Impedimos inúmeros casos de suicído no Discord, diz delegada
Em entrevista ao Radar News, a delegada Lisandrea explica por que a plataforma é mais utilizada por criminosos para promover violência na internet

Discord - Reprodução
Conteúdo sensível*
A Polícia Civil de São Paulo conseguiu impedir casos de suicídio fomentados no Discord, segundo a delegada Lisandrea Salvariego, que falou ao Radar News nesta quarta-feira (12) sobre o trabalho de investigação no ambiente virtual e a dificuldade de acionar a plataforma para remover conteúdos sensíveis ou criminosos.
“Nós chegamos a impedir inúmeras crianças e adolescentes de tirarem a própria vida. As vítimas têm dados [na plataforma] e nós conseguimos chegar até elas. Ligamos na casa de pais e avisamos para irem até o quarto das vítimas porque algo pior pode acontecer”, afirmou.
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Para ela, o Discord é a plataforma preferida de infratores por causa da demora e, em alguns casos, da ausência de moderação de conteúdo. Lisandrea explica que qualquer pessoa pode abrir uma transmissão ao vivo e que não há moderação automática, cabendo a terceiros fazer denúncias à plataforma, que demora para oferecer uma resposta. O ECA Digital, ainda segundo a delegada, pode reforçar a segurança na internet ao estabelecer uma legislação mais eficiente para esses casos.
O Discord está no centro das ações do governo Lula para endurecer as regras nos ambientes digitais. Nesta quarta-feira, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou a suspensão imediata das transmissões ao vivo na plataforma. A determinação fala em graves violações de direitos de crianças e adolescentes.
Com isso, a plataforma tem dez dias úteis para apresentar recurso. Depois disso, ainda poderá recorrer ao Conselho Diretor da agência. O órgão do governo federal afirma que há possibilidade de aplicar sanções previstas no ECA Digital, como multa de R$ 50 milhões por infração, caso sejam constatadas irregularidades.
A decisão ocorreu após pressão da primeira-dama Rosângela da Silva, que cobra publicamente medidas da plataforma após o caso de suicídio de uma jovem de 13 anos.
“Eu não posso aceitar ver uma menina de 13 anos se mutilar ao vivo no Discord e morrer. Esse não é um caso isolado, são muitos casos. Precisamos atuar junto ao Judiciário para tirar essa rede do ar”, afirmou Janja.
A morte da jovem foi investigada pelo Ministério da Justiça por meio da operação Lívia, que faz homenagem à vítima. De acordo com a pasta, a menina, natural de Navaraí (MS), havia sido coagida por um grupo extremista a se automutilar e se enforcar, enquanto participava de uma chamada de vídeo que durou mais de 40 minutos e estava acessível para mais de 200 usuários.
















