Falhas e informalidades da Voepass contribuíram para a queda
Quase dois anos após a fatalidade, Cenipa divulga relatório final e aponta falha no sistema antigelo e nas ações da companhia entre os fatores contribuintes
I
Caio Barcellos, Ighor Nóbrega
Voepass: acidente ocorreu no dia 9 de agosto de 2024 vitimando 62 pessoas | Reprodução
O relatório final sobre a queda do avião da Voepass apontou as falhas recorrentes no sistema responsável por retirar o gelo das asas e erros recorrentes da companhia aérea como os principais fatores contribuintes que levaram ao acidente que matou 62 pessoas em Vinhedo, no interior de São Paulo, em 9 de agosto de 2024.
Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.
O documento, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), mostrou que as falhas no sistema foram identificadas nos três voos realizados antes do acidente.
Segundo a apresentação, no primeiro desses voos houve falhas nos dispositivos de degelo das asas direita e esquerda. Nos dois voos seguintes -inclusive na noite anterior- e no voo 2283, a pane ficou concentrada no dispositivo externo da asa direita. Em um dos casos, a tripulação reiniciou o sistema três vezes, embora o procedimento previsse apenas uma tentativa.
As panes verificadas nos voos anteriores não foram registradas nos diários de bordo, o que impediu que fossem formalmente encaminhadas para análise da manutenção. Em uma das etapas, a tripulação comunicou verbalmente o problema a um mecânico, mas a inspeção feita depois do pouso previa apenas uma verificação visual e não permitia testar o funcionamento do sistema.
O Cenipa também identificou falhas no cumprimento de procedimentos por três tripulações diferentes. Houve demora no acionamento do sistema de degelo, reinicializações acima do permitido e manutenção do voo em condições propícias à formação de gelo depois de novas panes.
“Nós concluímos que houve uma forte cultura organizacional nesse ponto, com normalização de desvios”, afirmou o tenente-coronel aviador Paulo Mendes Fróes, investigador encarregado do acidente.
Na sequência, Fróes afirmou que a investigação identificou trocas de componentes por peças que “sabidamente” apresentavam falhas, além de uma cultura de informalidade e da execução de serviços por auxiliares de mecânicos sem supervisão.
“A cultura [organizacional] era não reportar as panes para que as aeronaves pudessem voar”, afirmou o tenente-coronel Fróes.
O acidente ocorreu em 9 de agosto de 2024. O ATR 72-500, de matrícula PS-VPB, fazia o voo 2283 entre Cascavel, no oeste do Paraná, e o Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, quando perdeu o controle e caiu no quintal de uma casa em um condomínio residencial de Vinhedo, a menos de 70 km do destino.
As 62 pessoas a bordo (58 passageiros e quatro tripulantes) morreram. Não houve vítimas em solo. Foi o acidente mais grave da aviação comercial brasileira desde a queda do voo TAM 3054, em 2007, que deixou 199 mortos.
Em atualização
Falhas e informalidades da Voepass contribuíram para a quedaQuase dois anos após a fatalidade, Cenipa divulga relatório final e aponta falha no sistema antigelo e nas ações da companhia entre os fatores contribuintesPolítica2026-07-23T21:27:09.783ZO relatório final sobre a queda do avião da Voepass apontou as falhas recorrentes no sistema responsável por retirar o gelo das asas e erros recorrentes da companhia aérea como os principais fatores contribuintes que levaram ao acidente que matou 62 pessoas em Vinhedo, no interior de São Paulo, em 9 de agosto de 2024. O documento, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), mostrou que as falhas no sistema foram identificadas nos três voos realizados antes do acidente. Segundo a apresentação, no primeiro desses voos houve falhas nos dispositivos de degelo das asas direita e esquerda. Nos dois voos seguintes -inclusive na noite anterior- e no voo 2283, a pane ficou concentrada no dispositivo externo da asa direita. Em um dos casos, a tripulação reiniciou o sistema três vezes, embora o procedimento previsse apenas uma tentativa. As panes verificadas nos voos anteriores não foram registradas nos diários de bordo, o que impediu que fossem formalmente encaminhadas para análise da manutenção. Em uma das etapas, a tripulação comunicou verbalmente o problema a um mecânico, mas a inspeção feita depois do pouso previa apenas uma verificação visual e não permitia testar o funcionamento do sistema. O Cenipa também identificou falhas no cumprimento de procedimentos por três tripulações diferentes. Houve demora no acionamento do sistema de degelo, reinicializações acima do permitido e manutenção do voo em condições propícias à formação de gelo depois de novas panes. “Nós concluímos que houve uma forte cultura organizacional nesse ponto, com normalização de desvios”, afirmou o tenente-coronel aviador Paulo Mendes Fróes, investigador encarregado do acidente. Na sequência, Fróes afirmou que a investigação identificou trocas de componentes por peças que “sabidamente” apresentavam falhas, além de uma cultura de informalidade e da execução de serviços por auxiliares de mecânicos sem supervisão. “A cultura [organizacional] era não reportar as panes para que as aeronaves pudessem voar”, afirmou o tenente-coronel Fróes. O acidente ocorreu em 9 de agosto de 2024. O ATR 72-500, de matrícula PS-VPB, fazia o voo 2283 entre Cascavel, no oeste do Paraná, e o Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, quando perdeu o controle e caiu no quintal de uma casa em um condomínio residencial de Vinhedo, a menos de 70 km do destino. As 62 pessoas a bordo (58 passageiros e quatro tripulantes) morreram. Não houve vítimas em solo. Foi o acidente mais grave da aviação comercial brasileira desde a queda do voo TAM 3054, em 2007, que deixou 199 mortos. Em atualizaçãoSão PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/relatorio-final-explica-queda-de-aviao-da-voepass-em-vinhedo
Brasil nega ter pedido exceção à UE para exportar carnes
Nota do Ministério da Agricultura diz que país já apresentou documentação técnica para evitar veto a produtos animais e que aguarda resposta dos europeus
Corte da Itália diz que Zambelli não é perseguida política
Sentença da decisão tomada em 1º de julho mostra que principal argumento para anular extradição e refazer julgamento foram condições de presídio no Brasil