Política

Lula e chanceler conversam com embaixador na Argentina

Após ataques de Milei, presidente teve breve encontro com embaixador do Brasil no país vizinho, Júlio Bitelli; chanceler também se reuniu com diplomata

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Basília Rodrigues

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o o ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversaram nesta segunda-feira (27) com o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Júlio Bitelli, sobre a crise política entre Brasil e Argentina. O diálogo com o diplomata acontece após Bitelli ser chamado de volta ao Brasil para "consultas" -- gesto que significa, na linguagem diplomática, que o Brasil está expressando seu descontentamento com a relação bilateral entre os dois países.

A coluna apurou que Júlio Bitelli foi recebido, primeiro, pelo chanceler brasileiro. Os dois conversaram durante 40 minutos no Itamaraty e alinharam uma posição sobre a crise entre Brasil e Argentina. O motivo da reação brasileira foi o discurso no sábado (25) do presidente do país vizinho, Javier Milei, com ataques ao governo e autoridades brasileiras, durante participação na convenção nacional do PL que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência.

Na saída da reunião com o chanceler, Bitelli também encontrou o próprio presidente Lula, dentro do Itamaraty, e os dois tiveram uma breve conversa. Lula estava no ministério, coincidentemente, para recepção do presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung.

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No discurso de 27 minutos feito no sábado,Javier Milei chamou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de “lixo careca”. Além disso, o presidente argentino declarou afirmou confiar que Flávio será capaz de derrotar o que chamou de "escória socialista", numa crítica indireta a Lula, a quem se referiu também como ex-presidiário.

Segundo o argentino, Lula, ao lado do ex-presidente cubano Fidel Castro, teria fundado o Foro de São Paulo, organização que classificou como uma "rede internacional-chave para a disseminação do comunismo" na América Latina.

O presidente argentino ainda comparou a situação política brasileira à crise econômica enfrentada pela Argentina, atribuindo as dificuldades do país vizinho a governos de esquerda. Na avaliação de Milei, o Brasil ainda teria tempo para evitar um cenário semelhante caso promovesse uma mudança de rumo político.

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