauteloso sobre os próximos passos da política monetária

Nego Di é condenado a 14 anos por estelionato e lavagem

Justiça do Rio Grande do Sul condena influenciador por rifas ilegais, estelionato, lavagem de dinheiro e uso de documento falso

Instagram e WhatsApp têm instabilidade nesta terça (23)

Usuários relatam falhas em plataformas da Meta; site Downdetector registra pico de reclamações desde as 18h

Alibaba processa EUA após ser relacionada a exército chinês

Gigante de tecnologia foi incluída em uma lista de empresas chinesas que o Departamento de Defesa norte-americano vinculou às forças armadas da China

Senado dos EUA aprova limitar ação de Donald Trump no Irã

Resolução aprovada pela casa legislativa determina que Trump obtenha autorização para manter operações militares no país persa