Lula ironiza taxa dos EUA por desmatamento no Brasil
Presidente solicitou estudo sobre direitos trabalhistas americanos e disse que rejeitar tarifaço de 25% é questão de "dignidade"


Lula em fala no 7º encontro do Conselhão, o primeiro de 2026 | Reprodução/YouTube
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta quarta-feira (10) a motivação por trás do novo tarifaço determinado pelo governo dos Estados Unidos contra produtos brasileiros. A sobretaxa de 25% anunciada em 2 de junho tem como base elementos considerados desleais no comércio - entre eles está o uso de materiais provenientes do desmatamento ilegal de florestas.
Em fala na 7ª reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), o Conselhão, Lula afirmou que a justificativa é descabida vinda dos EUA, que já desflorestaram cerca de um terço da cobertura original encontrada em 1600, antes da colonização, conforme dados da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura). Para o presidente, as áreas verdes americanas estão "carecas", enquanto o Brasil só corta "um pedacinho".
Dados do MapBiomas Alerta mostram que o Brasil registrou, em 2025, a menor área desmatada dos últimos sete anos. Foi a primeira vez desde o início da série histórica, em 2019, que o país ficou abaixo da marca de um milhão de hectares desflorestados.
Mesmo com queda de 16,9% em comparação ao ano anterior, o Cerrado permaneceu como o bioma mais desmatado do país, concentrando 54,9% de toda a perda de vegetação nativa registrada no período.
Ao todo, o bioma perdeu 540.614 hectares em 2025. Já a Amazônia registrou 289.478 hectares desmatados, com redução de 23,5%.

Lula se dirigiu a Clemente Ganz Lúcio, que esteve à frente do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), cobrando um estudo "urgente" para levantar dados sobre a legislação trabalhista nos EUA por questão de "dignidade e respeito" aos trabalhadores brasileiros.
"Eu quero saber quais são os direitos que os trabalhadores americanos têm para vir um tal de diretor financeiro não sei das quantas impor multa, gente, por conta do desmatamento. Será que eles não percebem que já estão carecas [por conta do desmatamento] e nós ainda estamos como jogador, cortando só um pedacinho aqui do lado? Será que eles não se dão conta de que nós, nesses 3 anos e meio, diminuímos o desmatamento em todos os biomas brasileiros?", questionou.
Tarifaço
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluiu no início de junho uma investigação comercial contra o Brasil e afirmou que determinadas políticas e práticas brasileiras são "irracionais", "oneram" e "restringem" o comércio americano.
A avaliação foi feita com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O governo americano abriu uma consulta pública para discutir possíveis medidas corretivas, enquanto mantém negociações com o governo brasileiro. A proposta da USTR é aplicação de tarifas de 25% sobre todas as mercadorias do Brasil, com algumas isenções.
O governo brasileiro e setores empresarias tentam negociar a reversão da medida antes de audiência em julho que deve oficializar a sobretaxa.
Além do desmatamento ilegal, embasam o argumento americano fatores como serviços de pagamento e comércio digital, como o Pix, que concorre com bandeiras de cartão de crédito dos EUA; tarifas preferenciais em setores estratégicos em acordos com o México e a Índia; pirataria e falsificação de produtos que ferem a propriedade intelectual de produtos americanos; e o protecionismo no mercado de etanol.














