Justiça manda Discord reforçar proteção de crianças
Caso não cumpra medidas efetivas que também envolvam adolescentes e mulheres, plataforma terá que pagar multa diária de R$ 100 mil

Discord | Reprodução
A Justiça Federal determinou nesta quarta-feira (30), em caráter de urgência, que a plataforma Discord adote imediatamente medidas de proteção a crianças, adolescentes e mulheres. Em caso de descumprimento injustificado, a empresa pode estar sujeita a uma multa diária de R$ 100 mil.
A decisão foi tomada pela 14ª Vara Federal da Cível da Justiça Federal do Distrito Federal, que atendeu parcialmente a um pedido da Advocacia-Geral da União (AGU), em ação civil pública ajuizada contra a mídia social em agosto.
O caso diz respeito ao suposto uso da plataforma em episódios de violência contra contra menores de idade. Em 22 de julho, duas adolescentes, de 13 e 17 anos, foram "submetidas a ameaças, coação e indução a atos contra a própria integridade".
A menina de 13 morreu e a outra foi "instigada à automutilação". A ação menciona, ainda, risco relacionado "a criança de 7 anos e registros de crueldade contra animais associados às mesmas comunidades".
O processo considerou documentos técnicos que embasaram a operação policial Lívia, coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e deflagrada em agosto. O nome da força-tarefa fez referência ao nome da garota morta.
Na argumentação da AGU, o Discord "apresenta falhas nos mecanismos de verificação de idade e de proteção aos usuários contra riscos graves, como os que culminaram na morte de uma adolescente de 13 anos no último mês de julho".
Veja quais medidas a plataforma terá que cumprir:
- "Impedir a recriação de servidores, canais e comunidades removidos, inclusive por meio de novas identidades ou contas vinculadas";
- "Preservar por, pelo menos, seis meses registros de moderação, contas, servidores, comunidades, comunicações e notificações relacionadas aos fatos investigados";
- "Criar protocolo para situações de sextorsão envolvendo crianças ou adolescentes, com comunicação às autoridades";
- "Incluir conteúdos de maus-tratos, mutilação ou crueldade contra animais nos mecanismos de avaliação e moderação quando houver risco a menores";
- "Comprovar capacidade operacional em língua portuguesa para segurança, moderação e recebimento de denúncias no Brasil";
- "Demonstrar como é feita a verificação etária, além de apresentar eventual plano de adequação à legislação";
- "Adotar providências para cumprir regras de vinculação de usuários menores de 16 anos a seus responsáveis legais";
- "Comprovar a existência e eficácia de supervisão parental, configurações protetivas e controles de privacidade";
- "Apresentar avaliação de impacto sobre segurança e saúde de crianças, incluindo riscos de aliciamento, violência, automutilação e suicídio";
- "Impedir convites usados para reconstruir comunidades removidas ou atrair menores para ambientes ligados a contas reincidentes";
- "Preservar e comunicar conteúdos relacionados à automutilação, suicídio e violência grave às autoridades competentes, quando identificados legitimamente";
- "Manter representante legal no Brasil e canal de denúncias em português";
- "Remover republicações tecnicamente idênticas de gravações e materiais de incentivo, após notificação válida."















