Tecnologia

Um ano de Trump no poder: ganhos bilionários e testes no Vale do Silício

Desde a volta de Trump à Casa Branca, bilionários do Vale do Silício tiveram ganhos históricos, choques fiscais e reveses políticos

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O presidente dos EUA, Donald Trump, durante coletiva de imprensa em seu resort Mar-a-Lago, em Palm Beach, na Flórida | Jonathan Ernst/Reuters - 03.01.2025
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Desde que tomou posse como presidente dos Estados Unidos há exatamente um ano, Donald Trump impulsionou um ambiente de crescimento para grandes empresas de tecnologia — ao mesmo tempo em que provocou rupturas estratégicas e choques bilionários.

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No ano passado, a Nvidia (NVDA) ultrapassou os US$ 5 trilhões em valor de mercado e a Alphabet, controladora do Google (GOOGL), registrou seu melhor desempenho acionário desde 2009.

Mas o saldo entre os magnatas do Vale do Silício foi desigual: enquanto alguns lucraram com alinhamento político e investimentos em inteligência artificial, outros enfrentaram sanções, perdas fiscais e retaliações presidenciais.

Nvidia e Alphabet dominam a cena

Jensen Huang, CEO da Nvidia, foi o principal beneficiado pelo novo ciclo de investimentos em infraestrutura de inteligência artificial. Após queda de quase 30% nas ações em abril do ano passado, devido a restrições de exportação de chips para a China, a empresa se recuperou e valorizou 56% até novembro. Em outubro de 2025, atingiu um marco inédito: US$ 5 trilhões em valor de mercado, tornando-se a companhia mais valiosa do planeta.

A Alphabet teve o melhor desempenho entre as gigantes. As ações subiram 65% em 2025, impulsionadas pela vitória judicial no caso antitruste que ameaçava dividir a empresa. A decisão favorável, emitida em setembro, gerou um salto de US$ 230 bilhões em seu valor de mercado.

A estratégia de reforço em IA — com os chips Ironwood e o modelo Gemini — consolidou a posição da companhia como referência em serviços baseados em nuvem e publicidade digital. O CEO Sundar Pichai tornou-se bilionário com a valorização.

Zuckerberg entre perdas e reações

A Meta alternou ganhos e perdas. Em janeiro, firmou um acordo de US$ 25 milhões para encerrar um processo de difamação movido por Trump. Pouco depois, anunciou um plano de investimento de US$ 600 bilhões em infraestrutura nos EUA, em linha com as prioridades da Casa Branca.

Mas, em outubro daquele ano, a empresa foi impactada por uma cobrança de US$ 16 bilhões em impostos criada pelo governo, o que derrubou as ações em 12,3% e causou uma perda de US$ 25 bilhões no patrimônio de Mark Zuckerberg. A empresa se recuperou no último trimestre, encerrando o ano com alta acumulada de 10%.

Apple negocia, Amazon recua

A Apple enfrentou pressão direta do protecionismo comercial de Trump.

Com mais de US$ 1 bilhão em custos atribuídos às tarifas sobre produtos chineses, o CEO Tim Cook adotou uma abordagem diplomática. Em agosto, anunciou um novo compromisso de US$ 100 bilhões em investimentos nos Estados Unidos e entregou ao presidente uma placa de vidro folheada a ouro. A estratégia evitou novas sanções e sinalizou alinhamento com a política industrial do governo, mas não foi suficiente para convencer o mercado: a Apple teve recuo de 0,78% em 2025.

Na Amazon, o desempenho mais estável, mas Jeff Bezos enfrentou tensão direta com Trump. Após tentar publicar os impactos das tarifas sobre os preços ao consumidor, sofreu pressão da Casa Branca e recuou. Mais tarde, anunciou a venda de US$ 4,8 bilhões em ações da empresa. Apesar do crescimento de 10,8% em valor de mercado no ano, Bezos viu sua fortuna pessoal cair cerca de US$ 30 bilhões.

Elon Musk rompe e perde

Elon Musk protagonizou a maior perda entre os magnatas da tecnologia. Inicialmente nomeado por Trump para liderar o Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), rompeu com o presidente em julho ao fundar um novo partido político, o America Party. A reação do mercado foi imediata: as ações da Tesla caíram 6,79% em um dia, apagando US$ 68 bilhões em valor de mercado.

A Tesla também registrou queda de 1% nas vendas anuais, a primeira retração desde que se tornou uma empresa de capital aberto. Sem exposição relevante à infraestrutura de IA e diante da saturação do mercado de veículos elétricos, a companhia terminou o ano com desempenho negativo. Musk perdeu mais de US$ 100 bilhões em patrimônio ao longo de 2025. Mesmo assim, caminha para uma riqueza histórica de US$ 800 bilhões em breve.

Conexões políticas como ativos

A principal lição de 2025 foi que, sob Trump, o relacionamento com o governo tornou-se determinante para o desempenho financeiro.

Sam Altman, da OpenAI, firmou parceria direta com a Casa Branca no projeto Stargate AI, de US$ 500 bilhões. Sundar Pichai elogiou publicamente o plano nacional de IA. Tim Cook reforçou a produção nacional. Zuckerberg reposicionou a Meta como braço estratégico da infraestrutura digital americana.

Já Musk, ao se opor ao presidente e lançar um partido concorrente, viu investidores e mercado reagirem com desconfiança. Sua trajetória demonstrou que, em um ambiente dominado por políticas industriais e tarifas, a previsibilidade política se tornou tão valiosa quanto a inovação tecnológica.

Com o S&P 500 em alta de 17,88% no ano, puxado pelas empresas de tecnologia e pela alta da inteligência artificial, 2025 consolidou a ideia de que o Vale do Silício, sob Trump, é um campo de disputa onde política e lucro tendem a caminhar lado a lado.

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