Novo Desenrola deixa incertezas sobre compra de dívidas
Anúncio prevê R$ 15 bilhões para compra de carteiras de dívidas, mas operação depende dos descontos dos bancos e do volume de créditos adquiridos

Desenrola Brasil | Joédson Alves/Agência Brasil
À primeira vista, o anúncio do governo pode passar a impressão de que milhões de brasileiros endividados terão suas dívidas compradas pela União e, a partir daí, deixarão de dever aos bancos para passar a dever ao governo federal. Mas o desenho apresentado até agora é mais complexo e não garante a adesão de bancos e instituições de crédito.
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As listas de devedores dos bancos formam as chamadas carteiras de crédito das instituições. Exemplo: o banco X tem uma carteira com 50 pessoas que devem até R$10 mil a ele. O governo pretende comprar essas carteiras e, dessa forma, os inadimplentes passariam a dever para o governo federal, e não mais para o banco X.
Com a nova medida, o governo pretende comprar essas dívidas por meio de leilões. As instituições financeiras poderão, então, apresentar suas propostas de venda das carteiras com descontos. Exemplo: venda de R$10 bilhões em dívidas por apenas R$ 1 bilhão.
O primeiro ponto de atenção está justamente nesse desconto. O governo trabalha com a possibilidade de obter abatimentos de até 90% sobre essas dívidas. É esse cálculo que permite chegar aos R$ 15 bilhões previstos para a operação. O problema é que esse desconto ainda não está garantido. Ele dependerá das condições apresentadas pelas instituições financeiras nos leilões.
O governo estima que exista hoje um montante de aproximadamente R$ 300 bilhões em dívidas de até R$ 10 mil, com atrasos de 2 a 4 anos. A intenção é utilizar os R$ 15 bilhões disponíveis para conseguir adquirir até R$ 150 bilhões desse estoque. Para que essa conta feche, porém, é necessário que os bancos aceitem vender essas carteiras com descontos bastante elevados.
Ou seja: o sucesso da medida dependerá da disposição do mercado financeiro em conceder esses descontos.
Há ainda uma segunda questão: não ficou claro qual será a quantidade de carteiras efetivamente compradas pelo governo. A União pretende selecionar propostas com as condições mais vantajosas. Isso significa que não há, neste momento, garantia de que todo brasileiro que tenha uma dívida de até R$ 10 mil atrasada terá o débito comprado.
A pessoa só terá a dívida adquirida pelo governo se o banco ou a instituição financeira para a qual ela deve participar da operação.
























