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NR-1: empresas ainda precisam se preparar, diz especialista

Nova norma trabalhista passa a exigir que empresas incluam a saúde mental nas estratégias de gestão e prevenção no ambiente de trabalho

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SBT News
26/05/2026, 10:15 • Atualizado em 26/05/2026, 10:15
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Número de casos de burnout crescem e exigem atenção aos sinais no trabalho | Reprodução/Freepik

Número de casos de burnout crescem e exigem atenção aos sinais no trabalho | Reprodução/Freepik

No dia em que entra em vigor da nova Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), nesta terça-feira (26), muitas empresas brasileiras ainda não estão preparadas para cumprir as exigências relacionadas à saúde mental no ambiente de trabalho. A avaliação é da estrategista de negócios e especialista em Marketing de Comunidades Natália Lazarini, fundadora da Philos Community.

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A atualização da NR-1 determina que fatores como assédio moral, sobrecarga de trabalho, conflitos recorrentes, isolamento social e ambientes tóxicos passem a receber o mesmo nível de atenção dedicado aos demais riscos ocupacionais. O principal desafio é o fato de muitas empresas ainda tratarem a saúde mental como uma questão exclusivamente individual.

"A saúde mental deixa de ser tratada apenas como um tema ocupacional do RH e passa a ser uma responsabilidade estratégica da gestão", afirma Natália. "Não basta oferecer benefícios ou campanhas pontuais de bem-estar. É preciso olhar para as relações entre os colaboradores, o clima organizacional e o senso de pertencimento dentro das empresas."

Segundo Natália, a nova norma exige uma mudança de mentalidade dentro das empresas. Para ela, muitas companhias sabem medir produtividade, mas ainda não sabem medir engajamento, confiança, qualidade das relações ou segurança psicológica, fatores que estão diretamente relacionados à saúde mental de seus colaboradores.

A especialista aponta três principais erros cometidos pelas empresas ao tentar prevenir o adoecimento no trabalho. O primeiro deles é adotar medidas apenas superficiais ou reativas para lidar com a questão. Muitas companhias investem em campanhas consideradas positivas, mas deixam de enfrentar comportamentos e práticas que geram sofrimento no cotidiano dos funcionários.

Outro fator é transferir a responsabilidade pela saúde mental do colaborador exclusivamente a ele. Natália acredita que incentivar terapia e autoconhecimento é importante, mas insuficiente diante de problemas estruturais, como lideranças despreparadas, excesso de cobrança e ambientes considerados inseguros.

Um terceiro fator apontado pela especialista é a adoção de medidas apenas após denúncias, crises internas ou aumento nos índices de afastamento. Na avaliação dela, o ideal é que as empresas invistam em ações preventivas, com escuta contínua, comunicação não violenta e programas voltados à construção de relações mais saudáveis no ambiente corporativo.

Natália alerta que empresas que tratarem a NR-1 apenas como mais uma medida burocrática poderão enfrentar consequências jurídicas, financeiras e humanas. Entre os riscos estão processos trabalhistas, aumento do turnover, absenteísmo, queda de produtividade e dificuldades para atrair talentos.

"O impacto mais grave é o humano. Estamos falando de pessoas que podem desenvolver ansiedade, depressão, síndrome de burnout e outros quadros relacionados ao sofrimento ocupacional", diz. "A NR-1 não deve ser vista apenas como uma obrigação legal, mas como um convite para repensar a forma como as organizações cuidam das pessoas."

Burnout

A atualização da NR-1 ocorre em um momento de aumento nos casos de burnout e no número de afastamentos de trabalhadores por questões de saúde mental. Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, segundo o Ministério da Previdência Social — um aumento de 15,66% em relação a 2024, quando foram concedidos 472.328 benefícios.

Entre os motivos de afastamento, a síndrome de burnout apresentou um crescimento expressivo. Os registros praticamente triplicaram, passando de 1.760, em 2023, para 6.985, em 2025, de acordo com dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) analisados pelo Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT).

De acordo com o Ministério da Saúde, a síndrome de burnout costuma ser silenciosa e, muitas vezes, se desenvolve aos poucos, escondida em uma rotina que valoriza produtividade constante e alta performance. Antes de se instalar de maneira mais intensa, costuma dar sinais importantes de alerta, como cansaço constante mesmo após períodos de descanso, dificuldade de concentração e lapsos de memória.

Irritabilidade, impaciência frequente e sensação de sobrecarga emocional também estão entre os sintomas mais comuns. Muitas pessoas também costumam enfrentar insônia ou um sono que não é reparador, acompanhado por queda de produtividade e falta de motivação até mesmo para tarefas simples do dia a dia.

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