Economia

Dólar muda o rumo e fecha em leve alta com cautela do investidor

Moeda americana interrompeu sequência de quatro quedas ao subir 0,12%, cotado a R$ 5,386

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Exame.com
07/01/2026, 20:55 • Atualizado em 07/01/2026, 20:55
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Dólar | Reprodução

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O dólar à vista interrompeu uma sequência de quatro quedas consecutivas, nesta quarta-feira, 7, ao encerrar o pregão com leve alta de 0,12%, cotado a R$ 5,386. O movimento foi provocado por um ajuste técnico após a forte desvalorização acumulada desde o fim de dezembro, quando saiu de um valor de venda de R$ 5,57, no dia 30 de dezembro, para R$ 5,37, nesta terça, 6.

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A moeda americana chegou a abrir o dia rondando a estabilidade, mas passou a subir refletindo ajustes de posições e realização de lucros.

Segundo Thiago Azevedo, sócio fundador da Guardian Capital, trata-se de uma recuperação pontual, sem sinalizar, por ora, mudança de tendência, em meio à expectativa por novos dados econômicos dos Estados Unidos, especialmente do mercado de trabalho, que podem influenciar a trajetória dos juros americanos.

Na sexta, 9, a Bureau of Labor Statistics (BLS), agência do governo norte-americano, divulga o payroll, o relatório oficial de empregos dos EUA.

"Após quatro sessões consecutivas de queda, o dólar passa por um movimento de ajuste técnico, em um dia marcado por postura mais cautelosa dos investidores", afirmou Azevedo.
"O mercado voltou a recalibrar posições diante da expectativa por dados econômicos dos Estados Unidos, especialmente ligados ao mercado de trabalho, que influenciam a trajetória dos juros americanos. Esse ambiente favoreceu uma recuperação pontual da moeda", complementou.

ADP e Jolts vieram abaixo da expectativa

A expectativa em torno do payroll aumentou diante da publicação dos dados de emprego do setor privado nos Estados Unidos, o ADP. O indicador revelou a abertura de 41 mil vagas em dezembro, abaixo da expectativa de 48 mil.

O Escritório de Estatísticas do Trabalho, ligado ao Departamento do Trabalho dos Estados Unidos, também apontou uma nova retração no número de vagas de empregos em aberto no país. Segundo o relatório Jolts, em novembro, o total de postos disponíveis caiu para 7,146 milhões.

De acordo com Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, os dois indicadores, ADP e Jolts, vieram abaixo das expectativas, o que reforça a tendência de enfraquecimento no mercado de trabalho dos EUA, que vem sendo observada desde 2025.

"Apesar de virem abaixo das projeções, os dados do mercado de trabalho divulgados nesta quarta-feira não foram suficientes para consolidar um movimento direcional nos ativos, com os investidores preferindo a cautela antes do Payroll de sexta-feira. A probabilidade de o Fed [Federal Reserve, o banco central dos EUA] manter os juros inalterados na reunião deste mês permanece majoritária e para o fechamento de 2026 ainda temos dois cortes de juros embutidos", disse Shahini.

O mercado também está bastante dividido com relação aos próximos passos do BC americano, se vai manter juros ou baixar na decisão do dia 28 de janeiro, como observa Cristiane Quartaroli, economista chefe do Ouribank.

"Isso acaba gerando esse movimento de aversão ao risco aqui no curto prazo que estamos vendo hoje", afirmou.

Cautela do investidor

O dólar também operou sob influência de fatores domésticos. O Ibovespa, ainda segundo o especialista, sente o peso da incerteza com rumores sobre o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Banco Master, levando o setor financeiro a realizar lucros.

Hoje, o presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo, afirmou que uma eventual reversão da liquidação do Banco Master não caberia à corte de contas, mas sim ao Supremo Tribunal Federal (STF).

"Esse clima de maior aversão ao risco doméstico acabou pressionando também o câmbio local dado a ausência de catalisadores mais relevantes no dia de hoje", disse ele.

A queda dos preços do petróleo também pode ter pressionado as moedas de países exportadores de commodities e, indiretamente, reforçado o dólar como ativo defensivo.

"A Venezuela permanece no radar, especialmente por seu papel no mercado global de petróleo e pelas incertezas geopolíticas, o que contribui para um viés de cautela e apoio ao dólar como moeda de proteção", afirmou o sócio fundador da Guardian Capital.

Já as declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, de que avalia "ativamente" com sua equipe a compra da Groenlândia da Dinamarca, segundo informou a Casa Branca, tiveram impacto limitado a nulo pois o foco no campo político do que econômico, apontaram os operadores.

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