Viagem de Lula à Índia terá assinatura de acordo sobre minerais críticos e debate sobre IA
Agenda começa na próxima terça-feira (17); acordos nas áreas de saúde e infraestrutura digital também devem ser firmados


Hariane Bittencourt
O governo brasileiro se prepara para firmar um acordo sobre minerais críticos com a Índia. O documento será assinado durante a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao país asiático, que se inicia na próxima terça-feira (17).
A iniciativa trata de um memorando de entendimento para marcar o primeiro passo de um processo de cooperação exploratória entre os dois países, com termos do ponto de vista operacional.
Do lado brasileiro, o documento de intenções será assinado pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que comanda o Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM), criado oficialmente em outubro do ano passado.
No momento em que os minerais críticos, incluindo as terras raras, estão no centro de uma série de negociações geopolíticas, a expectativa do Palácio do Planalto é que o acordo inaugure um processo de diálogo entre Brasil e Índia, criando mecanismos para que ambos os governos compartilhem experiências e perspectivas sobre o assunto.
O Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, perdendo apenas para a China. Apesar disso, ainda enfrenta diversas limitações nas etapas de beneficiamento, processamento e refino desses materiais.
Essenciais para a transição energética e para altas tecnologias, os minerais críticos são necessários para a produção de itens como motores elétricos, turbinas eólicas, baterias e semicondutores.
Por seu caráter indispensável, os minerais críticos compõem a mesa de discussões entre Brasil e Estados Unidos, em meio às negociações sobre o tarifaço. O tema, inclusive, deve ser discutido durante a viagem do presidente brasileiro aos Estados Unidos em março, em data ainda a ser definida.
Na quarta-feira (11), o secretário assistente de Estado para Assuntos Econômicos, Energéticos e Empresariais dos Estados Unidos, Caleb Orr, disse que a Casa Branca considera o Brasil um “parceiro essencial” quando o assunto é a exploração de minerais críticos.
"Os Estados Unidos consideram o Brasil um parceiro essencial em minerais críticos, tanto pelas imensas reservas naturais brasileiras desses minerais, quanto pela sofisticação e diversificação da economia do país", afirmou Orr a jornalistas.
Cúpula sobre inteligência artificial
Também durante a viagem oficial à Índia, que se encerra no sábado (21), Lula participará de uma cúpula internacional sobre inteligência artificial (IA). A participação do petista na AI Impact Summit está marcada para quinta-feira (19), quando ele irá discursar na plenária de alto nível, após a abertura do encontro. Essa será a primeira vez que um presidente brasileiro participa de um evento global de alto nível sobre IA.
Em seu discurso, Lula deve defender o acesso democrático à inteligência artificial, de modo que os países mais pobres não fiquem apartados dos debates e do acesso às novas tecnologias. Também deve defender o uso da IA para a promoção do multilateralismo e da soberania nacional, condenando o uso para fins criminosos.
Os dias 20 e 21 de fevereiro serão dedicados à visita de Estado. Essa será a quarta vez que Lula e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, se encontram. Os dois falaram por telefone no mês passado.
Ao final do encontro, está prevista uma declaração conjunta de Brasil e Índia que abordará temas como a situação em Gaza, mudanças no Conselho de Segurança das Nações Unidas e comércio internacional.









