Medo de bolha da IA abala parte da Ásia, mas favorece Índia e até o Brasil
Índia desponta como uma das apostas mais atraentes fora do universo da IA; Brasil aparece como alternativa defensiva


Exame.com
O aumento do receio em torno da inteligência artificial não abalou apenas as ações americanas nesta semana. O movimento também atingiu os mercados emergentes que vinham se beneficiando do ciclo de investimentos das big techs em IA — sobretudo na Ásia. Ainda assim, parte do universo emergente começa a ser vista como proteção em um cenário de maior aversão a risco.
Com a liquidação nos Estados Unidos, ETFs de mercados emergentes passaram a registrar quedas relevantes. O iShares MSCI Emerging Markets recuou 2,5% na semana, enquanto os fundos atrelados a Taiwan, Coreia do Sul e China caíram 1,6%, 4,7% e 5%, respectivamente.
Embora o chamado trade de IA seja frequentemente associado a empresas americanas, ele também tem peso relevante em mercados emergentes — em especial nos polos asiáticos de tecnologia. Isso acontece porque a IA exige uma base de infraestrutura, e China, Coreia do Sul e Taiwan concentram áreas muito intensivas em tecnologia que sustentam esse crescimento, segundo Stacie Mintz, diretora-gerente e chefe de ações quantitativas da PGIM Quantitative Solutions, à Barron's.
Índia fora do eixo da IA
Mas os mercados emergentes vão além do Leste Asiático. Para gestores consultados pela revista americana, a Índia desponta como uma das apostas mais atraentes fora do universo da IA. Segundo Kunal Desai, gestor e especialista em emergentes da GIB Asset Management, o país tem fundamentos próprios e deve se recuperar após desempenho mais fraco em 2025.
Estimativas do FactSet indicam que o lucro por ação do iShares MSCI India ETF deve crescer 16% em 2026 e mais 15% em 2027. Embora empresas como Infosys e Tata Consultancy Services tenham sido afetadas pela recente correção, o mercado indiano segue sustentado por consumo doméstico, investimentos em infraestrutura e crescimento liderado por serviços.
Outro vetor estrutural são os acordos comerciais firmados recentemente com Estados Unidos e União Europeia, que reduzem tarifas sobre produtos indianos. Segundo Desai, do ponto de vista do mercado acionário, o maior acesso à Europa tende a beneficiar de forma desproporcional empresas indianas listadas localmente com ambições globais. O gestor citou setores como industriais, farmacêuticas, químicos especializados e alguns exportadores de consumo.
Brasil como hedge mais barato
O Brasil também aparece como alternativa defensiva ao recuo do trade de IA — e com avaliação mais baixa. O iShares MSCI Brazil ETF negocia a 10,6 vezes o lucro esperado para os próximos 12 meses, abaixo das 21,7 vezes do ETF da Índia e das 22,8 vezes do S&P 500.
Além disso, o mercado brasileiro tem menor exposição a tecnologia. A bolsa local é mais concentrada em instituições financeiras e commodities, setores menos sensíveis às oscilações do ciclo de investimentos em IA. Para gestores globais, essa composição torna o país uma proteção relativa em momentos de correção dos ativos ligados à tecnologia.
Com a volatilidade ganhando força nos Estados Unidos, o movimento reforça uma mudança de foco entre investidores: menos concentração em tecnologia e maior busca por mercados emergentes com fundamentos domésticos e valuations mais baixos.









