Hantavírus: OMS confirma novo caso entre passageiros de cruzeiro
Passageiro suíço testou positivo para a cepa andina do hantavírus; surto em navio já soma quatro infectados e três mortes

SBT Brasil
A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou nesta quarta-feira (6) mais um caso de infecção por hantavírus entre passageiros do cruzeiro MV Hondius, que partiu da Argentina no dia 1º de abril.
O novo paciente é um cidadão suíço, que desembarcou da embarcação ainda em abril e está em tratamento em Zurique. Ao todo, o cruzeiro já registra oito pessoas com sintomas e quatro casos confirmados, incluindo uma das três mortes registradas.
O navio, operado por uma empresa holandesa, partiu do extremo sul da Argentina com destino a Cabo Verde. A embarcação ficou retida no país africano após o surto do vírus.
Casos suspeitos
Também nesta quarta, a África do Sul informou que a cepa “andina” do hantavírus foi detectada em duas pessoas que estavam no navio, porém a OMS ainda não classificou oficialmente como “caso confirmado”.
Nesta terça-feira (5), três pessoas com suspeita de infecção foram retiradas do navio. Elas foram levadas de avião para a Holanda, onde receberão tratamento médico.
Esse tipo da doença é considerado raro e chama atenção por ser o único hantavírus com possibilidade de transmissão entre humanos. Na forma mais comum, a infecção ocorre após contato com urina, fezes ou saliva de ratos contaminados.
O navio segue viagem em direção às Ilhas Canárias, pertencentes à Espanha. O governo espanhol informou que 14 cidadãos deverão cumprir quarentena em um hospital de Madri. Os demais passageiros serão repatriados por operações organizadas pelos próprios países de origem.
OMS diz que risco de pandemia é baixo
O caso gerou críticas de autoridades das Ilhas Canárias, que demonstraram preocupação com possíveis infecções locais e compararam a situação ao início da pandemia de COVID-19.
A Organização Mundial da Saúde informou que faz o rastreamento dos contatos das pessoas infectadas, mas afirmou que o risco de transmissão em larga escala é considerado muito baixo.
O que é o hantavírus
O hantavírus é um vírus transmitido principalmente por roedores silvestres que pode causar uma doença chamada hantavirose. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, a forma mais comum é a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), que pode afetar pulmões e coração.
A infecção pode variar de quadros leves, semelhantes a uma gripe, até formas graves com comprometimento respiratório.
Como ocorre a transmissão
A principal forma de contágio acontece pela inalação de partículas contaminadas com urina, fezes ou saliva de roedores infectados.
Outras formas menos comuns incluem:
- Contato com mucosas (olhos, boca ou nariz) após tocar superfícies contaminadas;
- Mordidas de roedores;
- Transmissão entre pessoas, que é rara e registrada em casos específicos na América do Sul.
Segundo a OMS, infecções por hantavírus são incomuns e não se espalham facilmente entre humanos.
Quais são os sintomas
Os sintomas iniciais costumam ser parecidos com os de uma gripe:
- Febre;
- Dor de cabeça;
- Dores musculares e nas articulações;
- Náuseas e desconforto abdominal.
Em casos mais graves, podem evoluir para:
- Falta de ar;
- Respiração acelerada;
- Tosse seca;
- Queda de pressão.
O período de incubação varia de uma a cinco semanas após a exposição ao vírus.
Há tratamento?
Não existe um tratamento específico para o hantavírus. O atendimento é feito com medidas de suporte, principalmente em ambiente hospitalar, dependendo da gravidade do caso.
Por isso, o diagnóstico precoce é essencial para aumentar as chances de recuperação.
Como se prevenir
A prevenção está diretamente ligada a evitar o contato com roedores e seus resíduos. Entre as principais recomendações estão:
- Manter alimentos bem armazenados e protegidos;
- Evitar acúmulo de lixo e entulho;
- Limpar ambientes com proteção adequada, evitando varrer ou levantar poeira contaminada;
- Usar equipamentos de proteção em áreas de risco, como zonas rurais.









