Zelensky acusa Rússia de 'terrorismo nuclear' no 40º aniversário da catástrofe de Chernobyl
Presidente ucraniano relembrou ataques contra usinas e afirmou que invasão russa está levando o mundo à beira de um desastre nuclear


Camila Stucaluc
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, acusou a Rússia de "terrorismo nuclear" em decorrência dos ataques contra usinas nucleares no país, ocorridos em meio à guerra. A declaração foi dada neste domingo (26), dia em que o desastre nuclear da usina de Chernobyl completa 40 anos.
“O que a Rússia está fazendo, a forma como está travando essa guerra, é uma catástrofe. A Rússia está mais uma vez levando o mundo à beira de um desastre provocado pelo homem. O mundo não pode permitir que esse terrorismo nuclear continue, e a melhor maneira é obrigar a Rússia a interromper seus ataques imprudentes”, disse Zelensky.
O desastre da usina de Chernobyl ocorreu em 1986. Naquele ano, um teste inadequado de baixa potência saiu de controle e causou uma explosão no reator 4, liberando grandes quantidades de radiação e matando 31 pessoas de imediato. Outras milhares morreram ao longo dos anos devido à Síndrome Aguda da Radiação (SAR).
Atualmente, a usina de Chernobyl está em fase de desativação — processo que envolve a remoção e eliminação do combustível e dos resíduos, bem como a descontaminação da área. Desde o início da guerra na Ucrânia, no entanto, a instalação vem sendo um dos alvos das tropas russas, com ataques capazes de prejudicar o funcionamento do local.
Em fevereiro de 2025, por exemplo, o chamado “Novo Confinamento Seguro” (NSC), escudo protetor construído em volta do reator 4 da usina para conter a radiação, foi danificado por um bombardeio de drone. O incidente mobilizou equipes técnicas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que realizaram reparos temporários para evitar o vazamento da radiação.
Além de Chernobyl, a Ucrânia possui outras seis usinas nucleares, como a de Zaporizhzhia, que também já foi alvo de ataques russos durante a guerra. Zelensky classificou os bombardeios como “ameaça à segurança global”, reforçando que um desastre nuclear não atingiria só a Ucrânia, mas também outros países europeus.
“Quarenta anos se passaram desde o desastre de Chernobyl. Agora temos novas ameaças, tanto por causa do que a Rússia está fazendo com nossa usina nuclear de Zaporizhzhya. Em 2022, os russos chegaram a Chernobyl, ocuparam nossa usina e a transformaram em trampolim para sua guerra. O terror e a instabilidade que a Rússia está trazendo para a população é uma catástrofe”, disse o presidente ucraniano.








