Queda da patente de Ozempic e Wegovy: especialista explica impactos no acesso ao medicamento
Fim da exclusividade da substância semaglutida pode ampliar oferta e reduzir os preços do medicamento, que deve ser usado com prescrição médica

Naiara Ribeiro
A patente da semaglutida, princípio ativo de medicamentos como Ozempic e Wegovy, caiu nesta sexta-feira (20). A substância é usada no tratamento do diabetes tipo 2 e ganhou popularidade também pelo uso no emagrecimento.
Com o fim da exclusividade, outras farmacêuticas passam a poder produzir versões genéricas das chamadas "canetas emagrecedoras". A expectativa é de aumento da oferta, maior disponibilidade e redução de preços no mercado.
Em entrevista ao News Primeira Edição, o presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Newton Dornelas, afirma que por vezes há confusão no uso dos termos, em meio à discussão sobre quebra de patentes de medicamentos. Segundo ele, no caso da semaglutida, trata-se do fim do prazo de exclusividade. “Não se trata de uma quebra, embora o sinônimo seja bem parecido. Isso é uma queda, ou seja, expirou o prazo de exclusividade. Nesse caso, o período chegou ao fim e a patente deixa de valer”, afirma.
Ele explica que o impacto vai além da redução de preços e pode melhorar o acesso ao medicamento. “Isso provavelmente vai melhorar em termos de preço, mas há também a questão da disponibilidade. Nós tivemos problemas em alguns momentos, inclusive por uso em pessoas sem indicação, o que gerou falhas no abastecimento. Com mais opções no mercado, a tendência é ampliar o acesso e garantir a oferta”, diz.
A mudança também pode abrir caminho para a distribuição pelo sistema público. Segundo Dornelas, "isso pode permitir o acesso via Estado, via SUS. É uma possibilidade que já vem sendo sinalizada, o que ampliaria o acesso ao tratamento”.
Orientação médica
Por outro lado, o cenário acende um alerta para o uso sem orientação médica. Com preços mais baixos e maior oferta, cresce o risco de uso inadequado, algo que já vinha sendo observado mesmo durante o período de exclusividade.
“Com mais disponibilidade e preço mais acessível, a gente pode até reduzir o mercado paralelo. Mas é fundamental lembrar que é um medicamento que exige prescrição. Precisa ser fabricado por empresas registradas, prescrito por médicos e comercializado em locais autorizados. E o paciente precisa ter essa consciência de usar produtos regulamentados, com segurança”, reforça o presidente da SBEM.








