Brasil dividido: eleição expõe desafio de unir o país
Lula venceu no Nordeste e Flávio levou Sul e Centro-Oeste; especialista aponta necessidade de governar para o centro e fortalecer instituições democráticas
Flavia Travassos
Com a definição da disputa presidencial nas urnas, o resultado eleitoral confirmou mais uma vez que o Brasil segue profundamente polarizado entre a direita e a esquerda. Em uma nação com mais de 214 milhões de habitantes, que ocupa a posição de quinto maior país em extensão territorial do mundo, o mapa da votação revelou contrastes sociais, econômicos e culturais que representam um dos maiores desafios políticos para os próximos anos.
Segundo o cientista político Renato Dorgan Filho, essa divisão não é fruto apenas do momento eleitoral, mas reflete fatores estruturais consolidados na sociedade brasileira, como diferenças de classe social, níveis de renda e valores familiares.
O desenho das urnas mostrou uma separação nítida na preferência regional do eleitorado, funcionando como se existissem múltiplos países dentro de um mesmo território.
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No Nordeste, única região do Brasil onde Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu vitorioso em todos os estados, o petista somou 24.450.432 votos. De acordo com Renato Dorgan Filho, a relação histórica com as políticas sociais explica essa fidelidade nas urnas:
"Ele tira muita gente da extrema miséria. Ali, essas pessoas saíram dessa condição. Então, tem uma gratidão. Tem uma gratidão muito presente", pontuou o especialista.
Por outro lado, o senador Flávio Bolsonaro (PL) venceu em todos os estados das regiões Sul e Centro-Oeste. No Sudeste, que concentra o maior Produto Interno Bruto (PIB) do país, o candidato alcançou cerca de 26,8 milhões de votos.
Para o cientista político, o resultado nas regiões mais industrializadas reflete outra perspectiva sobre o papel do poder público:
"O Sul e o Sudeste dependem menos do governo do ponto de vista econômico, e o governo muitas vezes cria traves para o desenvolvimento econômico em uma lógica liberal", avaliou.
Governar para o centro e superar a polarização
Diante de um país tão fragmentado, analistas políticos avaliam que o caminho para a estabilidade passa por uma mudança na condução política. Para conseguir governar com tranquilidade, Lula precisará dialogar diretamente com o centro e construir pontes com setores que não votaram em seu projeto, evitando adotar uma postura voltada exclusivamente para a manutenção da esquerda no poder.
A avaliação é de que o Executivo precisa ajustar a comunicação pública e priorizar pautas de consenso econômico e social que beneficiem os dois lados. Em seus primeiros pronunciamentos após o fechamento das urnas, o presidente reeleito deu sinais de ter absorvido a mensagem, defendendo que a disputa terminou e que governará para os 215 milhões de brasileiros.
Renato Dorgan Filho reforça que essa postura de conciliação é essencial para o respeito às regras do jogo democrático:
"A gente não tem mais adversário. Eu tenho que governar para 215 milhões. Ninguém é obrigado a gostar do presidente eleito, mas ele foi eleito para governar para todos. Ele foi eleito para governar com mais respeito à Constituição", destacou.
O papel do ambiente digital e o valor das instituições
Outro elemento decisivo na intensificação das divisões é a expansão contínua do ambiente digital. O consumo diário de conteúdos nas redes sociais aumentou o alcance das mensagens políticas, acelerou a formação de identidades partidárias e abriu espaço para narrativas que alimentam o confronto direto entre eleitores.
Para mitigar os efeitos da agressividade nas redes e evitar rupturas no tecido social, o especialista aponta que a saída histórica reside no equilíbrio republicano:
"É o fortalecimento das instituições democráticas, do Judiciário. O Judiciário tem que ser um Judiciário firme, da polícia, da Receita Federal. É a democracia que faz você aceitar as diferenças, as diversidades, para você construir um país como se fosse um só", concluiu o cientista político.
