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Crianças de Gaza voltam às aulas presenciais após três anos

Durante a guerra, 98% das escolas do território foram destruídas ou danificadas por ataques israelenses

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André de Sena, com informações da Reuters
Crianças palestinas no primeiro dia de aula em escola mantida pela  UNRWA (Agência das Nações Unidas para Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo) em Nuseirat, na Faixa de Gaza | Mahmoud Issa/Reuters

Crianças palestinas no primeiro dia de aula em escola mantida pela UNRWA (Agência das Nações Unidas para Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo) em Nuseirat, na Faixa de Gaza | Mahmoud Issa/Reuters

Neste sábado (19), centenas de milhares de crianças e adolescentes palestinos voltaram às aulas presenciais na Faixa de Gaza pela primeira vez em quase três anos. Por conta dos estragos causados pelos ataques palestinos, grande parte dos jovens terão que estudar em prédios escolares danificados ou em tendas improvisadas.

De acordo com o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), 98% das escolas de Gaza foram destruídas ou danificadas durante a guerra. Segundo as autoridades educacionais palestinas, esse cenário levou 660 mil alunos a serem privados do ensino presencial e da participação regular na educação.

“Estudávamos nos celulares e não víamos nossos professores. Agora, estamos de volta, perseguindo nosso sonho... de uma barraca para outra”, disse a aluna Samar Abu Salmi, de 15 anos, falando no pátio de sua nova escola improvisada.
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A adolescente, que mora com a família em uma barraca, não tem acesso a grande parte do material escolar. “Antes da guerra, tudo estava ao nosso alcance — cadernos, canetas, produtos, roupas, passeios, coisas que podíamos comprar por um preço baixo”, lembrou.

O comerciante de artigos de papelaria Khaled Aliyan, de 30 anos, afirmou que as restrições de importação impostas por Israel reduziram o abastecimento e elevaram os preços. “Este caderno, que costumava custar 3 shekels (US$ 1), agora custa 15 (shekels). Todos os artigos de papelaria estão caros”, explicou.

Segundo Ibrahim Ramadan, diretor de educação de Khan Younis Oriental, os ataques israelenses mataram cerca de 22 mil alunos e mais de 770 profissionais da educação, incluindo 532 professores.

Apoio internacional

Mesmo diante desse cenário, o Ministério da Educação, com o apoio de organizações internacionais e locais, deu continuidade ao ano letivo de 2026-2027, construindo dezenas de escolas temporárias feitas de barracas, lonas, chapas de metal e madeira. Algumas foram construídas sobre solo arenoso, outras possuem salas de aula apenas com um quadro negro e alguns colchões para acomodar os alunos. Além disso, parte delas abriga dezenas de famílias deslocadas.

“Costumávamos acordar felizes para ir à escola. Agora, quando chegamos, temos medo de balas perdidas, foguetes, ataques, tudo”, disse o estudante Yamen Abu Samra, de 14 anos. “Agora, estou sentado em uma barraca que não tem absolutamente nada, apenas o sol e o calor”, acrescentou.

As autoridades da área da educação estimam que 540 mil alunos frequentem as aulas presenciais neste ano letivo. O ensino à distância continuará para aqueles que não conseguem comparecer nos prédios improvisados.

Apesar do cessar-fogo firmado em outubro de 2025, as forças israelenses continuam controlando mais de 60% de Gaza. As autoridades palestinas afirmam que mais de 73 mil pessoas foram mortas.

A agência militar israelense Cogat, que controla o acesso a Gaza, não comentou sobre os ataques que dificultam o abastecimento das escolas. Israel acusa o Hamas de usar os prédios onde ficam as salas de aula para fins militares, o que os palestinos negam.

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