Tecnologia

Como as redes sociais estão levando jovens a desafios perigosos e padrões extremos

Especialistas alertam para o avanço de “bolhas perigosas” e chamam atenção para o papel de adultos

Avatar de Camila Stucaluc
Camila Stucaluc
26/04/2026, 14:21 • Atualizado em 26/04/2026, 14:21
compartilhar
Como as redes sociais estão levando jovens a desafios perigosos e padrões extremos | Pexels

Como as redes sociais estão levando jovens a desafios perigosos e padrões extremos | Pexels

A influência das redes sociais sobre o comportamento de crianças e adolescentes nunca foi tão direta — e preocupante. Especialistas alertam para o avanço de “bolhas perigosas”, que incentivam desafios extremos, padrões irreais de beleza e discursos radicais.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

O impacto já é concreto. Segundo levantamento do Instituto DimiCuida, dedicado à conscientização sobre os riscos de desafios online, ao menos 56 crianças e adolescentes morreram no Brasil, na última década, em decorrência dessas práticas.

Casos recentes mostram que o fenômeno continua em alta. Desafios envolvendo sufocamento, ingestão de substâncias e uso indevido de medicamentos voltaram a circular com força entre jovens, impulsionados por dinâmicas de viralização e pertencimento digital. É o caso do “desafio do desodorante”, que, apenas no ano passado, provocou a morte de ao menos três meninas.

Para o psicólogo Filipe Colombini, especialista em orientação parental, o problema está diretamente ligado à lógica das plataformas. “Os algoritmos operam reforçando padrões de comportamento já existentes. Isso cria uma percepção distorcida de normalidade, em que conteúdos potencialmente prejudiciais passam a ser validados como aceitáveis ou até desejáveis”, explica.

Segundo ele, adolescentes estão entre os mais vulneráveis, justamente por estarem em fase de construção de identidade e em busca de validação social. “Nesse momento da vida, o jovem está tentando entender quem ele é e onde pertence. Quando passa a consumir conteúdos que incentivam desafios de risco ou padrões extremos, há uma tendência de incorporar essas referências como modelo de comportamento e até como ideal a ser alcançado.”

Além dos riscos físicos, o impacto na saúde mental também preocupa. Colombini explica que a exposição contínua a conteúdos que reforçam comparação, inadequação e pertencimento condicionado pode intensificar sentimentos de insuficiência e fragilidade emocional. “Não é apenas sobre o que se consome, mas sobre como isso reorganiza a forma como o indivíduo se percebe e interpreta o mundo”, frisa.

O especialista chama atenção para o papel de adultos nesse cenário. A recomendação é que o foco não esteja apenas no tempo de uso, mas também na qualidade do conteúdo e nas mudanças de comportamento. Isso porque, segundo Colombini, essas dinâmicas são muitas vezes silenciosas e passam despercebidas até que os impactos já estejam instalados.

“É fundamental compreender que esses ambientes não são neutros. Eles atuam diretamente na construção de valores, escolhas e relações. Desenvolver uma leitura mais crítica sobre esse contexto é essencial para mitigar riscos e promover saúde mental”, afirma o psicólogo.

Responsabilização das redes sociais

O alerta ocorre num contexto de movimento global de maior regulação das plataformas digitais. O objetivo é mitigar os danos causados pelas redes sociais, já que muitas crianças e jovens são expostos a “conteúdos prejudiciais” na internet.

A Austrália foi o primeiro país a proibir o uso de redes sociais por menores de 16 anos, exigindo que as empresas implementem mecanismos efetivos de verificação etária para impedir o cadastro de crianças e adolescentes abaixo dessa idade. A legislação atendeu uma petição online, que apontou que crianças "não estão prontas para navegar nas mídias com segurança" até pelo menos 16 anos.

Países como Espanha e Dinamarca também seguiram o exemplo, aprovando a proibição das plataformas para menores de 15 e 16 anos. A Flórida, nos Estados Unidos, fez o mesmo, mas restringindo o acesso para menores de 14 anos. Em Portugal, a proibição passa por uma votação no Parlamento, enquanto, no Reino Unido, os deputados estudam novos regulamentos de segurança.

No Brasil, o governo federal sancionou o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), que amplia a proteção de menores de idade nas redes sociais. A lei é a primeira no país a propor regras e punições aplicáveis às plataformas digitais que infringirem os direitos desse público.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Exportação do Brasil cresce 7,1% no primeiro trimestre

Exportação do Brasil cresce 7,1% no primeiro trimestre

Imagem da notícia: Harry Kane abre placar na Copa e iguala Beckham em jogos

Harry Kane abre placar na Copa e iguala Beckham em jogos

Imagem da notícia: Comissão aprova MP do Frete após acordo com o governo

Comissão aprova MP do Frete após acordo com o governo

Imagem da notícia: Daveigh Chase, atriz de “O Chamado”, morre aos 35 anos

Daveigh Chase, atriz de “O Chamado”, morre aos 35 anos

Imagem da notícia: Exportação do Brasil cresce 7,1% no primeiro trimestre

Exportação do Brasil cresce 7,1% no primeiro trimestre

Imagem da notícia: Harry Kane abre placar na Copa e iguala Beckham em jogos

Harry Kane abre placar na Copa e iguala Beckham em jogos

Imagem da notícia: Comissão aprova MP do Frete após acordo com o governo

Comissão aprova MP do Frete após acordo com o governo

Imagem da notícia: Daveigh Chase, atriz de “O Chamado”, morre aos 35 anos

Daveigh Chase, atriz de “O Chamado”, morre aos 35 anos

Últimas notícias

Brasil ganha a Copa quando está desacreditado, diz Lula

Presidente fez rápido comentário no encerramento do G7 sobre empate da seleção na estreia contra Marrocos

Nunes diz que instalará câmeras para barrar rope jump em SP

Mesmo proibidos, saltos seguem sendo oferecidos no viaduto Sumaré

Tarcísio chama de injusta condenação de Eduardo Bolsonaro

Apesar da crítica, governador de São Paulo diz que caso não impacta planos eleitorais da direita em SP; ex-deputado é cotado para suplente de André do Prado

Defesa pede homicídio culposo em caso de rope jump

Advogados de dois dos instrutores investigados contestam classificação de dolo eventual por morte de jovem e dizem que houve negligência, mas não indiferença

Bolsonaro: defesa admite arma e diz que estava inoperante

Em resposta ao ministro Alexandre de Moraes, advogados dizem que arma era regular e que retirada de peça a tornou inoperante; STF pediu explicações

Lula diz a chefe do FMI que 'nunca foi esquerdista'; veja

Fala aconteceu durante conversa informal na cúpula do G7, na França; presidente afirmou que o mundo segue o 'caminho do meio'