Cientistas revelam órgãos de réptil de 245 milhões de anos
Descoberta do mais antigo sistema digestivo completo do mundo fóssil reescreve a história da evolução dos répteis e das grandes criaturas que dominaram a Terra
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Guilherme Latorre
Fóssil de réptil marítimo de 254 milhões de anos | Foto: divulgação/Wei Wang
Cientistas da China, Europa e Estados Unidos reveleram os órgãos de um réptil marinho que viveu há 245 milhões de anos no país asiático. Isso só foi possível porque o fóssil da espécieAustronaga minuta estava quase perfeitamente preservado quando foi encontrado.
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Mas existem duas questões fascinantes que essa descoberta ajudou a responder: como um réptil de linhagem terrestre desenvolveu técnicas tão complexas para viver na água e o que o interior do seu corpo revela sobre o caminho evolutivo dos dinossauros e crocodilos que conhecemos hoje?
O animal em questão tinha apenas 60 centímetros de comprimento, mas exibia um pescoço e uma cauda surpreendentemente longos. Ele era altamente adaptado à vida aquática, usando a cauda comprida para se impulsionar e as patas dianteiras, que pareciam nadadeiras alongadas, para dar direção e estabilidade na água, enquanto as patas traseiras eram bastante reduzidas e quase não tinham papel na natação.
Reconstituição do Austronaga minuta | Criação: Gabriel Ugueto
A grande surpresa científica é que, apesar desse estilo de nado, o Austronaga não era parente próximo de répteis marinhos famosos, como os ictiossauros ou os gigantescos mosassauros.
Na verdade, ele era um parente muito próximo dos arcossauros terrestres, o grupo que engloba os jacarés, crocodilos e os próprios dinossauros. "Os arcossauros e seus ancestrais eram o grupo mais diverso de répteis na terra durante a era dos dinossauros, mas sempre pensamos que a sua adaptação à vida no mar fosse limitada. No entanto, a descoberta do Austronaga mostra que representantes antigos desta linhagem já haviam desenvolvido adaptações complexas para a vida nos oceanos, comparáveis às de outros grupos mais conhecidos de répteis marinhos fósseis" disse o paleontólogo Dr. Stephan Spiekman, do Museu Estadual de História Natural de Stuttgart Para desvendar os segredos ocultos entre as costelas do fóssil, os cientistas avistaram uma região escura e usaram tecnologias de ponta, incluindo fotografia sob luz ultravioleta (UV) e espectrometria de massa.
O resultado revelou o mais antigo sistema digestivo preservado de um réptil na história da ciência, expondo órgãos incrivelmente conservados. Eles identificaram um grande estômago em formato de bolsa na parte frontal, seguido por um fígado avermelhado onde ainda foi possível detectar traços de hemoglobina, além de um canal simples que formava os intestinos delgado e grosso.
Embora o corpo do animal fosse altamente especializado para a água, o Dr. Wei Wang, especialista em répteis marinhos de Pequim, aponta que seus órgãos internos eram menos modificados e apresentavam uma estrutura relativamente simples. “A disposição geral mostra que o sistema digestivo do Austronaga tinha uma estrutura relativamente simples.
Este fóssil é o exemplo mais antigo conhecido de um sistema digestivo amplamente completo em um réptil". Olhar para as entranhas do Austronaga Minuta nos permite decifrar o mapa de como a própria vida evoluiu e se diversificou. Por exemplo, enquanto as aves e os crocodilos modernos possuem um estômago complexo dividido em duas partes, o Austronaga tinha apenas uma única câmara estomacal.
"Isso mostra que os estômagos dos arcossauros eram inicialmente bastante simples e só evoluíram mais tarde no processo evolutivo". Disse o Dr. Nick Fraser, coautor do estudo.
Além disso, o trato digestivo curto e descomplicado da criatura é idêntico ao dos répteis que comem peixes hoje em dia, conectando os hábitos alimentares do passado profundo com a biologia das espécies contemporâneas.
