Brasil

Governo de SP interdita 6 estabelecimentos por suspeita de bebidas com metanol; veja quais são

Estado já registra 37 casos suspeitos de intoxicação pela substância e uma morta confirmada

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Camila Stucaluc
02/10/2025, 07:58 • Atualizado em 02/10/2025, 07:58
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Governo de SP já interditou 6 estabelecimentos por suspeita de bebida com metanol | Divulgação/governo de SP

Governo de SP já interditou 6 estabelecimentos por suspeita de bebida com metanol | Divulgação/governo de SP

A Vigilância Sanitária estadual e municipal de São Paulo interditou, até a noite de quarta-feira (1º), seis estabelecimentos por suspeita de venda de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol. As ações ocorreram de forma cautelar, em meio ao aumento de casos de intoxicação no estado.

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Entre os estabelecimentos interditados estão bares, adegas e distribuidoras de bebidas. Um dos primeiros alvos da vigilância sanitária foi o Ministrão Bar, localizado nos Jardins, zona oeste da capital paulista, onde a designer de interiores Radharani Domingos, de 43 anos, teve convulsões e perdeu a visão após consumir três caipirinhas.

Ainda na capital, o Torres Bar, localizado na Mooca, na zona leste, também foi interditado, além do BBR Supermercado e do Bebilar Bebidas, ambos localizados na Bela Vista, no centro. Já em São Bernardo do Campo, o alvo foi o Villa Jardim, onde uma pessoa denunciou ter passado mal após consumir bebida alcoólica. Um estabelecimento em Barueri também foi interditado, mas não teve o nome divulgado.

“As ações, do ponto de vista da vigilância sanitária, foram intensificadas quando tivemos comprovações dos casos e dos endereços onde a pessoa supostamente consumiu. Tivemos essas informações a partir das notificações do sistema de saúde que atenderam essas pessoas e familiares. A partir disso, direcionamos as nossas ações”, disse Manoel Lara, diretor do Centro de Vigilância Sanitária estadual.

Nos estabelecimentos, as equipes apreenderam quase mil garrafas de bebidas alcoólicas sem rótulos e sem comprovação de procedência. Outras 17,7 mil foram encontradas em uma fábrica clandestina em Americana, enquanto um lote de 128 mil garrafas foi lacrado em Barueri por falta de documentação. Todos os produtos foram encaminhados para análise, que confirmará ou não possíveis adulterações.

O que dizem os estabelecimentos

Em comunicado, o Ministrão Bar disse que “aguarda o resultado da perícia para esclarecer os fatos relacionados à investigação sobre possíveis bebidas contaminadas”. Manifestou, ainda, “solidariedade e respeito à cliente que sofreu as consequências desse episódio”.

“O fechamento temporário do bar ocorreu apenas como medida preventiva, após o relato da cliente que mencionou ter consumido bebida em nosso estabelecimento. Reforçamos que ainda não há qualquer confirmação oficial sobre a origem ou relação direta dos produtos com o ocorrido. Pedimos à população e aos nossos clientes que evitem julgamentos precipitados e aguardem o laudo final da perícia”, disse.

O Torres Bar, por sua vez, afirmou que todos os produtos são adquiridos de distribuidores oficiais e parceiros de longa data, que “sempre prestaram serviços de confiança”. A administração ressaltou que permanece à disposição para qualquer investigação, informando colaborar integralmente com todos os órgãos de fiscalização componentes.

Pelas redes sociais, o BBR Supermercado anunciou o fechamento temporário aos clientes. Já o Bebilar Bebidas reforçou que todas as bebidas comercializadas pelo estabelecimento são originais e adquiridas diretamente de fabricantes ou distribuidoras oficiais. Em nota, defendeu que “preza pela qualidade e integridade de cada produto” e que “jamais colocaria em risco a saúde e o bem-estar” do público.

O mesmo foi dito pelo Villa Jardim, que disse estar colaborando no planejamento com as autoridades competentes e as investigações em curso. “Permanecemos fechados até que a situação seja totalmente esclarecida e a segurança de nossos clientes possa ser integralmente garantida. Ressaltamos que nossas bebidas são compradas lacradas e em sua condição original.”

Casos notificados

Até o momento, o estado de São Paulo registra uma morte por intoxicação de metanol em bebidas adúlteras, enquanto outras cinco estão sob investigação, na capital e em São Bernardo do Campo. No total, segundo a Secretaria de Saúde, há 37 casos de intoxicação denunciados, sendo 10 confirmados e 27 suspeitos.

Em meio ao cenário, a gestão estadual instaurou um gabinete de crise voltado exclusivamente aos casos de intoxicação por metanol. O mesmo foi feito pelo Ministério da Saúde, que acompanha o avanço dos casos no Brasil. Além de São Paulo, houve registros em Pernambuco, sendo de quatro intoxicações e duas mortes suspeitas.

Intoxicação por metanol

A intoxicação por metanol é uma emergência médica de extrema gravidade. A substância, quando ingerida, é metabolizada no organismo em produtos tóxicos (como formaldeído e ácido fórmico), que podem levar ao óbito. Os principais sintomas são: visão turva ou perda de visão (podendo chegar à cegueira) e mal-estar generalizado (náuseas, vômitos, dores abdominais, sudorese).

Em caso de identificação dos sintomas, o Ministério da Saúde recomenda buscar imediatamente os serviços de emergência médica e contatar pelo menos uma das seguintes instituições:

  • Disque-Intoxicação da Anvisa: 0800 722 6001;
  • CIATox da sua cidade para orientação especializada (Contatos disponíveis em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/animais-peconhentos/ciatox );
  • Centro de Controle de Intoxicações de São Paulo (CCI): (11) 5012-5311 ou 0800-771-3733 – de qualquer lugar do país.

“É importante identificar e orientar possíveis contatos que tenham consumido a mesma bebida, recomendando que procurem imediatamente um serviço de saúde para avaliação e tratamento adequado. A demora no atendimento e identificação da intoxicação aumenta a probabilidade do desfecho mais grave, com o óbito do paciente”, reforçou a pasta.

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