Economia

Gasolina, diesel e alimentos: por que a inflação ficou acima das expectativas

Alta de combustíveis e alimentos respondeu por 76% do IPCA e reflete efeitos do cenário externo

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Exame.com
10/04/2026, 13:05 • Atualizado em 10/04/2026, 13:07
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Supermercado | Divulgação/Valter Campanato/Agência Brasil

Supermercado | Divulgação/Valter Campanato/Agência Brasil

A alta dos combustíveis e dos alimentos resultaram em uma inflação de março de 0,88%, acima das expectativas do mercado, que esperava um resultado de 0,70%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e economistas.

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Os grupos de Transportes e Alimentos e bebidas juntos corresponderam a 76% da inflação de março.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o grupo Transportes teve alta de 1,64%, com destaque para a gasolina (4,59%), responsável sozinha por 0,23 ponto percentual da inflação. O diesel subiu ainda mais, 13,90%, embora com menor impacto direto no índice.

Segundo o gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, "em alguns subitens, especialmente nos combustíveis, já se sente o efeito das incertezas no cenário internacional".

A alta dos combustíveis ocorre em um contexto de maior volatilidade no mercado internacional de petróleo, com o fechamento do Estreito de Ormuz, ocasionado pela guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel.

O ataque a instalações energéticas na Arábia Saudita reduziu a oferta global da commodity nesta sexta-feira (10), e elevou os riscos de interrupção no fornecimento, pressionando preços.

O encarecimento do diesel tem efeito disseminado sobre a economia brasileira, ao elevar o custo do frete.

No início de abril, o governo anunciou um pacote de medidas para tentar conter uma alta ainda maior.

O conjunto inclui subsídios diretos ao diesel, apoio ao gás de cozinha e crédito bilionário para companhias aéreas.

As ações foram formalizadas por meio de uma medida provisória (MP), decretos e envio de projeto de lei ao Congresso. O impacto fiscal soma bilhões de reais em curto prazo, com foco na redução imediata de preços ao consumidor.

Isso impacta diretamente cadeias de distribuição, especialmente de alimentos, ampliando a pressão inflacionária de forma indireta.

Alimentos aceleram com choque de oferta e frete mais caro

O grupo Alimentação e bebidas subiu 1,56% em março, com impacto de 0,33 ponto percentual no índice. Dentro dele, a alimentação no domicílio avançou 1,94%, a maior alta desde abril de 2022.

Itens básicos registraram aumentos expressivos, como leite longa vida (11,74%) e tomate (20,31%), refletindo redução de oferta e sazonalidade.

Segundo o IBGE, a alta dos alimentos combina dois fatores principais:

  • Menor disponibilidade de alguns produtos;
  • Aumento dos custos logísticos, impulsionados pelos aumento dos combustíveis.

Para André Valério, economista sênior do Inter, o qualitativo do índice melhorou em todas as medidas, apesar da alta acima do que o mercado esperava.

"A média dos núcleos desacelerou de 0,62% em fevereiro para 0,44% em março, mantendo a tendência de desaceleração no acumulado em 12 meses, que recuou para 4,39%, menor valor desde dezembro de 2024", afirma Valério. "No aspecto qualitativo, a única piora foi no índice de difusão, que mede o tamanho do processo inflacionário, avançando de 61% em fevereiro para 67% em março, maior valor desde dezembro de 2024".

Qual foi o resultado do IPCA de março de 2026?

  • IPCA de março: 0,88%
  • IPCA no ano: 1,92%
  • IPCA nos 12 meses: 4,14%

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