Brasil dividido: eleição expõe desafio de unir o paísLula venceu no Nordeste e Flávio levou Sul e Centro-Oeste; especialista aponta necessidade de governar para o centro e fortalecer instituições democráticasPolítica2026-10-27T01:15:27.528Z, o resultado eleitoral confirmou mais uma vez que o Brasil segue profundamente polarizado entre a direita e a esquerda. Em uma nação com mais de 214 milhões de habitantes, que ocupa a posição de quinto maior país em extensão territorial do mundo, o mapa da votação revelou contrastes sociais, econômicos e culturais que representam um dos maiores desafios políticos para os próximos anos. Segundo o cientista político Renato Dorgan Filho, essa divisão não é fruto apenas do momento eleitoral, mas reflete fatores estruturais consolidados na sociedade brasileira, como diferenças de classe social, níveis de renda e valores familiares. O desenho das urnas mostrou uma separação nítida na preferência regional do eleitorado, funcionando como se existissem múltiplos países dentro de um mesmo território. No Nordeste, única região do Brasil onde Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu vitorioso em todos os estados, o petista somou 24.450.432 votos. De acordo com Renato Dorgan Filho, a relação histórica com as políticas sociais explica essa fidelidade nas urnas: "Ele tira muita gente da extrema miséria. Ali, essas pessoas saíram dessa condição. Então, tem uma gratidão. Tem uma gratidão muito presente", pontuou o especialista. Por outro lado, o senador Flávio Bolsonaro (PL) venceu em todos os estados das regiões Sul e Centro-Oeste. No Sudeste, que concentra o maior Produto Interno Bruto (PIB) do país, o candidato alcançou cerca de 26,8 milhões de votos. Para o cientista político, o resultado nas regiões mais industrializadas reflete outra perspectiva sobre o papel do poder público: "O Sul e o Sudeste dependem menos do governo do ponto de vista econômico, e o governo muitas vezes cria traves para o desenvolvimento econômico em uma lógica liberal", avaliou. Governar para o centro e superar a polarização Diante de um país tão fragmentado, analistas políticos avaliam que o caminho para a estabilidade passa por uma mudança na condução política. Para conseguir governar com tranquilidade, Lula precisará dialogar diretamente com o centro e construir pontes com setores que não votaram em seu projeto, evitando adotar uma postura voltada exclusivamente para a manutenção da esquerda no poder. + A avaliação é de que o Executivo precisa ajustar a comunicação pública e priorizar pautas de consenso econômico e social que beneficiem os dois lados. Em seus primeiros pronunciamentos após o fechamento das urnas, o presidente reeleito deu sinais de ter absorvido a mensagem, defendendo que a disputa terminou e que governará para os 215 milhões de brasileiros. Renato Dorgan Filho reforça que essa postura de conciliação é essencial para o respeito às regras do jogo democrático: "A gente não tem mais adversário. Eu tenho que governar para 215 milhões. Ninguém é obrigado a gostar do presidente eleito, mas ele foi eleito para governar para todos. Ele foi eleito para governar com mais respeito à Constituição", destacou. + O papel do ambiente digital e o valor das instituições Outro elemento decisivo na intensificação das divisões é a expansão contínua do ambiente digital. O consumo diário de conteúdos nas redes sociais aumentou o alcance das mensagens políticas, acelerou a formação de identidades partidárias e abriu espaço para narrativas que alimentam o confronto direto entre eleitores. Para mitigar os efeitos da agressividade nas redes e evitar rupturas no tecido social, o especialista aponta que a saída histórica reside no equilíbrio republicano: "É o fortalecimento das instituições democráticas, do Judiciário. O Judiciário tem que ser um Judiciário firme, da polícia, da Receita Federal. É a democracia que faz você aceitar as diferenças, as diversidades, para você construir um país como se fosse um só", concluiu o cientista político. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/brasil-dividido-eleicao-expoe-desafio-de-unir-o-pais
Fernando Neisser critica demora do TSE em decidir sobre horário estendido e diz que anulação exigiria prova concreta de prejuízo ao equilíbrio eleitoral