Os telefonemas de ministros por trás da decisão de Zanin
Ligações entre ministros do STF e do TSE buscaram uma saída para cumprir a prorrogação da votação sem reabrir urnas já encerradas
Hariane Bittencourt
O ministro Cristiano Zanin durante sessão plenária do STF em 15 de setembro de 2026 | Foto: Rosinei Coutinho/STF
A decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), deprorrogar em duas horas a votação do segundo turnofoi precedida e sucedida por uma série de telefonemas entre integrantes da Corte e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A primeira ligação ocorreu pouco depois das 16h30 de domingo (25), após Zanin ser sorteado relator do pedido apresentado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) para estender o horário de votação em todo o país, das 17h para as 19h.
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Antes de decidir, por volta das 17h, Zanin telefonou para o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, e para o ministro Dias Toffoli. O objetivo era saber se a Justiça Eleitoral adotaria alguma medida para prorrogar a votação.
Ao concluir que o TSE não adotaria uma medida nesse sentido, Zanin determinou a extensão do horário.
Em outra ligação, Nunes Marques informou ao ministro que, como já passava das 17h, seria inviável reabrir as urnas eletrônicas que haviam sido encerradas.
Diante do impasse, o presidente do STF, Edson Fachin, entrou na conversa em uma chamada conjunta com Zanin e Nunes Marques. A tentativa era encontrar uma saída para cumprir a decisão sem comprometer a votação ou abrir brechas para futuros questionamentos.
Fachin sugeriu que a prorrogação fosse aplicada apenas nas seções eleitorais que ainda estivessem abertas, sem recorrer a alternativas, como a votação em papel, nos locais em que as urnas já haviam sido encerradas. Apesar do descontentamento de Nunes Marques, a solução foi aceita pelos envolvidos.
Às 17h49, Nunes Marques assinou um despacho determinando o cumprimento da decisão de Zanin nesses termos, em todo o país. Como a apuração dos votos havia começado às 17h, a contagem foi suspensa e só retomada após as 19h.
Como as medidas foram definidas em cima da hora, nem todos os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) conseguiram avisar os funcionários da Justiça Eleitoral a tempo. Com isso, diversas zonas eleitorais fecharam as portas às 17h, o que ajuda a explicar por que apenas cerca de 35 mil votos foram computados em todo o país entre 17h e 19h.
Apesar do consenso para viabilizar a decisão, Nunes Marques reconheceu o desgaste provocado pela medida em um pronunciamento à imprensa na noite de domingo.
“Não é uma decisão convencional, não é uma decisão que apenas se abre o contraditório. Prorrogar uma eleição é possível, mas ela tem que ser pensada. Ela tem que ser calculada e estruturada. Tudo foi inusitado”, disse.
Os telefonemas de ministros por trás da decisão de ZaninLigações entre ministros do STF e do TSE buscaram uma saída para cumprir a prorrogação da votação sem reabrir urnas já encerradasEleições2026-10-26T22:13:02.930ZA decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de foi precedida e sucedida por uma série de telefonemas entre integrantes da Corte e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A primeira ligação ocorreu pouco depois das 16h30 de domingo (25), após Zanin ser sorteado relator do pedido apresentado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) para estender o horário de votação em todo o país, das 17h para as 19h. Antes de decidir, por volta das 17h, Zanin telefonou para o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, e para o ministro Dias Toffoli. O objetivo era saber se a Justiça Eleitoral adotaria alguma medida para prorrogar a votação. Ao concluir que o TSE não adotaria uma medida nesse sentido, Zanin determinou a extensão do horário. Em outra ligação, Nunes Marques informou ao ministro que, como já passava das 17h, seria inviável reabrir as urnas eletrônicas que haviam sido encerradas. Diante do impasse, o presidente do STF, Edson Fachin, entrou na conversa em uma chamada conjunta com Zanin e Nunes Marques. A tentativa era encontrar uma saída para cumprir a decisão sem comprometer a votação ou abrir brechas para futuros questionamentos. Fachin sugeriu que a prorrogação fosse aplicada apenas nas seções eleitorais que ainda estivessem abertas, sem recorrer a alternativas, como a votação em papel, nos locais em que as urnas já haviam sido encerradas. Apesar do descontentamento de Nunes Marques, a solução foi aceita pelos envolvidos. Às 17h49, Nunes Marques assinou um despacho determinando o cumprimento da decisão de Zanin nesses termos, em todo o país. Como a apuração dos votos havia começado às 17h, a contagem foi suspensa e só retomada após as 19h. Como as medidas foram definidas em cima da hora, nem todos os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) conseguiram avisar os funcionários da Justiça Eleitoral a tempo. Com isso, diversas zonas eleitorais fecharam as portas às 17h, o que ajuda a explicar por que apenas . Apesar do consenso para viabilizar a decisão, Nunes Marques reconheceu o desgaste provocado pela medida em um pronunciamento à imprensa na noite de domingo. “Não é uma decisão convencional, não é uma decisão que apenas se abre o contraditório. Prorrogar uma eleição é possível, mas ela tem que ser pensada. Ela tem que ser calculada e estruturada. Tudo foi inusitado”, disse.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/eleicoes/os-telefonemas-de-ministros-por-tras-da-decisao-de-zanin
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