Política

STJ julga processo contra Buzzi; PGR é a favor de demissão

Magistrado está afastado desde fevereiro por duas denúncias de assédio e importunação sexual; se condenado, ele pode perder o cargo

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Ighor Nóbrega, Basília Rodrigues

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) iniciou nesta quinta-feira (6) o julgamento do processo administrativo disciplinar contra o ministro da Corte Marco Buzzi, acusado de assédio e importunação sexual por duas mulheres. A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou favorável à condenação e demissão do magistrado.

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A sessão ocorre a portas fechadas e começou por volta de 9h30, na sede do STJ, em Brasília. Além da PGR, os advogados das vítimas também apresentaram sustentação oral com pedido de responsabilização do ministro. Buzzi acompanha o julgamento presencialmente.

Uma das vítimas é ex-funcionária do gabinete do magistrado. Ela relata ao menos oito ocasiões em que foi assediada por Buzzi. A outra é uma jovem de 18 anos, que acusou o magistrado de importuná-la sexualmente durante uma viagem a Balneário Camboriú (SC). A menina é filha de um casal de amigos de Buzzi.

O processo foi aberto depois da denúncia da jovem e levou ao afastamento do ministro em fevereiro. Ele segue fora das funções do tribunal desde então.

O julgamento desta quinta (6) é comandado pelo presidente do STJ, o ministro Herman Benjamin. Ao todo, 28 ministros vão votar — Buzzi não participa e uma cadeira do tribunal está vaga. É necessária maioria absoluta dos votos (16) para a condenação.

A expectativa é de condenação. Se isso se confirmar, o ministro pode perder o cargo, conforme o novo entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), que extinguiu a aplicação da aposentadoria compulsória como pena máxima em processos administrativos. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) regulamentou a norma na terça (4).

Há a possibilidade, contudo, de o STJ aplicar a diretriz anterior e punir Buzzi com a aposentadoria, por considerar a abrangência da nova regra subjetiva e anterior ao processo. O magistrado poderá recorrer da eventual condenação. Isso faria o caso ir ao Supremo.

No STF, já corre um inquérito criminal contra o ministro do STJ. O caso está sob sigilo. O relator é o ministro Kassio Nunes Marques.

Buzzi nega ambas as acusações de assédio e importunação sexual. Chegou a apresentar um laudo de disfunção erétil para argumentar que não teria condições físicas para praticar os crimes.

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