Lula sugere punição pior que a forca a traidores da pátria
Presidente cita, de maneira equivocada, delator de Tiradentes ao criticar Flávio após tarifaço: "por muito menos Joaquim Silvério dos Reis foi enforcado"


O presidente Lula (PT) sugeriu uma punição pior que a forca a quem chamou de traidores da pátria, em referência indireta a Flávio e Eduardo Bolsonaro. Disse ainda que os filhos "são piores que o pai".
Assista ao momento:
"Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser pior do que ele. Vendilhões da pátria. Foram pedir que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. São traidores. Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado. O que merecem os traidores que vão pedir intervenção de um país no nosso? Pensem aí. Esse cidadão [Flávio] hoje na imprensa: 'Não falei nada'. Todo covarde é assim. Fala m* e depois não assume, fica tentando mentir", disse.
Lula usou a Inconfidência Mineira como paralelo sobre a punição do Estado a traidores, mas se confundiu ao citar o enforcamento de Joaquim Silvério dos Reis, delator de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes (1746–1792). Na realidade, Tiradentes é quem terminou morto na forca, enquanto Reis teve perdoadas suas dívidas com a Coroa Portuguesa e morreu de causas naturais.
A pena de morte em contexto civil é proibida em cláusula pétra na Constituição de 1988, salvo em contexto de guerra. O último registro público de execução conduzida pelo Estado ocorreu em abril de 1876, ainda no regime imperial, de um homem escravizado em Pilar (AL) acusado de matar a socos um capitão da Guarda Nacional.
Ataques a Flávio
O discurso de Lula foi recheado de críticas à atuação da família Bolsonaro. Lula lembrou que Flávio e Eduardo comemoraram a primeira onda de tarifas de 50% contra o Brasil, em julho do ano passado. O presidente disse que o contato dos Bolsonaro com a Casa Branca foi motivado pela agenda bilateral de Lula com Trump no início de maio. "Depois do sucesso da minha visita [...] o bolsonarismo ficou muito p* da vida", afirmou.
Depois do anúncio da sobretaxa americana, tanto Flávio quanto Eduardo vieram a público negar ter tido influência na decisão do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
Horas depois do anúncio da decisão, os irmãos concederam entrevistas a veículos aliados dizendo que pediram na conversa que tiveram com Trump na última terça-feira (26) um alívio no tarifaço.
“Eu pedi expressamente nas três reuniões que nós tivemos com o presidente Trump, com o vice JD Vance e com o secretário de Estado, Marco Rubio: ‘Não taxem as empresas brasileiras’”, afirmou Flávio Bolsonaro em entrevista à Rádio Itatiaia nesta terça-feira (2).
Para Lula, o gesto denota covardia por parte do adversário. “Esse cidadão [Flávio] hoje aparece na imprensa dizendo: ‘Eu não falei nada, eu não falei nada’. Todo covarde é assim: fala a merda que fala e depois não tem coragem de assumir o que fala, fica tentando mentir", disparou,















