Decisão que implodiu debate marca embate Gilmar e Nunes
Articulação do Solidariedade, com advogados ligados ao partido e também ao PT, produziu pedido que obrigava participação de Renan Santos em evento da Globo

O decano do STF, Gilmar Mendes | Reprodução/TV Justiça
A decisão de colocar Renan Santos (Missão) no debate da TV Globo, que acabou não acontecendo, é reflexo do embate entre os ministros Gilmar Mendes e Kassio Nunes Marques, também de articulação de advogados ligados ao Solidariedade e ao Prerrogativas, grupo de apoio ao governo.
Ao determinar que Renan fosse ao debate, Gilmar anulou decisão de Nunes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Gilmar e Nunes estão em rota de colisão turbinada pelo caso Master. O decano é um dos principais críticos de Nunes no STF e tem defendido que o ministro deixe a presidência do TSE, como revelaram mensagens trocadas entre os dois no mês passado.
No início desta semana, Nunes liberou a participação de Zema no debate, mas, na noite de quarta-feira (30), não autorizou Renan. A decisão do presidente do TSE gerou desconfiança generalizada entre campanhas, como PT e PSD, também entre partidos como o Solidariedade, que mesmo sem candidato formal tem atuado com ações no Judiciário. Segundos fontes do STF ouvidas pelo SBT News, houve avaliações sobre como o debate poderia beneficiar o candidato Flávio Bolsonaro (PL). Entre elas, a de que Zema, liberado por Nunes no debate, pudesse abrir mão da candidatura ao vivo e apoiar Flávio.
A ida de Renan passou a ser defendida entre integrantes desses partidos como um contraponto necessário.
Na quarta-feira (30), o presidente do Solidariedade, Paulinho da Força, já havia pedido afastamento de André Mendonça e Kassio Nunes Marques de ações de fiscalização de propaganda no TSE. Paulinho, que atualmente está afastado do governo Lula, ficou nos últimos anos muito próximo de ministros do STF, como Gilmar e Alexandre de Moraes.
Na madrugada de quarta para quinta, advogados ligados ao Solidariedade e ao PT, conforme relatos feitos à coluna, começaram a preparar a peça que beneficiaria Renan Santos, dentro de ação que já tramitava no STF sobre outro assunto.
O próprio Missão não participou da articulação e, individualmente, fez movimentação que acabou frustrada pela negativa da ministra Carmén Lúcia.
Na quinta-feira (1), pela manhã, Carmen rejeitou pedido formulado pelo deputado federal, Kim Kataguiri (Missão). O Solidariedade, que já estava decidido a insistir na participação de Renan, acionou Gilmar às 14h52. A decisão ocorreu às 19h20.
A decisão da TV Globo em cancelar o debate, na avaliação de quem participou da articulação no STF, não era esperada, mas reafirmou a resistência da emissora à presença de Renan, o que beneficiaria Flávio. Aliados de Lula afirmaram que seria uma armadilha, citando como exemplo edições do programa que poderia prejudicar mais a imagem do presidente.
























