Voepass: laudo da PF mostra que tripulação sabia de falha
Documento detalha os últimos minutos do voo da Voepass, que caiu no interior de São Paulo e matou os 62 ocupantes
Caroline Vale, Robinson Cerantula
Avião da Voepass caiu em Vinhedo, São Paulo, em 9 de agosto | Divulgação/Secretaria de Segurança de SP
O laudo da Polícia Federal (PF) sobre o acidente com o voo da Voepass, que matou 62 pessoas, detalha os últimos minutos da aeronave e traz os diálogos registrados na cabine enquanto os pilotos tentavam lidar com uma falha no sistema de degelo. O documento será apresentado nesta quinta-feira (6).
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Em 9 de agosto de 2024, o voo PTB-2283 decolou do Aeroporto Regional do Oeste, localizado no Paraná, com destino ao Aeroporto Internacional de São Paulo-Guarulhos. Por volta das 13h22, o avião caiu sobre uma casa em Vinhedo, no interior de São Paulo, resultando na morte de todos a bordo.
Dois anos depois, na conclusão do laudo ao qual o SBT News teve acesso, a PF afirma que a aeronave entrou em uma área de formação intensa de gelo, enquanto o sistema de degelo da estrutura apresentava falha. O acúmulo de gelo reduziu o desempenho do avião, provocando perda gradual de velocidade. A partir desse momento, o avião perdeu o controle, entrou em um movimento de rotação e não conseguiu recuperar o voo antes de atingir o solo.
A análise também aponta que os procedimentos previstos nos manuais para aquela situação não foram executados integralmente antes da perda de controle da aeronave. O piloto Danilo Romano e o copiloto Humberto de Campos morreram na tragédia.
O laudo mostra que a falha no sistema de degelo da asa direita não começou no dia da tragédia. Segundo os investigadores, o mesmo problema havia sido registrado em voos anteriores, mas não foi anotado no diário de bordo pelas tripulações, o que impediu que a aeronave fosse retirada de operação para manutenção.
A PF afirma que isso representou "uma quebra direta das responsabilidades atribuídas às tripulações".
O documento mostra que, apenas no voo imediatamente anterior ao acidente, realizado pela mesma tripulação, o alerta de falha no sistema de degelo da asa direita foi acionado oito vezes.
Ao final desse voo as 11h21, já em solo, o comandante comentou com o copiloto sobre o gelo acumulado na aeronave: "Ó lá o gelo, o gelo foi embora agora, finalmente, escutei um barulho aqui. Foi o gelo que voou. (...) Chegamos vivos. (...) Ufa, chegamos vivos". Mesmo assim, o avião voltou a decolar de Cascavel com destino a Guarulhos.
No ar a caminho do Aeroporto de Guarulhos, segundo a perícia, o primeiro alerta de formação de gelo foi emitido às 12h14. Menos de um minuto depois, o sistema avisou sobre uma falha no equipamento responsável por proteger a aeronave contra o gelo. Ao perceber o problema, o comandante comentou: "É o Airframe que deu fault..." O "airframe" se refere ao sistema de proteção da estrutura da aeronave contra formação de gelo e "fault" é falha.
Na sequência, o copiloto sugeriu mudar a altitude para tentar escapar das condições de formação de gelo. O copiloto fala: "Olha a situação, se bem que não tá reportado isso aí, mas pra gente não pegar gelo teria que ir no 110, né?" (110 é referência ao nível de voo). O piloto, então, responde: "Foi só eu falar. O avião escutou. Esse avião parece aquele Fusquinha, Herbie lá, Herbie, filme bem antigo."
Cerca de uma hora depois, a situação piorou. O avião voltou a registrar alertas de gelo, perda de desempenho e redução de velocidade.
O copiloto observou o acúmulo de gelo na aeronave e disse: "Bastante gelo [ali]". Em seguida, orientou: "Ligar o airframe". O comandante respondeu demonstrando que o sistema não estava funcionando: "Essa bosta não tá funcionando, né?" O copiloto apenas confirmou: "É."
Pouco depois, o sistema emitiu um alerta para aumentar a velocidade. Em seguida vieram os avisos de estol (quando a aeronave perde sustentação) e o piloto automático foi desligado. Mesmo durante a emergência, o copiloto voltou a alertar: "Gelo."
A autorização para iniciar a descida foi concedida às 13h21. Segundos depois, foram registrados um novo alarme de estol e o aviso de proximidade com o solo, que repetia: "Pull-up... Pull-up."
Segundo a perícia, a tripulação teve apenas alguns segundos para tentar recuperar o controle da aeronave, mas as ações previstas para aquela situação não foram realizadas a tempo. O avião entrou em posição parafuso, realizando cinco giros em torno do próprio eixo antes da queda.
