Mapa da Desigualdade revela abismo na Grande SP; veja lista
Estudo inédito aponta diferenças em saúde, renda e saneamento; São Caetano lidera ranking e Pirapora do Bom Jesus fica em último

São Caetano lidera ranking; em Pirapora do Bom Jesus, cidade que ocupa o último lugar da lista, espuma tóxica é vista no Rio Tietê | Reprodução
A primeira edição do Mapa da Desigualdade da Região Metropolitana de São Paulo, divulgada nesta quinta-feira (6), revela um retrato das diferenças sociais e econômicas entre os 39 municípios da maior metrópole do país.
Na classificação geral, São Caetano do Sul aparece como o município com melhor desempenho, seguido por Santana de Parnaíba, Ribeirão Pires, Vargem Grande Paulista e Poá. Na outra ponta do ranking está Pirapora do Bom Jesus, seguida por Francisco Morato, Juquitiba, Itapecerica da Serra e Embu das Artes. A cidade de São Paulo ocupa a 16ª posição (veja ranking completo abaixo).
O levantamento compara 40 indicadores distribuídos em nove áreas – pobreza, trabalho e renda, saúde, educação, cultura, segurança pública, meio ambiente, infraestrutura, transporte e mobilidade e habitação – e mostra que cidades vizinhas apresentam realidades muito distintas em qualidade de vida.
O estudo foi elaborado pela Rede Nossa São Paulo e pelo Instituto Cidades Sustentáveis, com base em dados oficiais de órgãos como IBGE, DataSUS, Inep e Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa). Segundo as entidades, o objetivo é oferecer um diagnóstico para orientar políticas públicas voltadas à redução das desigualdades entre os municípios da região metropolitana.
Diferença de 16 anos na expectativa de vida
Em São Caetano do Sul, a idade média ao morrer é de 76 anos, a maior da Região Metropolitana. Já em Francisco Morato, a média é de 60 anos, uma diferença de 16 anos entre municípios separados por pouco mais de 60 quilômetros. Apenas São Caetano e Santo André registram média superior a 70 anos.

A cobertura vacinal também apresenta contrastes importantes. Vargem Grande Paulista lidera o indicador, com 99,8% da população-alvo imunizada, enquanto Rio Grande da Serra registra apenas 29%. São Lourenço da Serra (32%) e Jandira (34%) também aparecem entre os piores desempenhos.
Saneamento ainda é desafio
Os maiores contrastes aparecem no saneamento básico. Em Juquitiba, somente 19,5% da população é atendida por rede de esgoto. Em contrapartida, Poá, Santo André e Taboão da Serra alcançam cobertura de 100%.
No abastecimento de água, 11 municípios oferecem atendimento universal, enquanto São Lourenço da Serra e Juquitiba atendem menos da metade de seus moradores. A coleta seletiva também varia significativamente: há cidades com cobertura total e outras, como Suzano e São Lourenço da Serra, em que menos de 5% da população é atendida pelo serviço.
Mauá concentra maior população em favelas
Na área da habitação, Mauá registra a maior proporção de moradores vivendo em favelas e comunidades urbanas: 27,5% da população. Em seguida aparecem Itaquaquecetuba (24,7%) e Diadema (22,3%). Na capital paulista, o índice é de 15%.

Em sentido oposto, sete municípios não registram moradores vivendo em favelas ou comunidades urbanas. Entre eles estão São Caetano do Sul, Guararema e Vargem Grande Paulista.
PIB alto nem sempre significa melhor qualidade de vida
O levantamento também mostra que riqueza econômica não garante melhores condições de vida. Cajamar possui o maior PIB per capita da Região Metropolitana, de R$ 312,7 mil, enquanto Francisco Morato registra R$ 13,5 mil, uma diferença de 23 vezes.
Segundo os organizadores, porém, o PIB per capita mede a produção econômica dos municípios, mas não representa necessariamente a renda efetivamente recebida pela população nem reflete, por si só, a redução das desigualdades sociais.
Veja ranking completo:
1º. São Caetano do Sul – 29,00
2º. Santana de Parnaíba – 27,66
3º. Ribeirão Pires – 27,39
4º. Vargem Grande Paulista – 25,78
5º. Poá – 25,68
6º. Jandira – 24,90
7º. Suzano – 24,66
8º. Caieiras – 24,51
9º. Guararema – 24,46
10º. Cajamar – 24,30
11º. Santo André – 24,27
12º. São Bernardo do Campo – 23,78
13º. Arujá – 23,71
14º. Santa Isabel – 23,68
15º. Salesópolis – 23,61
16º. São Paulo – 23,51
17º. Barueri – 23,32
18º. Osasco – 23,32
19º. Mogi das Cruzes – 23,07
20º. Mairiporã – 22,68
21º. Embu-Guaçu – 22,45
22º. Rio Grande da Serra – 22,42
23º. Diadema – 22,41
24º. Mauá – 22,22
25º. Guarulhos – 21,90
26º. Biritiba Mirim – 21,85
27º. Cotia – 21,85
28º. Ferraz de Vasconcelos – 21,66
29º. Carapicuíba – 21,42
30º. Taboão da Serra – 21,37
31º. São Lourenço da Serra – 21,34
32º. Itaquaquecetuba – 21,15
33º. Franco da Rocha – 21,05
34º. Itapevi – 20,73
35º. Embu das Artes – 20,46
36º. Itapecerica da Serra – 20,10
37º. Juquitiba – 20,10
38º. Francisco Morato – 18,12
39º. Pirapora do Bom Jesus – 17,02















