Renan nega pauta-bomba e diz que não cabe ao STF interferir
Relator minimiza impacto financeiro de projeto sobre renegociação das dívidas dos produtores rurais


STF rejeita decisão de tornar Renan Calheiros réu em ação da operação Lava Jato
O senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator do projeto de renegociação das dívidas dos produtores rurais, negou que a medida represente uma “pauta-bomba” contra governo e afirmou que a indicação de que o Supremo Tribunal Federal (STF) pode ser acionado para derrubar a medida representa “meramente um desejo”, visto que é necessário aguardar a conclusão da deliberação do projeto no Congresso Nacional.
“Era só o que faltava para mim, nesta altura da minha vida, conceber uma pauta-bomba contra o governo que eu apoio. Criamos o Fundo Garantidor do Agro para reestruturar com fundo privado essas renegociações. Ainda não encerrou a tramitação legislativa e o STF terá de aguardar a sanção da lei. O STF não tem competência para interferir no processo legislativo”, afirmou Calheiros ao SBT News.
Nesta quarta-feira (10), o Senado aprovou a proposta que cria uma linha especial de crédito para a renegociação de dívidas de produtores rurais impactados por eventos climáticos ou por efeitos da guerra no Oriente Médio.
Até o último momento, articuladores do governo Lula, como o ministro da Fazenda, Dario Durigan, trabalharam para evitar o avanço da matéria apontando que os cofres públicos não têm condição de suportar o impacto financeiro da medida, calculado em um rombo de R$ 140 bilhões nos próximos 10 anos. O próprio relator esteve reunido com o ministro, mas, diante da falta de acordo, o texto acabou sendo aprovado à revelia do governo.
Durigan afirmou que, caso a Câmara chancele a matéria, o governo avalia vetá-la ou ingressar no STF para derrubar a lei.
Em reação à possível judicialização da proposta, o relator ponderou que o país vive “a maior crise com problemas climáticos e macroeconômicos” e que a última reestruturação de dívidas agrícolas no Brasil ocorreu no governo de Fernando Henrique Cardoso, com um prazo de 25 anos para pagamento. A medida, acrescentou, serviu como uma maneira de alavancar a agricultura.
Nesta quarta, o ministro Gilmar Mendes, decano do STF, afirmou que o Congresso Nacional “não pode criar despesas a serem suportadas por estados e municípios sem indicar a fonte de custeio”.
























