Mudanças na norma que previne doenças mentais no ambiente de trabalho demandam olhar sensível dos empregadores
O psiquiatra Thiago Blanco, entrevistado do PodNews deste sábado, falou sobre a importância da alteração na regra, que começa a valer em maio

Hariane Bittencourt
A partir de 26 de maio, a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), do Ministério do Trabalho e Emprego, vai mudar. Pela alteração, as empresas brasileiras terão de incluir a avaliação e gerenciamento de riscos psicossociais em seus programas de segurança e saúde no trabalho.
Para o psiquiatra Thiago Blanco, referência técnica em psiquiatra da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), é importante que as companhias desenvolvam práticas em prol da saúde mental dos colaboradores. Em entrevista ao PodNews deste sábado (31), ele explicou as implicações da atualização na NR-1.
"Muitos permanecem no trabalho mais tempo do que nas suas próprias casas. Portanto, esse ambiente do trabalho pode ser o fator protetor ou desencadeador. O que é que a NR-1 traz que o empregador precisa estar atento para prevenir e diminuir fatores de risco? Isso quer dizer tornar o ambiente agradável, um ambiente que seja protegido, diminuir o absenteísmo, situações de discriminação, racismo, intolerância e, principalmente, de assédio", afirmou.
Blanco destacou a importância da escolha de bons líderes e propôs uma reflexão sobre o que chamou de "compromisso ético de humanidade", algo que consiste na conexão entre os pares e que, para ele, precisa ser resgatado no ambiente de trabalho.
"Nós precisamos nos conectar uns com os outros. É isso que nos salva enquanto humanidade. Notadamente, nós conseguimos perceber quando as pessoas se relacionam conosco de forma burocrática e quando elas de fato estão interessadas em saber sobre a história do outro. No ambiente de trabalho isso também é importante", alertou.
O psiquiatra explicou, ainda, quais são os principais sinais de adoecimento mental e o conceito da Síndrome de Burnout, que desde janeiro do ano passado é considerada uma doença ocupacional.
"O burnout é um desfecho psicopatológico, um diagnóstico que está relacionado à exposição a um excesso de trabalho, a uma estafa profissional. Quando o trabalho exige tanto que aquela pessoa passa o maior parte do tempo pensando no trabalho, pensando nas entregas que precisam ser feitas", disse o especialista.









