Google vai usar histórico do Gmail e YouTube do usuário no Gemini
Novo recurso permite que o chatbot raciocine a partir de Gmail, Fotos, Busca e histórico do YouTube; estreia em beta nos EUA para assinantes pagos


Exame.com
O Google anunciou um dos avanços mais ambiciosos até agora para o Gemini: a chegada da chamada Personal Intelligence, uma camada de personalização que conecta o chatbot diretamente a dados do ecossistema do usuário, como Gmail, Google Fotos, Busca e histórico do YouTube.
A proposta é simples no discurso, mas ampla no impacto: permitir que o Gemini entregue respostas mais úteis ao raciocinar automaticamente sobre informações já existentes na conta do usuário, sem que seja necessário pedir explicitamente para "olhar" um app específico. O recurso é alimentado pelos novos modelos Gemini 3.
Não é a primeira personalização, mas é a mais profunda
Desde setembro de 2023, quando o Gemini ainda se chamava Bard, o Google já vinha testando integrações do chatbot com seus serviços. Também já existe hoje a capacidade de lembrar conversas anteriores.
A diferença agora está no nível de autonomia: com a Personal Intelligence, o sistema pode cruzar dados de diferentes fontes da conta do usuário por conta própria, algo que marca um salto em direção a assistentes realmente contextuais.
O exemplo mais detalhado foi compartilhado por Josh Woodward, vice-presidente do app Gemini, do Google Labs e do AI Studio. Segundo ele, ao perguntar ao Gemini o tamanho do pneu de uma minivan 2019, o chatbot não apenas encontrou a especificação, como:
- Sugeriu opções de pneus para uso diário e para todas as estações;
- Levou em conta viagens familiares identificadas no Google Fotos;
- Buscou avaliações e preços;
- Recuperou a placa do veículo a partir de uma foto;
- Identificou a versão exata do carro ao cruzar informações do Gmail.
Na prática, o Gemini atuou menos como um buscador e mais como um assistente pessoal que entende contexto.
Riscos reconhecidos pelo próprio Google
Woodward admite que, apesar de testes extensivos, o recurso ainda pode gerar:
- Respostas imprecisas;
- Excesso de personalização, conectando assuntos que não têm relação;
- Falhas de tempo e nuance, especialmente em mudanças de vida como divórcios ou interesses que variam ao longo do tempo.
Segundo o executivo, esses pontos já estão no radar da equipe e fazem parte do escopo de ajustes contínuos.
Privacidade, controle e "guardrails"
Na Personal Intelligence, o usuário escolhe quais aplicativos serão conectados ao Gemini. O Google afirma ter criado barreiras de proteção para temas sensíveis e diz que o chatbot evita fazer suposições proativas sobre dados como saúde, embora possa discutir essas informações se o usuário pedir.
Outro ponto enfatizado: o Gemini não treina diretamente com o conteúdo do Gmail ou do Google Fotos. O treinamento ocorre apenas com dados limitados, como os prompts feitos no Gemini e suas respostas.
Disponibilidade: por enquanto, limitada
O recurso estreia em beta, apenas nos Estados Unidos, para assinantes "elegíveis" dos planos Google AI Pro e AI Ultra, e somente para contas pessoais.
O Google afirma que pretende expandir a Personal Intelligence para outros países, para a versão gratuita do Gemini e também para o AI Mode da Busca "em breve".
No contexto da corrida por assistentes mais úteis e menos genéricos, a estratégia do Google deixa claro o caminho: menos respostas universais, mais contexto pessoal e com todos os desafios técnicos e éticos que isso inevitavelmente traz.