Cientistas revelam órgãos de réptil de 245 milhões de anosDescoberta do mais antigo sistema digestivo completo do mundo fóssil reescreve a história da evolução dos répteis e das grandes criaturas que dominaram a TerraMundo2026-07-30T12:38:30.344ZCientistas da China, Europa e Estados Unidos reveleram os órgãos de um réptil marinho que viveu há 245 milhões de anos no país asiático. Isso só foi possível porque o fóssil da espécie Austronaga minuta estava quase perfeitamente preservado quando foi encontrado. 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! e siga o canal do SBT News. Mas existem duas questões fascinantes que essa descoberta ajudou a responder: como um réptil de linhagem terrestre desenvolveu técnicas tão complexas para viver na água e o que o interior do seu corpo revela sobre o caminho evolutivo dos dinossauros e crocodilos que conhecemos hoje? + O animal em questão tinha apenas 60 centímetros de comprimento, mas exibia um pescoço e uma cauda surpreendentemente longos. Ele era altamente adaptado à vida aquática, usando a cauda comprida para se impulsionar e as patas dianteiras, que pareciam nadadeiras alongadas, para dar direção e estabilidade na água, enquanto as patas traseiras eram bastante reduzidas e quase não tinham papel na natação. A grande surpresa científica é que, apesar desse estilo de nado, o Austronaga não era parente próximo de répteis marinhos famosos, como os ictiossauros ou os gigantescos mosassauros. Na verdade, ele era um parente muito próximo dos arcossauros terrestres, o grupo que engloba os jacarés, crocodilos e os próprios dinossauros. "Os arcossauros e seus ancestrais eram o grupo mais diverso de répteis na terra durante a era dos dinossauros, mas sempre pensamos que a sua adaptação à vida no mar fosse limitada. No entanto, a descoberta do Austronaga mostra que representantes antigos desta linhagem já haviam desenvolvido adaptações complexas para a vida nos oceanos, comparáveis às de outros grupos mais conhecidos de répteis marinhos fósseis" disse o paleontólogo Dr. Stephan Spiekman, do Museu Estadual de História Natural de Stuttgart Para desvendar os segredos ocultos entre as costelas do fóssil, os cientistas avistaram uma região escura e usaram tecnologias de ponta, incluindo fotografia sob luz ultravioleta (UV) e espectrometria de massa. O resultado revelou o mais antigo sistema digestivo preservado de um réptil na história da ciência, expondo órgãos incrivelmente conservados. Eles identificaram um grande estômago em formato de bolsa na parte frontal, seguido por um fígado avermelhado onde ainda foi possível detectar traços de hemoglobina, além de um canal simples que formava os intestinos delgado e grosso. Embora o corpo do animal fosse altamente especializado para a água, o Dr. Wei Wang, especialista em répteis marinhos de Pequim, aponta que seus órgãos internos eram menos modificados e apresentavam uma estrutura relativamente simples. “A disposição geral mostra que o sistema digestivo do Austronaga tinha uma estrutura relativamente simples. + Este fóssil é o exemplo mais antigo conhecido de um sistema digestivo amplamente completo em um réptil". Olhar para as entranhas do Austronaga Minuta nos permite decifrar o mapa de como a própria vida evoluiu e se diversificou. Por exemplo, enquanto as aves e os crocodilos modernos possuem um estômago complexo dividido em duas partes, o Austronaga tinha apenas uma única câmara estomacal. "Isso mostra que os estômagos dos arcossauros eram inicialmente bastante simples e só evoluíram mais tarde no processo evolutivo". Disse o Dr. Nick Fraser, coautor do estudo. Além disso, o trato digestivo curto e descomplicado da criatura é idêntico ao dos répteis que comem peixes hoje em dia, conectando os hábitos alimentares do passado profundo com a biologia das espécies contemporâneas.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/cientistas-revelam-orgaos-de-reptil-de-245-milhoes-de-anos