Ibovespa fecha nos 195 mil pontos pela primeira vez na história
Bolsa brasileira acumula alta nominal de 21% no ano e se aproxima do recorde de pontuação em termos reais, considerando efeitos da inflação


Exame.com
O Ibovespa renovou recorde de fechamento nos negócios desta quinta-feira (9), mesmo com o cessar-fogo na guerra no Irã apresentando fragilidades.
A desaceleração do preço do barril do petróleo no exterior também freou a alta das ações da Petrobras, mas abriu espaço para que outros papéis da peso da carteira subissem, garantindo mais uma alta relevante para o índice. O avanço da bolsa brasileira superou o dos índices em Nova York, que deram sequência aos ganhos da véspera, invertendo a baixa registrada na abertura dos negócios.
Com alta de 1,52%, o Ibovespa terminou o dia em 195.129 pontos, bem próximo da máxima alcançada no pregão. O índice retoma o rali iniciado nos primeiros dois meses de 2026 e interrompido em março, com os conflitos no Oriente Médio.
O índice, que acumula alta nominal de 21% no ano, também se aproxima do recorde de pontuação em termos reais, considerando efeitos da inflação. Para tanto, o Ibovespa precisa chegar aos 195.844 pontos, como mostra estudo feito pela consultoria Elos Ayta.
"É uma alta condicionada a um fluxo estrangeiro mas não concentrada em ações específicos, de maior peso do índice", nota Pedro Moreira, sócio da One Investimentos, que aposta em continuidade desse fluxo para a bolsa no curto prazo.
"O carry trade continua beneficiando o fluxo com país. O dólar está flertando com mínimas, ao mesmo tempo em que o Ibovespa flerta com os 200 mil pontos, mesmo com a temporada de balanços das empresas não tendo sido tão boa", diz Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos.
O barril do Brent, que chegou muito perto dos US$ 100, fechou a sessão regular em US$ 95,92. No after market, subia mais um pouco, sendo negociado na casa dos US$ 97.
Com o arrefecimento do petróleo, as bolsas americanas viraram para o terreno positivo no início da tarde. O S&P 500 fechou em alta de 0,62% e o Nasdaq Composite avançou 0,83%. O Dow Jones subiu 0,58%. Os investidores continuam acompanhando informações sobre o fluxo de embarcações no Estreito de Ormuz, com o Irã condicionado a passagem de navios a um cessar-fogo entre Líbano e Israel.
O dólar voltou a perder força e, aqui no Brasil, fechou em R$ 5,06, menor cotação em dois anos.
Europa não acompanhou virada
As bolsas europeias não chegaram a acompanhar a virada dos mercados e encerraram o pregão de quinta-feira no vermelho, revertendo parte dos ganhos da sessão anterior, quando o Stoxx 600 havia avançado 3,7% na euforia com o anúncio do cessar-fogo entre EUA e Irã. No fechamento, o índice pan-europeu recuou 0,4%, com a maioria das praças regionais terminando no negativo.
O DAX alemão foi o que mais sofreu, cedendo 1,14%, seguido pelo CAC 40 francês, que caiu 0,22%. O FTSE 100 londrino e o IBEX 35 espanhol tiveram perdas mais modestas, de 0,05% e 0,15%, respectivamente. Na contramão, o FTSE MIB italiano fechou em alta de 0,50%.
O setor de viagens e lazer seguiu como um dos mais penalizados: a Lufthansa encerrou o dia com queda de 3,2% e a Tui recuou 1,5%, devolvendo ganhos acumulados na véspera. O humor negativo refletiu as crescentes dúvidas sobre a durabilidade da trégua no Oriente Médio.








