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MP da Bolívia ordena prisão de Evo Morales por protestos

Ex-presidente é acusado de terrorismo, insurreição armada e outros crimes ligados a bloqueios de rodovias ocorridos entre maio e junho

A
Agência EFE
O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales | Reprodução

O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales | Reprodução

O Ministério Público da Bolívia ordenou, nesta quarta-feira (29), a prisão do ex-presidente Evo Morales por suposto envolvimento nos protestos e bloqueios de rodovias realizados entre maio e junho. As manifestações exigiam a renúncia do atual presidente, Rodrigo Paz.

A ordem inclui acusações de terrorismo, insurreição armada contra a segurança e a soberania do Estado, atentado contra a segurança dos meios de transporte, associação criminosa, incitação pública ao crime e atentado contra a segurança dos serviços públicos.

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Morales nega ter defendido a renúncia de Paz e afirma que as mobilizações tinham o objetivo de pressionar o governo a atender às reivindicações dos grupos envolvidos.

Bloqueios causaram desabastecimento e mortes

Durante sete semanas, trabalhadores rurais de La Paz e integrantes da Central Operária Boliviana, a COB, bloquearam rodovias principalmente no oeste e no centro do país. Os protestos tiveram apoio de grupos aliados de Morales.

Os bloqueios provocaram desabastecimento de alimentos, combustíveis e oxigênio hospitalar em várias cidades. Pelo menos 16 pessoas morreram, sendo 13 por falta de atendimento médico devido à interrupção do trânsito.

Os prejuízos econômicos causados pelas manifestações são estimados em mais de US$ 3 bilhões.

Denúncia também envolve líderes sindicais

A denúncia foi apresentada no início de julho por líderes cívicos de Santa Cruz, região mais populosa e principal motor econômico da Bolívia. Posteriormente, o ministro do Governo, Marco Antonio Oviedo, também se juntou à ação.

O processo inclui ainda Marco Argollo, principal dirigente da COB, e Vicente Salazar, líder dos camponeses de La Paz. Salazar está em prisão preventiva desde 6 de julho por causa de outra investigação relacionada aos mesmos fatos.

Em 20 de junho, após fechar acordos com setores como a COB, Paz decretou estado de exceção para liberar as rodovias. Na ocasião, a Polícia e as Forças Armadas foram mobilizadas para retirar os bloqueios e restabelecer a circulação.

Ex-presidente já é alvo de outro mandado

Morales permanece desde outubro de 2024 no Trópico de Cochabamba, seu reduto político e sindical, cercado por centenas de apoiadores que tentam impedir o cumprimento de um mandado de prisão relacionado a uma investigação sobre tráfico qualificado de pessoas.

O ex-presidente é acusado de ter mantido uma suposta relação com uma menor de idade, com quem teria tido uma filha enquanto ocupava a Presidência, em 2016.

Em maio, um tribunal da região sul de Tarija declarou Morales em rebeldia e expediu um novo mandado de prisão depois que ele não compareceu ao início do julgamento. A Polícia afirma que aguarda o momento adequado para cumprir a ordem.

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