Política

Cezinha fez campanha por Zanin no STF após ajudar Mendonça

Deputado foi alvo de operação da PF que investiga tráfico de influência em tribunais superiores, em desdobramentos de apuração sobre desvio de emendas

Avatar de Iander Porcella
Iander Porcella
Cezinha de Madureira (PL-SP) | Mário Agra/Câmara dos Deputados

Cezinha de Madureira (PL-SP) | Mário Agra/Câmara dos Deputados

O deputado Cezinha de Madureira (PL-SP), que foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) nesta segunda-feira (14) sobre tráfico de influência em tribunais superiores, é aliado do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e também fez campanha pela aprovação do nome de Cristiano Zanin para a Corte.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

Em 2023, quando Zanin buscava votos no Senado, Cezinha organizou em sua casa um encontro do indicado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com parlamentares influentes na Casa para pavimentar a votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e no plenário.

À época, Zanin enfrentava resistências no Senado por ter sido advogado pessoal de Lula, mas acabou conquistando o apoio de lideranças religiosas com a ajuda de Cezinha.

Liderança de peso da Bancada Evangélica no Congresso, a qual já presidiu, Cezinha também foi um dos principais cabos eleitorais de Mendonça no Senado em 2021, quando o então ministro da Justiça foi indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Na ocasião, Mendonça precisava de forte articulação no Senado porque enfrentava a oposição do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), que segurou por meses a sabatina, contrariado com o fato de Bolsonaro ter preterido Augusto Aras, procurador-geral da República, na indicação.

Cezinha integrou a base aliada de Bolsonaro, com quem mantinha amizade, e chegou a atuar como vice-líder do governo anterior na Câmara.

Em outubro do ano passado, contudo, aproximou-se do governo Lula ao acompanhar o bispo Samuel Ferreira, da Assembleia de Deus de Madureira, para uma reunião com o petista no Palácio do Planalto.

O encontro entre Lula, Cezinha e o bispo foi intermediado pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, que viria a ser indicado pelo presidente ao STF semanas depois — o nome foi rejeitado pelo plenário do Senado em abril deste ano.

A operação de hoje, autorizada pelo ministro Flávio Dino, apura suspeita dos crimes de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A operação é desdobramento de uma investigação iniciada em dezembro de 2025, realizada para apurar irregularidades na destinação de emendas parlamentares.

Mais da Coluna do Iander

Últimas notícias de Política