Dados de desmatamento serão mostrados aos EUA, diz ministro
Titular do Ministério do Meio Ambiente afirma que governo Lula "poderia ter usado o mecanismo de reação, mas tem pregado o diálogo"

Ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco | Divulgação/Marcelo Camargo/Agência Brasil
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou nesta quinta-feira (11) que dados atualizados que apontam queda do desmatamento na Amazônia serão mostrados aos Estados Unidos na negociação com o governo Donald Trump sobre a nova proposta norte-americana de tarifas contra o Brasil.
"O Itamaraty vem trabalhando para esclarecer esse episódio novo. Nós estamos enfrentando isso, temos políticas sérias e estruturais. O Ministério do Meio Ambiente foi aos Estados Unidos e abrimos todos os dados para esclarecer que o Brasil trabalha para resolver essa questão. Os dados são públicos e serão apresentados no processo de negociação", declarou Capobianco em coletiva de imprensa.
O titular da pasta ambiental argumentou que o governo Lula "poderia ter usado o mecanismo de reação, mas tem pregado o diálogo".
O desmatamento, sobretudo na Amazônia, foi citado pelo Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) no início de junho como uma das "práticas irrazoáveis" para propor taxas de 25% sobre exportações brasileiras. O órgão norte-americano ainda sugeriu aplicar uma tarifa adicional de 12,5%, vinculada a acusações sobre trabalho forçado.
Capobianco, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, participaram hoje da divulgação de dados de desmatamento na Amazônia e no Cerrado gerados pelo Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (Deter), administrado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Segundo o Deter, o desmatamento no bioma amazônico caiu 61,4% em maio de 2026 na comparação com o mesmo mês de 2025. Levando em conta o agregado de agosto do ano passado a maio de 2026, a queda atingiu 37,5% em relação ao mesmo período entre 2024 e 2025. Ambas as reduções são as menores da série histórica, de acordo com o sistema.
No Cerrado, a queda em maio de 2026 na comparação com o mesmo mês de 2025 chegou a 12,2%. Já entre agosto do ano passado e maio de 2026, o decréscimo marcou 8,2%.
Para Capobianco, os dados do Deter "indicam o sucesso no controle" do desmatamento. "Esse trabalho todo não foi feito para responder a ninguém, e sim à sociedade. E também será levado nas novas rodadas de conversa com o governo americano. E eles mostram que o sucesso contra o desmatamento está comprovado", disse.















