Política

Viagem de Lula à Índia terá assinatura de acordo sobre minerais críticos e debate sobre IA

Agenda começa na próxima terça-feira (17); acordos nas áreas de saúde e infraestrutura digital também devem ser firmados

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Hariane Bittencourt
O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi (à esquerda), e o presidente Lula (à direita) durante encontro em julho de 2025 | Ricardo Stuckert/PR

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi (à esquerda), e o presidente Lula (à direita) durante encontro em julho de 2025 | Ricardo Stuckert/PR

O governo brasileiro se prepara para firmar um acordo sobre minerais críticos com a Índia. O documento será assinado durante a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao país asiático, que se inicia na próxima terça-feira (17).

A iniciativa trata de um memorando de entendimento para marcar o primeiro passo de um processo de cooperação exploratória entre os dois países, com termos do ponto de vista operacional.

Do lado brasileiro, o documento de intenções será assinado pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que comanda o Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM), criado oficialmente em outubro do ano passado.

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No momento em que os minerais críticos, incluindo as terras raras, estão no centro de uma série de negociações geopolíticas, a expectativa do Palácio do Planalto é que o acordo inaugure um processo de diálogo entre Brasil e Índia, criando mecanismos para que ambos os governos compartilhem experiências e perspectivas sobre o assunto.

O Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, perdendo apenas para a China. Apesar disso, ainda enfrenta diversas limitações nas etapas de beneficiamento, processamento e refino desses materiais.

Essenciais para a transição energética e para altas tecnologias, os minerais críticos são necessários para a produção de itens como motores elétricos, turbinas eólicas, baterias e semicondutores.

Por seu caráter indispensável, os minerais críticos compõem a mesa de discussões entre Brasil e Estados Unidos, em meio às negociações sobre o tarifaço. O tema, inclusive, deve ser discutido durante a viagem do presidente brasileiro aos Estados Unidos em março, em data ainda a ser definida.

Na quarta-feira (11), o secretário assistente de Estado para Assuntos Econômicos, Energéticos e Empresariais dos Estados Unidos, Caleb Orr, disse que a Casa Branca considera o Brasil um “parceiro essencial” quando o assunto é a exploração de minerais críticos.

"Os Estados Unidos consideram o Brasil um parceiro essencial em minerais críticos, tanto pelas imensas reservas naturais brasileiras desses minerais, quanto pela sofisticação e diversificação da economia do país", afirmou Orr a jornalistas.

Cúpula sobre inteligência artificial

Também durante a viagem oficial à Índia, que se encerra no sábado (21), Lula participará de uma cúpula internacional sobre inteligência artificial (IA). A participação do petista na AI Impact Summit está marcada para quinta-feira (19), quando ele irá discursar na plenária de alto nível, após a abertura do encontro. Essa será a primeira vez que um presidente brasileiro participa de um evento global de alto nível sobre IA.

Em seu discurso, Lula deve defender o acesso democrático à inteligência artificial, de modo que os países mais pobres não fiquem apartados dos debates e do acesso às novas tecnologias. Também deve defender o uso da IA para a promoção do multilateralismo e da soberania nacional, condenando o uso para fins criminosos.

Os dias 20 e 21 de fevereiro serão dedicados à visita de Estado. Essa será a quarta vez que Lula e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, se encontram. Os dois falaram por telefone no mês passado.

Ao final do encontro, está prevista uma declaração conjunta de Brasil e Índia que abordará temas como a situação em Gaza, mudanças no Conselho de Segurança das Nações Unidas e comércio internacional.

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