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PF reúne famílias de vítimas do voo da Voepass

Encontro tratou da preparação para a entrega do relatório final do inquérito sobre o acidente aéreo que deixou 62 mortos

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SBT News, Antonio Souza
30/06/2026, 22:37 • Atualizado em 30/06/2026, 22:41
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Voepass: acidente ocorreu no dia 9 de agosto de 2024 vitimando 62 pessoas | Reprodução

Voepass: acidente ocorreu no dia 9 de agosto de 2024 vitimando 62 pessoas | Reprodução

A Polícia Federal (PF) se reuniu, na tarde desta terça-feira (30), com familiares das vítimas do voo 2283 da Voepass, que caiu em 9 de agosto de 2024, em Vinhedo, no interior de São Paulo, provocando a morte de 62 pessoas.

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O encontro teve como principal objetivo preparar os familiares para a apresentação do relatório final do inquérito policial, considerado uma etapa decisiva para o avanço das investigações sobre a tragédia.

Participaram da reunião representantes da Associação dos Familiares das Vítimas do Voo 2283, entre eles a presidente Fátima Albuquerque e a vice-presidente Adriana Ibba, além dos advogados Leonardo Amarante e Luciano Katarinhuk, que representam familiares das vítimas.

O documento elaborado pela Polícia Federal é aguardado com expectativa por reunir as conclusões da investigação criminal e indicar os próximos desdobramentos do caso.

Investigação após sanções contra a Voepass

A conclusão do inquérito ocorre em meio às discussões sobre possíveis falhas operacionais, de manutenção e de segurança de voo envolvendo a companhia aérea.

O caso ganhou novos desdobramentos após a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) cassar o Certificado de Operador Aéreo (COA) da Voepass, em junho de 2025.

A expectativa é que o relatório também contribua para a análise de eventuais responsabilidades criminais, administrativas e civis relacionadas ao acidente.

Desde a queda da aeronave, familiares das 62 vítimas cobram respostas sobre as causas do acidente e a responsabilização dos envolvidos, caso sejam confirmadas irregularidades.

A entrega do relatório da Polícia Federal é considerada um dos principais marcos da investigação e poderá subsidiar futuras decisões do Ministério Público e da Justiça.

Acidente da Voepass

O avião decolou pouco antes das 12h de 9 de agosto de 2024, de Cascavel (PR) com destino a São Paulo. A bordo, 58 passageiros e 4 tripulantes.

Segundo o relatório preliminar do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) durante o voo, a aeronave atravessou áreas de instabilidade com formação de gelo.

Ao longo de todo o percurso houve vários alertas e o sistema de degelo foi ligado várias vezes — o documento do Cenipa não especifica se por decisão humana ou falha mecânica.

Por volta de 13h20 o avião fez uma curva para iniciar a descida. Neste momento, perdeu a sustentação e despencou do céu, como mostram as imagens que rodaram o mundo. A queda aconteceu em um condomínio de casas de Vinhedo, no interior paulista. Ninguém foi atingido em solo, mas, dentro do avião, nenhum sobrevivente.

O piloto Luiz Almeida conta que voou muito tempo com a comissária Débora Soper e com o copiloto Humberto de Campos Alencar e Silva, que estava na aeronave. Ele lembra que deveria estar no avião naquele dia e foi retirado da escala depois de fazer mais de 40 reclamações sem resposta.

"As portas traseiras não abriam e não fechavam direito. [...] E temos também problemas de abastecimento desse avião que o sistema automático estava com problema. Temos também o problema de D-Ice, o anti-Ice, que estava praticamente crítico neste setor", explica o piloto.

Denúncias semelhantes foram feitas por outro piloto, que trabalhou na Voepass até 2023, e prefere não se identificar:

"A empresa sempre teve essa cultura, essa filosofia de, a gente usa na nossa linguagem da aviação de 'empurrar com a barriga', de tirar a pane do papel, na caneta. Você podia reportar, no dia seguinte, o avião com a mesma pane estava liberado pro voo".

Após o acidente, a Anac iniciou a chamada operação assistida na Voepass e constatou uma série de falhas. Contudo, somente em março de 2025, sete meses após a queda, as operações da empresa aérea foram suspensas.

Em junho de 2025, quase um ano depois da tragédia, a Anac cassou o certificado alegando falta de segurança e a companhia foi proibida de voar. Sete aeronaves da empresa estão paradas, sob vigilância, no Aeroporto de Ribeirão Preto à espera de um destino.

Um ano após a tragédia, o relatório final do Cenipa ainda não tem data para a conclusão. Enquanto isso, familiares ainda aguardam respostas.

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