Empresas investem em IA para reduzir custos em produção de catálogos de moda em até 40%
Tecnologia substitui etapas tradicionais da moda em campanhas publicitárias


SBT News
Empresas do varejo de moda têm recorrido à inteligência artificial (IA) para reduzir custos e ganhar agilidade na produção de catálogos e campanhas publicitárias. Pela primeira vez no Brasil, a marca Reserva passou a utilizar avatares hiper-realistas gerados integralmente por IA como modelos, reduzindo em até 40% os gastos com fotos e vídeos de coleção.
A tecnologia foi desenvolvida pela plataforma nacional TESS AI e substitui etapas tradicionais da produção de moda, como contratação de modelos, locação de estúdios e logística de figurinos.
O uso de IA para criação de avatares hiper-realistas é novidade e raramente comunicado em campanhas no Brasil, internacionalmente a ideia já vêm sendo praticada por alguns gigantes do setor de vestuário. Em março de 2025, a varejista sueca H&M lançou uma ação publicitária com a modelo Mathilda Gvarliani, em que ela teve o corpo “escaneado" para que a empresa de tecnologia Uncut criasse uma réplica virtual da profissional.
Na campanha, Gvarliani posa de regata e calça jeans no retrato à esquerda e sua gêmea digital aparece na imagem, gerada por IA, na direta. "Ela é como eu, mas sem a fadiga de viagem", diz o slogan.

Em 2023, a Levi’s anunciou que investiria em modelos criados por IA, com o objetivo de ampliar a diversidade de corpos em suas peças publicitárias. Após críticas nas redes sociais e de profissionais do setor fashion, no entanto, a empresa afirmou que não reduziria a realização de ensaios fotográficos tradicionais.
O uso da tecnologia tem se concentrado, até o momento, em conteúdos de e-commerces e lookbooks comerciais. O resultado são produções mais rápidas, com custos reduzidos e maior versatilidade: os avatares podem ser vestidos digitalmente, aparecer em vídeos e até interagir em tempo real.
Em alguns casos, como no projeto da H&M, as modelos mantêm a propriedade de seus gêmeos digitais e recebem royalties a cada utilização. Em comunicado oficial, o diretor criativo da marca, Jörgen Andersson, afirmou que a iniciativa “oferece a oportunidade de aprimorar a narrativa e encontrar novas maneiras de conexão, nos mantendo fiéis ao estilo da H&M e centrados no ser humano”.
No novo processo utilizado pela Reserva, as peças são fotografadas em bonecos articulados, com fundo verde, que funcionam como a única etapa física da produção. A partir dessas imagens, a IA gera avatares com diferentes corpos, poses, tons de pele e expressões faciais.

Segundo a empresa, o sistema mantém padrões de realismo, diversidade e conformidade com normas corporativas. “Modelos sintéticos mudaram nossas regras do jogo. Ganhamos agilidade, diversidade de casting e liberdade criativa sem comprometer compliance”, afirma André Storari, gerente de produção executiva da Reserva.
Com o uso de modelos generativos e renderização 3D em nuvem, o tempo de produção dos catálogos da linha infantil da marca caiu de 21 para quatro dias. O sistema também simula iluminação, caimento dos tecidos e movimentos, entregando imagens e vídeos prontos para campanhas em poucos minutos.
Para Rica Barros, fundador e CEO da TESS AI, a iniciativa mostra o potencial da tecnologia nacional. “Nosso objetivo é transformar cada etapa da cadeia da moda em um processo guiado por inteligência artificial. A parceria com a Reserva demonstra que o Brasil já compete em nível global”, diz.









