Contrabando de agrotóxicos dispara em 2026 e ultrapassa 42 mil toneladas
Segundo a Receita Federal, número representa mais da metade de todo o volume apreendido em 2025; especialistas alertam para riscos à saúde
Simone Queiroz
Leonardo Ferreira
do SBT Brasil
As apreensões de defensivos agrícolas ilegais feitas pela Receita Federal já ultrapassaram 42 mil toneladas nos quatro primeiros meses de 2026. O número representa mais da metade de todo o volume apreendido em 2025, quando foram confiscadas 78.186 toneladas.
Segundo a Receita Federal, os produtos entram no Brasil principalmente pela região da Tríplice Fronteira, entre Brasil, Paraguai e Argentina. Parte dos defensivos também tem origem na China e no Uruguai.
De acordo com investigadores da alfândega de Foz do Iguaçu, os criminosos usam barcos e estruturas logísticas para atravessar mercadorias pelo lago de Itaipu e outras regiões da fronteira.
Após entrar no país, os produtos seguem principalmente para estados com forte produção agrícola, como Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Muitas das substâncias apreendidas são proibidas no Brasil, mas ainda permitidas em países vizinhos, onde são vendidas com preços menores.
Crime organizado lucra com mercado ilegal
As investigações apontam que o contrabando de defensivos agrícolas se tornou uma das atividades exploradas pelo crime organizado.
Segundo o promotor Adriano Mallega, integrante do GAECO, cerca de 25% do mercado de agrotóxicos no Brasil pode ser composto por produtos ilícitos.
O Ministério Público também identificou laboratórios clandestinos em cidades do interior de São Paulo, principalmente nas regiões de Franca, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto.
Nesses locais, os criminosos adulteram produtos e utilizam princípios ativos obtidos por contrabando, roubo e furto.
Riscos para a saúde
Pesquisadores do Instituto de Química da Unicamp encontraram rastros de agrotóxicos proibidos em rios, água subterrânea, chuva e até na água tratada usada no abastecimento público.
Segundo a professora Cassiana Montagner, do Laboratório de Química Ambiental da universidade, a contaminação pode provocar efeitos a longo prazo em animais e humanos.
Entre os impactos apontados estão problemas hormonais, reprodutivos e neurológicos. Trabalhadores que lidam diretamente com os defensivos agrícolas estão entre os grupos mais vulneráveis à exposição.
A pesquisadora também alerta para o risco do consumo contínuo de água e alimentos contaminados ao longo dos anos.









