Economia

Com previsão de dólar fraco este ano, compensa investir no exterior?

O dólar mudou de papel — e muita gente ainda não percebeu: entenda

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Dólar: de protagonista à função mais estratégica | Designed by/Freepik

Sabe aquela história de que investir em dólar é só para quando a moeda vai disparar? Esse pensamento está ficando para trás. Muita gente ainda olha para o câmbio como uma aposta de curto prazo, mas a verdade é que o papel do dólar na carteira do investidor brasileiro passou por uma transformação profunda, segundo analistas ouvidos pela EXAME.

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Se antes ele era o protagonista de retornos por conta de altas repentinas, agora assume uma função mais estratégica: a de um ativo estrutural de equilíbrio. Isso significa que o foco do investidor não deve mais ser o ganho cambial puro, mas sim a preservação do patrimônio e a captura de valor em ativos internacionais de qualidade.

O fim da era da aposta cambial?

Para quem está de olho em 2026, a expectativa é que o cenário mude de figura. De acordo com a sócia e head de alocação da Guelt Investimentos, Ana Paula Milanez, após um longo período sendo uma espécie de protagonista, começa um novo ciclo de um dólar mais estável ou até mais fraco, em meio à geopolítica e aos cortes de juros americanos.

Esse movimento é reforçado pelo desejo do próprio governo americano de desvalorizar sua moeda para equilibrar as contas externas, um fator que impacta diretamente o preço dos ativos globais, como também explica a CIO da Vos Investimentos, Marta Zaidan.

"De qualquer forma, o dólar tem vários pontos fortes a seu favor: continua a dominar como a moeda de liquidação das principais transações comerciais; tem o maior mercado de ativos do mundo; e os Estados Unidos ainda são a primeira economia do mundo em termos de produtividade", detalha Zaidan.

Milanez alerta, ainda, que reduzir investimentos no exterior apenas porque a moeda caiu ou ficou lateral é um erro clássico; afinal, em 2025, ativos globais performaram muito bem mesmo sem o empurrão do câmbio, de acordo com a especialista.

"A exposição internacional deixa de ter como foco principal o ganho cambial e passa a priorizar a preservação do patrimônio e a captura de valor em ativos globais de qualidade", explica a head de alocação.

Selic a 15% e o custo de oportunidade

Com o Brasil oferecendo juros reais em altos patamares, as especialistas comentam que muitos se sentem confortáveis em manter todo o dinheiro no país. No entanto, o mantimento dos níveis elevados da Selic é temporário, como já indicam as previsões do Banco Central (BC) para as próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom).

A CIO da Integrity, Catherine Cruz, afirma que, se o investidor esperar a taxa de juros cair para só então buscar diversificação, perderá janelas de oportunidade que não voltam mais. Essa atratividade depende do desejo do investidor, na visão de Cruz. Ela alerta que, se o objetivo é comprar um carro ou uma casa no futuro próximo, faz sentido navegar nos juros locais, mas para quem busca perpetuar e crescer o patrimônio a longo prazo, a dolarização é indispensável na carteira de investimentos.

"A discussão não é 'ou um ou outro', mas sim qual a função de cada classe dentro da carteira: quanto alocar, onde investir, por meio de quais veículos e com qual objetivo. Em 2026, as melhores carteiras não serão as mais ousadas nem as mais defensivas, mas sim as mais bem equilibradas", complementou Milanez.

Zaidan concorda que é um exagero ter 100% do capital em ativos locais. "A construção de um bom portfólio diversificado e focado no longo prazo precisa considerar proteções: ativos que você acredita que irão ter performance superior e ativos que irão te proteger."

"Muitas vezes na história o dólar teve o papel de oferecer essa proteção. É possível que o euro, o ouro, o franco-suíço, etc, comecem a ficar mais representativos e passam a ocupar aos poucos essa função de proteção ao risco, mas neste momento estes mercados ainda não tem o tamanho e a profundidade para isso", acrescentou a CIO da Vos Investimentos.

Investimentos dolarizados ainda valem a pena?

O grande diferencial de investir fora em 2026 não será a moeda em si, mas o que você compra com ela em meio a profundas mudanças no mundo, como a reorganização geopolítica e a inteligência artificial (IA).

A CIO da Vos Investimentos, Zaidan, destaca que, enquanto o Brasil muitas vezes patina nessas discussões, lá fora o investidor captura a produtividade de gigantes. A seleção de ativos, portanto, passa a ser o motor do retorno nesse ano.

Ela menciona que, embora o tema da IA domine as atenções, o mundo continuará precisando de bens de consumo e medicamentos, o que abre oportunidades de investimento em companhias europeias resilientes, no ouro e em moedas como o euro e a libra esterlina.

Já a sócia da Guelt Investimento aponta que as melhores carteiras para 2026 serão aquelas que souberem escolher ações globais de qualidade e fundos em setores estruturais, como tecnologia, saúde, infraestrutura e energia, além da renda fixa global.

"Em diversos ciclos, ativos globais apresentaram bom desempenho mesmo com dólar lateral ou em queda. Vimos isso em 2025. Por isso, os investimentos dolarizados devem ser tratados como exposição estrutural, de forma inteligente e seletiva, sempre respeitando o perfil, os objetivos e o horizonte de cada investidor", pontua Milanez.

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