'A esperança ainda existe?': Peça em SP emociona com reflexão profunda sobre o Brasil
Em cartaz no Teatro Vivo, “A esperança na caixa de chicletes Ping Pong”, interpretado por Clarice Niskier, mistura teatro e música popular brasileira

Paula Rodrigues
Tudo começa com uma lembrança simples: uma caixa de chicletes ping pong.
Na infância, a atriz Clarice Niskier guardava ali pequenas “esperanças”, nome dado, no Rio de Janeiro, a um inseto. O gesto, quase lúdico, atravessa o tempo e se transforma no ponto de partida de um espetáculo que fala sobre algo muito maior: como seguir acreditando.
No palco, essa memória ganha outra dimensão. Vira metáfora e pergunta.

Um relato afetivo do Brasil
Inspirado na obra de Zeca Baleiro, o espetáculo mistura teatro e música para construir uma espécie de crônica poética do Brasil. A apresentação conta com 45 canções costuradas a relatos pessoais, pensamentos e referências culturais que ajudam a compor um país múltiplo, feito de contradições, mas também de vínculos, afeto e criatividade.
A peça nasce de uma inquietação íntima: responder ao próprio filho porquê, mesmo diante das dificuldades, ainda vale a pena permanecer no Brasil. Mais do que buscar uma resposta, o espetáculo propõe um olhar.
Ao longo da montagem, a música popular brasileira aparece como um fio condutor, não apenas de forma estética, mas também emocional.
Por meio das canções é que o espetáculo encontra respiro, constrói sentido e reforça a ideia de pertencimento. Um repertório que atravessa gerações e funciona como uma espécie de âncora em tempos de instabilidade.
No palco, música e palavra caminham juntas para traduzir sentimentos que muitas vezes não cabem em explicações simples. +Hopi Pride 2026 acontece neste sábado (25); veja as atrações + Tomorrowland anuncia pré-evento em SP com show de Alok; veja ingressos e data
Teatro como espaço de encontro
Mais do que contar uma história, "A esperança na caixa de chicletes ping pong" convida o público a participar de uma experiência. Um espetáculo que se constrói no encontro, entre artista e plateia, memória e presente. Sobre o que foi vivido e o que ainda pode ser reinventado.
Ao invés de respostas prontas, a peça oferece fragmentos. Pequenos pedaços de sentido que cada espectador reorganiza à sua maneira. Quase uma colcha de retalhos a ser costurada por quem se propõe à reflexão.
É sobre um Brasil real, atravessado por desafios, mas também por uma força difícil de explicar, aquela que aparece no cotidiano, nos encontros, nas pequenas resistências, no olho no olho do brasileiro, naquele orgulho guardado à sete chaves.
E talvez seja justamente aí que mora a pergunta central da peça: o que ainda nos faz ficar?

"A ESPERANÇA NA CAIXA DE CHICLETES PING PONG"
Teatro Vivo - Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460 - Vila Cordeiro, São Paulo - SP
Em cartaz: até 7 de junho de 2026 - Sextas e sábados, às 20h | Domingos, às 18h
Ingressos: R$ 140 (inteira) | R$ 70 (meia) - Vendas: Sympla - clique aqui
Classificação: 16 anos (menores acompanhados podem entrar)