Voepass: laudo da PF mostra que tripulação sabia de falhaDocumento detalha os últimos minutos do voo da Voepass, que caiu no interior de São Paulo e matou os 62 ocupantesBrasil2026-08-06T14:27:29.673ZO laudo da Polícia Federal (PF) sobre o acidente com o voo da Voepass, que matou 62 pessoas, detalha os últimos minutos da aeronave e traz os diálogos registrados na cabine enquanto os pilotos tentavam lidar com uma falha no sistema de degelo. O . Em 9 de agosto de 2024, o voo PTB-2283 decolou do Aeroporto Regional do Oeste, localizado no Paraná, com destino ao Aeroporto Internacional de São Paulo-Guarulhos. Por volta das 13h22, o avião caiu sobre uma casa em Vinhedo, no interior de São Paulo, resultando na . Dois anos depois, na conclusão do laudo ao qual o SBT News teve acesso, a PF afirma que a aeronave entrou em uma área de formação intensa de gelo, enquanto o sistema de degelo da estrutura apresentava falha. O acúmulo de gelo reduziu o desempenho do avião, provocando perda gradual de velocidade. A partir desse momento, o avião perdeu o controle, e não conseguiu recuperar o voo antes de atingir o solo. A análise também aponta que os procedimentos previstos nos manuais para aquela situação não foram executados integralmente antes da perda de controle da aeronave. O piloto Danilo Romano e o copiloto Humberto de Campos morreram na tragédia. Tripulação sabia das falhas, conclui PF O laudo mostra que a falha no sistema de degelo da asa direita não começou no dia da tragédia. Segundo os investigadores, o mesmo problema havia sido registrado em voos anteriores, mas não foi anotado no diário de bordo pelas tripulações, o que impediu que a aeronave fosse retirada de operação para manutenção. A PF afirma que isso representou "uma quebra direta das responsabilidades atribuídas às tripulações". O documento mostra que, apenas no voo imediatamente anterior ao acidente, realizado pela mesma tripulação, o alerta de falha no sistema de degelo da asa direita foi acionado oito vezes. Ao final desse voo as 11h21, já em solo, o comandante comentou com o copiloto sobre o gelo acumulado na aeronave: "Ó lá o gelo, o gelo foi embora agora, finalmente, escutei um barulho aqui. Foi o gelo que voou. (...) Chegamos vivos. (...) Ufa, chegamos vivos". Mesmo assim, o avião voltou a decolar de Cascavel com destino a Guarulhos. Momento do acidente fatal No ar a caminho do Aeroporto de Guarulhos, segundo a perícia, o primeiro alerta de formação de gelo foi emitido às 12h14. Menos de um minuto depois, o sistema avisou sobre uma falha no equipamento responsável por proteger a aeronave contra o gelo. Ao perceber o problema, o comandante comentou: "É o Airframe que deu fault..." O "airframe" se refere ao sistema de proteção da estrutura da aeronave contra formação de gelo e "fault" é falha. Na sequência, o copiloto sugeriu mudar a altitude para tentar escapar das condições de formação de gelo. O copiloto fala: "Olha a situação, se bem que não tá reportado isso aí, mas pra gente não pegar gelo teria que ir no 110, né?" (110 é referência ao nível de voo). O piloto, então, responde: "Foi só eu falar. O avião escutou. Esse avião parece aquele Fusquinha, Herbie lá, Herbie, filme bem antigo." Cerca de uma hora depois, a situação piorou. O avião voltou a registrar alertas de gelo, perda de desempenho e redução de velocidade. O copiloto observou o acúmulo de gelo na aeronave e disse: "Bastante gelo [ali]". Em seguida, orientou: "Ligar o airframe". O comandante respondeu demonstrando que o sistema não estava funcionando: "Essa bosta não tá funcionando, né?" O copiloto apenas confirmou: "É." Pouco depois, o sistema emitiu um alerta para aumentar a velocidade. Em seguida vieram os avisos de estol (quando a aeronave perde sustentação) e o piloto automático foi desligado. Mesmo durante a emergência, o copiloto voltou a alertar: "Gelo." A autorização para iniciar a descida foi concedida às 13h21. Segundos depois, foram registrados um novo alarme de estol e o aviso de proximidade com o solo, que repetia: "Pull-up... Pull-up." Segundo a perícia, a tripulação teve apenas alguns segundos para tentar recuperar o controle da aeronave, mas as ações previstas para aquela situação não foram realizadas a tempo. O avião entrou em posição parafuso, realizando cinco giros em torno do próprio eixo antes da queda. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/voepass-laudo-da-pf-mostra-que-tripulacao-sabia-de-falha
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