Política

EUA chamam de absurda fala do Itamaraty sobre PCC e CV

Após Brasil citar risco de possível ação militar, gestão Trump rejeita hipótese e diz que combate narcoterroristas com base em leis próprias

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Leandro Magalhães
O presidente dos EUA, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca | REUTERS/Ken Cedeno

O presidente dos EUA, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca | REUTERS/Ken Cedeno

O governo de Donald Trump classificou como “absurda” a hipótese levantada pelo Itamaraty de uma possível ação militar dos Estados Unidos no Brasil. A afirmação ocorre após autoridades americanas passarem a tratar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, fato que, na avaliação do governo brasileiro, poderia abrir brecha para uma intervação estrangeira em solo brasileiro.

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Em nota enviada ao SBT News nesta terça-feira (7), o Departamento de Estado afirmou que o país está tomando medidas para combater o narcoterrorismo com base em suas próprias autoridades soberanas.

“As gangues brasileiras agora operam nos Estados Unidos, e nós defenderemos nossa população contra elas. Alegações vagas de intervenção costumam ser um pretexto para ajudar e favorecer alguns dos grupos mais violentos do mundo”, disse o órgão à reportagem.

O Ministério das Relações Exteriores mencionou esse possível risco em posicionamento encaminhado à Câmara dos Deputados, quando questionado sobre as chances reais de alguma incursão militar dos Estados Unidos contra o Brasil. Para o Itamaraty, PCC e CV devem continuar sendo tratados como organizações criminosas transnacionais — classificação que já permite cooperação internacional em investigações, troca de informações e combate à lavagem de dinheiro.

Classificação de PCC e CV

Em maio, o Departamento de Estado dos Estados Unidos determinou a classificação das facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Na prática, membros das facções, instituições e pessoas ligadas aos grupos passam a ser sancionados, com contas, ativos e bens bloqueados.

A medida já era considerada há algum tempo nos bastidores. O anúncio ocorreu dois dias após a visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos. À época, ele afirmou ter pedido a Donald Trump que PCC e CV fossem classificados como organizações terroristas estrangeiras “o quanto antes”.

Em resposta à sanção, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou, durante a cúpula do G7, que o combate ao crime organizado deveria respeitar a soberania dos Estados. Ao comentar a atuação de Flávio Bolsonaro, Lula sugeriu punições severas a quem chamou de “traidores da pátria” e criticou a família do ex-presidente Jair Bolsonaro.

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